quinta-feira, dezembro 27, 2007

Até agora: TiArmindo - 5 Badocha do SCP - 1, Mesmo com o voto de qualidade da progenitora, Ora toma lá :)

Reverend and The Makers - 18-30
Reverend and The Makers - Heavyweight Champion Of The World
Reverend and The Makers - Bandits

Rock à inglesa em ritmo violento de música de dança. As pingas de música electrónica não metrosexual, polvilham um rock musculado, cheio de testosterona. Uma música que pede um fino, e remata no final com um pezinho de dança, mas mais um pezinho no rabo de alguém, do que um pezinho de dança metrosexual.
São os Reverend and The Makers, uns rapazes bem-humorados de Sheffield, Inglaterra, que juntam as lições aprendidas da Madchester dos anos 80, com um rock muitas vezes agressivo, ritmado e independentemente contemporâneo.
Os Reverend and The Makers têm como líder o vocalista Jon McClure. Este formou em primeiro lugar uma banda chamada “Judan Suki”, nesta já constavam 2 membros dos Makers, o baixista, Ed Cosens e a vocalista e teclista, Laura Manuel. “Judan Suki”, é uma expressão japonesa que significa: “ser pontapeado num “lugar frágil” (mais uma vez a metrosexualidade está nas malvas). Os Judan Suki ao longo da sua vida chegaram a ter 20 membros, nestes se incluíam Alex Turner e Matt Helders dos Artctic Monkeys.
Aliás as relações entre os projectos de Jon McClure não se ficam por aqui, a banda seguinte de Jon eram os “1984”, banda que também continha membros dos Makers, e que é referida no primeiro single dos Monkeys, “I Bet You Look Good On The Dancefloor”, “dancing to electro-pop like a robot from 1984”.
Mas a promiscuidade não se esgota aqui, quando os Makers se formaram em 2005, sendo compostos por Jon McClure, Ed Cosen, Laura Manuel, Tom Jarvis (guitarrista), Joe Moskow (teclista), Richy Westley (bateria) e Stuart Doughty (percussão), começaram a tocar ao vivo, e em 2006 já faziam as primeiras partes dos Monkeys sendo que lançaram o seu até agora único álbum “The State of Things” (2007).
O single é o dançante “Heavyweight Champion Of The World”, sobre aquilo que nós pensámos que poderíamos ser, “I could've been The Heavyweight Champion of the World”, mas no final, Be like everybody else /Just be like everybody else /Just be like everybody else /Just be like everybody else. Há a destacar também “Bandits”, uma música divertidíssima, que expõe um diálogo entre três personagens entre as quais um bandido e no final “there’s alway tomorrow mate”
Já 18-30 é uma música cheia de piada “autoirónica” e autocrítica (ou “autoelogiosa”, depende da perspectiva), que fala de uns ingleses que querem ir para o estrangeiro nas férias e descreve o comportamento de tal espécie de ser em férias, comportamentos esses que nós já conhecemos dos bifes e “bifas” que costumam vir fritar a Portugal.
“Dos bier mate, por favour”, “Je je je je suis anglais I know you think that we're all the same And causing trouble is our forte Portugal, France, Greece or Spain”, no final, “I wanna get away, I wanna get away from you”, e para ilustrar esta ultima frase a música acaba com um ritmo de dança alucinante, o que da uma sensação de escape, mas nada, mas mesmo nada, de metrosexualidade.

http://www.iamreverend.com/,
www.myspace.com/reverendmusic

sexta-feira, dezembro 14, 2007

AIIIIII!!!!!!!!! Quuuuuueeeeee Pppprrrreeeeegggguuuuiiiiiççççççaaaaa

Isaac Albéniz - Asturias

Isaac Albéniz nasceu em 29 de Maio de 1860, numa aldeia dos Pirinéus na Província de Girona, Espanha. Criança prodígio, é aceite aos sete anos pelo famoso professor de piano Antoine-François Marmontel. Quando voltou a Espanha, entrou para o conservatório de Madrid e em 1873 entrou para o conservatório de Leipzig. Depois entrou no conservatório de Bruxelas para estudar piano e composição. Em 1879, ganha o primeiro prémio do conservatório. Depois trabalha com Franz Liszt, continuando a aperfeiçoar a sua técnica de piano. Em 1883, casa e estabelecesse em Barcelona (e cá está quem casa quer casa). Fica famoso como reputado pianista, mas nem assim, pára a busca da perfeição, tendo para isso mais uma vez viajado, desta vez para Paris. Albéniz compôs muitos trabalhos, sendo que a sua obra de maior relevo é “Ibéria”.
A sua música criou uma identidade, criou paisagens, que hoje em dia facilmente associamos a Espanha. Aliás ouvindo a sua música, “Asturias”, composta para piano, mas adaptada à guitarra (espanhola), a palavra Espanha (entremeada com alguns espanhóis olés), facilmente nos chega à cabeça.

Albéniz morreu em 1909




quinta-feira, novembro 29, 2007

Olá!!! Isto, SOU EU:

Otis Redding - Sittin' On The Dock Of The Bay

Na passada sexta, fui, para vergonha minha, pela primeira vez ao Lux. Cumpriu inabalavelmente as minhas expectativas, apesar do 40º melhor Dj do mundo.
No dia seguinte um colega meu vira-se para mim, “O Dj do 2º andar é que é um dj, acabou com “Sittin' On The Dock Of The Bay” o que tem toda a lógica visto estarmos numas docas”. Bem foi mais ou menos isto. Eu penso que nunca tinha ouvido tal música na minha vida (se quiserem atirem um tomate), o que tratou de confirmar a máxima de uma professora minha: “O que não conheces, não vês” (como todas as máximas, esta têm uma data de excepções). Ou seja eu não me lembro de tal música no Lux. E é uma pena, porque agora que já a conheço, poderia ter dito na altura, “olha o Dj está a meter a música para mim, para que eu no final da noite, me vá sentar na doca, a ver barcos a passar, visto nesta noite, estar com um sentimento semelhante ao Otis. No entanto eu não pretenderia fazer das docas a minha casa, apesar de ser uma zona agradável.
Depois também é curioso, há coisas que parecem querer entrar na tua vida. Otis Redding é uma delas. Fiquei eu a conhecer Otis Redding nesse fim-de-semana, inclusive que a referida música pertence a banda sonora, de um filme que, embora se veja, não me deixa nos píncaros; Top Gun, quando me meti a ler o Y dessa sexta, e estava lá um artigo sobre uma cantora soul, que agora não me recordo o nome, que dizia que a referida senhora, a par de Otis e outro sujeito tinham sido grandes figuras da Motown de Detroit, mais uma vez, o que não conheces, não vês.
Otis, uma das figuras mais influentes da soul music, da música negra, nasceu em 1941 e começou a trabalhar na indústria musical nos anos 60, sendo o primeiro álbum, “Pain in My Heart” de 64. Foi sempre um “fazedor” de hits, mas o grande sucesso começou um ano depois da sua morte em 67, quando aos 26 anos, faleceu num acidente de avião, juntamente com a sua banda The Bar-Kays. Esse grande sucesso foi precisamente a musica aqui referida. Outro grande sucesso foi o dueto com Carla Thomas, “Tramp” de 1967. Até 1993, têm sido editados cds com hits e material anteriormente não editado. Eu contei 14 cds, but “Who’s counting”. Entre estes 14, está “The Dock of the Bay” de 68
Depois de ouvir a música, facilmente nesse dia, sempre que me sinta feliz, mandarei o refrão com uma voz quente e de sorriso pendurado na cara: “Sittin’ On The Dock Of The Bay…”, e se estiver mesmo feliz, ainda levam com o assobio.

http://www.otisredding.com/

Matthew Dear – Don And Sherri

Já aqui destaquei “Don and Sherri”, pelos Hot Chip, agora ouvi o original, e vou destacá-lo. Provavelmente quando ouvir a M.A.N.D.Y. remix, também a irei destacá-la.
Quando destaquei a versão Hot Chip, não sei se falei da letra da música, mas se não falei, falo agora, a letra sou eu, há pessoas que têm ambições desmedidas, e gostavam de ter escrito, músicas que se transformaram em grandes clássicos, eu não, eu gostava de ter escrito o Don na Sherri, se eu escrevesse, poderia ter escrito algo semelhante, se calhar não tão bonito, mas algo que transparecesse o mesmo. Eu gostava de ter escrito o Don and Sherri porque eu sinto-o, eu gostava de ter escrito o Don and Sherri, porque me seria verdadeiro. E é por aqui que eu vou pegar, para dizer melhor da versão Hot Chip em relação ao original. A versão original, é uma pura música de clubes, é dançante, de batida constante, com partes agressivas, é uma música para as 5 da manhã, já a dos Hot Chip é mais 2 da manhã. E para mim a letra é claramente, 2 da manhã, ou até mais cedo, já que é sóbria e logo convém estar sóbrio. Uma música com uma letra tão sentida (nem que seja pela minha parte) merece mais calma, mais beleza, e menos sujidade, mais luminosidade e não a escuridão dos clubes, merece ser cantada com o sentimento dos Hot Chip e não com a voz que raia a indiferença devido ao “monocordismo” (diz que é uma espécie de neologismo) de Matthew Dear.
Então, será que gosto do original???
Opá, adoro, é mesmo boa para dançar, a questão é que para mim, a versão dos Hot Chip (ainda por cima devido à letra), é a minha (ou sem me levar pelo entusiasmo, uma das minhas) música(s) do ano.
Matthew Dear nasceu no Texas, mas cedo se mudou para o Michigan, onde encontrou inspiração no Techno de Detroit. Crio a editora Ghostly International, e lançou o seu primeiro single, “Hands Up For Detriot”. O primeiro álbum foi em 2003 “Leave Luck to Heaven”. Em 2004 “Backstroke”. Já em 2007 lançou aquele que contém “Don and Sherri”, “Asa Breed”. E é assim que se constrói uma carreira sólida no Techno Minimal.
“My name doesn't change very often / But it's never been Don and Sherri”

http://www.matthewdear.com/, www.myspace.com/matthewdear

quarta-feira, novembro 28, 2007

Slisten

Kalabrese, é suíço, e isso, eu não sabia. Mas Kalabrese, já é um nome conhecido, na música electrónica, eu pelo menos conhecia. Já estes; eu não conhecia. Será que devia agradecer ao Kalabrese????

Quarion – Play Your Part
Crowdpleaser & St Plomb (Ianeq remix)


Não sou o maior fã do mundo de House, isso é certo.
Também é certo que isso não me impede de gostar de House. “Play Your Part” de Quarion é House, isso parece certo. E eu gostar do House calmo, sexy, aliado a sons tribais de “Play Your Part”, também é certo.
Certo, certo, é que Play Your Part aparece numa das habituais selecções, da Dj-Kicks, selecções essas que já nos habituaram ao bom gosto, sendo que desta feita, o bom gosto ficou a cargo dos alemães Booka Shade.
Certo, certo, certo é que Quarion, é Ianeq, que aos 13 anos começou a tocar saxofone, passando 4 anos depois para os pratos, sendo que nessa altura se tornou um coleccionador de discos de hip-hop, jazz e funk. A partir de 95 entra em força na House, mostrando a sua arte em Genebra. Ianeq produz hip-hop, electrónica mais “jazzistica”, techno e house (mas um House mais agressivo que Quarion). Enquanto Ianeq produziu entre 2003 e 2007, cinco 12 polegadas. Já enquanto Quarion lançou dois 12 polegadas, “Karasu/Play Your Part” e “Karasu (remixes)”, ambos em 2007. Isto porque só em 2007, fundou o projecto Quarion, após ter andado em tour com os Enterplay. Neste momento Ianeq/Quarion tal como qualquer bom produtor de música electrónica vive em Berlim.


http://www.virb.com/quarion,www.myspace.com/quarion, http://www.myspace.com/ianeq


Crowdpleaser & St Plomb – 1,2,3 (Philippe Quenum remix)

Aumentando na hipnose mas continuando na Suiça: Crowdpleaser & St Plomb remisturados pelo francês Philippe Quenum. Crowdpleaser é um suíço cujo nome surgiu da crítica do New York Times a um filme americano, o filme era um “crowdpleaser”. Já o suíço St Plomb começou como um baterista de rock e funk antes de “ingressar” nos pratos. Desde 2003 ate agora os dois em conjunto já produziram oito 12 polegadas (sendo que o que nos interessa neste caso é o 2006 remixes II) e um cd de seu nome “2006”.
J á o remisturador é Philippe Quenum é um francês com raízes nas Antilhas Francesas mas que actualmente vive em (surpresa!!!!) Genebra. Actua desde os anos 80, e tem como curiosidade o facto de em 2001 se ter juntado a um “teclista” de jazz e clássica Nuno Filipe, que já se está mesmo a ver, é tuga. Formou-se assim o Jam Project.
Em 2003 Quenum e o muito conhecido Luciano fundaram a também conhecida Cadenza Records.



Kate Wax – Killing Your Ghost
Kate Wax – The Wild Me
Kate Wax – Pleasure Zone

Aumentado na sexualidade, mas continuando na bela Suiça, não só por que a mulher é belíssima, mas também, por causa da voz sexy que nada no “electro-pop muitas vezes animal”, por causa do sombrio misterioso, porque é uma daquelas mulheres que, se tiveres que sair com ela, tens que ir de escuro.
Kate Wax é meia europeia, meia tibetana, tendo nascido em Genebra (Suiça), tendo viajado ao longo do mundo com a sua avó. Segundo o seu site, o escapar do mundo, permitiu criar os seus mundos imaginários, mundos onde a sua voz encanta.
Esta letrista e produtora, lançou o primeiro cd pela Mental Grooves, “Reflections of the Dark Heat” (“Killing Your Ghost”, “The Wild Me”) em 2005, já em 2007 saiu Dark Heat Collection I, e Dark Heat Collection II (“Pleasure Zone”, tão sensual, tão sensual, que o nome diz tudo), sendo este último principalmente de remisturas.

http://profile.myspace.com/index.cfm




terça-feira, novembro 20, 2007

YUPIII!!!! Ja chegou o frio e a chuva e tá-se tão bem na cama

Matthew Dear - Don And Sherri (Hot Chip Version)

Para quem tem ouvido certos programas de rádio, esta música não é novidade nenhuma.
Matthew Dear, Dj americano, e de merecidos créditos e elogios entre os seus pares, lançou em 2007, “Asa Breeder”, que contém a música “Don and Sherri”. Também em 2007 foi lançado o 12 polegadas, “Don and Sherri”, que contém para além da versão original da música, também versões dos germânicos M.A.N.D.Y e Dj Koze e 2 versões protagonizadas pelos ingleses Hot Chip, versão essa que nos lembra que um quarto cd deve estar aí a arrebentar, aliás que nos faz dizer, “graças a deus” por estar aí a arrebentar. A música tem Hot Chip escrito em toda a sua extensão, ou seja o electropop super pop, muito melódico, orelhudo, cheio de vozes pausadas e quentes. Uma música perfeita para abrir ou fechar uma noite. Ora no sofá, ora num rápido e ligeiro levantamento do sofá mas sempre com um ligeiro bater de pé e abanar de cabeça, enquanto se degusta calmamente um copo de whisky.

www.matthewdear.com, http://www.myspace.com/matthewdear,
www.myspace.com/hotchip, www.hotchip.co.uk

quinta-feira, novembro 15, 2007

Com esta “rockalhada”, naturalmente: I LOST CONTROL AGAIN

The Wombats – Let’s Dance To Joy Division

Já muitas revistas, disseram que 2007, iria ser o ano dos Joy Division (eu por razões óbvias, acho que foi antes 1979 e 1980), muito por culpa do filme “Control” (que se estreia entre nós amanhã) de Anton Corbijn. Mas há várias formas de homenagear uma banda, para além de um (uns) filme(s), também o facto de existirem bandas famosas de inspiração Joy Divisiana (Interpol, Editores, etc…) e já agora esta música:

I'm back in Liverpool,
And everything seems the same,
But I worked something out last night,
That changed this little boys brain,
A small piece of advice,
That took twenty-two years in the make,
And I will break it for you now,
Please learn from my mistakes,
Please learn from my mistakes.



Let's dance to joy division,
And celebrate the irony,
Everything is going wrong,
But we're so happy,
Let's dance to joy division,
And raise our glass to the ceiling,
'Cos this could all go so wrong,
But we're just so happy,
Yeah we're so happy.


So if your ever feeling down,
Grab your purse and take a taxi,
To the darker side of town,
That's where we'll be,
And we will wait for you and lead you through the dancefloor,
Up to the D.J booth,
You know what to ask for,
You know what to ask for.



Go ask for Joy Division,
And celebrate the irony,
Everything is going wrong,
But we're so happy,
Let's dance to joy division,
And raise our glass to the ceiling,
'Cos this could all go so wrong,
But we're just so happy,
So happy.


So let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
(Let it tear us apart)
So let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
(Let it tear us apart)
So let the love tear us apart,
I've found the cure for a broken heart,
Let it tear us apart,
Let it tear us apart,
Let it tear us apart.


Let's dance to joy division,
And celebrate the irony,
Everything is going wrong,
But were so happy,
Let's dance to joy division,
And raise our glass to the ceiling,
'Cos this could all go so wrong,
But we're just so happy,
Yeah we're so happy,
So happy,
Yeah we're so happy,
So happy,
Yeah we're so happy.

Os The Wombats, são um trio, e como já percebemos são de Liverpool. Eles são Matthew Murphy (vocalista e guitarrista), Dan Haggis (baterista, teclista e também vocalista (back vocals)) e Tord Øverland-Knudsen (baixista e “adicionalmente” também vocalista). Este último como dá para ver pelo nome não é um inglês de gema, aliás não é um inglês “at all”, mas um norueguês que adoptou Liverpool como a sua cidade. Conheceram-se no Liverpool Insitute of Performaning Arts, que lhes deu a possibilidade de darem concertos para mais de 20000 pessoas na China.
Em 2007, saiu o álbum de estreia intitulado “The Wombats Proudly Present: A Guide to Love, Loss & Desperation” (um guia que esperemos que seja útil a muita gente). Este álbum já conseguiu chegar ao núemro 11 da tabela de discos britânica, e tem o aqui destacado “Let’s Dance To Joy Division”.
Assim vamos todos dançar ao som dos Joy Division, celebrar a ironia, de tudo estar mal, mas ainda assim, porque não, estar feliz, eu estou…

www.myspace.com/thewombatsuk, http://www.thewombats.co.uk/

quarta-feira, novembro 14, 2007

O inicio e o fim.

No passado dia 7 de Novembro, os Interpol, apresentaram-se em Portugal, mais propriamente no Coliseu dos Recreios, para apresentarem o novo álbum, “Our Love To Admire”. Com certeza que nós admirámos, o amor deles (pelo menos, aquele que eles parecem ter pela música), mas também podemos admirar os Blonde Redhead, na primeira parte, também eles a apresentarem o novo álbum deles “23”.

Blonde Redhead – SW
Blonde Redhead – 23
Blonde Redhead – The Dress

Para alguns este foi o início, para outros como é o meu caso foi um meio inicio, não só por ter chegado atrasado, como pelo facto de só ter ouvido “23” 2 vezes antes. Para outros o início foi outro…
Com um som, que rapidamente, me fez comentar: “Não te faz lembrar Sonic Youth?”. Ok uns Sonic Youth, mais polidos, menos sujos, com um som mais cristalino, mas uns Sonic Youth, que afinal são uma das influencias destes nova-iorquinos (claro só podia).
Quanto à atitude, há que referir a vocalista, que dançava/”vagueava” de um lado para o outro, sempre a exteriorizar o que cantava, e agarrada ao microfone, que nem um cão a um osso (pelo menos quando não estava de guitarra em punho). Entrei ainda a tempo de ouvir o fantástico “SW” (que hoje não me sai da cabeça), e constatar que o momento de maior frenesim por parte do público, foi a ultima música do concerto, o single “23” do álbum 23, mas para mim, o momento mais sublime foi a antepenúltima música, o fantástico, “The Dress”.
Iniciaram-se nestas andanças em 1993, após se terem conhecido num restaurante italiano de Nova Iorque, na altura, Kazu Makino (guitarra e voz), Maki Takahashi (baixo) e os gémeos Simone (bateria) e Amedeo Pace (guitarra e voz) formaram os Blonde Redhead. A banda cedo chamou à atenção de Steve Shelley, baterista dos Sonic Youth, que tratou de os editar na Smells Like Records, a sua editora. O primeiro álbum tinha título homónimo, e apareceu em 1995. Ainda antes de sair “La Mia Vita Violenta”, pela mesma editora ainda em 95, Takahashi abandonou a banda. Em 1997, já noutra editora, lançam “Fake Can Be Just as Good”, para o qual convidaram um baixista. Em 1998, deixam de usar o baixo, e sai cá para fora “In an Expression of the Inexpressible”. “Melody of Certain Damaged Lemons” (2000), “Misery is a Butterfly” (2004), foram os álbuns lançados até chegarmos a 2007 e ao magnífico “23” (o que contém as músicas destacadas).
Conclusão: como eu também comentei: “Epá, estes gajos são bons”.
No final, alguma mágoa por, não ter visto mais, e logo não saber se cantaram uma música “em particular”.

http://www.blonde-redhead.com/, www.myspace.com/blonderedhead
















Interpol – Pioneer To The Falls
Interpol – PDA

Para alguns, o início foi só aqui, para mim foi só mais um início, um bom inicio. Para mim os Interpol, são os maiores, até se estiverem, mudos. E eles até são quase mudos, entre músicas, o que irrita algumas pessoas (quer dizer os gajos são uns “românticos” urbano depressivos, estavam à espera do quê??), mas que para mim, só mostra mais uma razão pela qual são uma “banda do caralho”, ou seja, são coerentes, com a música que tocam, com as letras que escrevem, com a forma como se apresentam e representam em palco, com toda a atitude cool que caracteriza a banda. A pose sempre muito profissional, de quem só está ali para tocar, dar um bom concerto e não para a palhaçada. Destaco inclusive uma música (já não me lembro qual) em que o vocalista/guitarrista, esteve grande parte do início da música, nos primeiros riffs, de costas para a plateia. Uma má educação, que eu não levei nada a mal. Depois de um concerto ultra profissional (o que faz com que, quem goste dos álbuns, não tenha hipótese de não gostar dos concertos), nada mais profissional, do que elemento a elemento, irem à frente do palco, agradecer ao público, todo o afecto prestado, algo que aconteceu ao longo do concerto, em que no final de cada música, após sentidos aplausos, Paul Banks agradecia com um “Obrigado”, ao qual só me apetecia ripostar com um “Obrigado eu”.
Quanto à música o que eu mais gostei foi do início e do fim. Para o início, o início de “Our Love To Admire” os seja “Pioneer To The Falls” (a minha preferida do álbum), música, que tal como todos os inícios dos álbuns dos Interpol, venero, e que tal como todos os inícios dos álbuns dos Interpol, nasceram para ser inícios de alguma coisa, por isso, porque não de um concerto? Não sei porquê, se é de serem músicas mais “orquestradas”, de existirem solos de guitarra melodiosos, não sei??, mas com um início da Interpol, começamos sempre bem. I know you tried /You tried straight into my heart /You fly straight into my heart /Girl, I know you try /You fly straight into my heart /You fly straight into my heart /But here comes the fault...
Já para o final, no encore, após sete músicas deste novo álbum (o que para mim foi óptimo), e algumas das mais conhecidas de “Antics” e Turn On The Bright Lights”, ficou “PDA” deste último (que é na verdade o primeiro). Tal como “Pioneer To The Falls” ter nascido para começar, “PDA”, nasceu para finalizar. Tocada com enorme vitalidade, e com um fim abrupto, a meio, em que o público, começou a gritar pela banda, e em que Paul coloca-se ligeiramente de lado, como que estivesse a escutar (e estava mesmo), para passado mais alguns segundos retomar a música ainda com mais vitalidade, e com a certeza de dever cumprido. “sleep tight, grim rite, we have two hundred couches where you can /sleep tight, grim rite, we have two hundred couches where you can /sleep tight, grim rite, we have two hundred couches where you can /sleep tonight (Daniel: Simpleton) /sleep tonight (Daniel: You're Simpleton) /sleep tonight (Daniel: Can i Follow?) /sleep tonight (Daniel: What the hell?....). Perfeito para finalizar, e talvez não com 200 cobertores, mas nessa noite dormi, e dormi muito bem.
Os Interpol resultaram da pareceria de Daniel Kessler (guitarrista e vocalista) com um amigo da universidade de Nova Iorque, Greg Drudy (baterista). De seguida Kessler ficou amigo de outro estudante da mesma universidade Carlos Dengler (que já fora guitarrista, mas que assumiu as teclas e o baixo). Depois Kessler encontrou um amigo dos tempos em que esteve em França, Paul Banks (guitarrista e vocalista). Era 1998, e os Interpol estavam formados… Em 2000 saiu Drudy e entrou Sam Fogarino para o seu lugar. Associada desde sempre ao post-punk britânico, os Interpol começaram a actuar em clubes nos arredores de Nova Iorque, tendo na primeira digressão pela Inglaterra, merecido destaque por parte do programa de rádio de John Peel na BBC, isto foi em 2001. Em 2002, assinam com a Matador Records, e lançam o aclamado “Turn On The Bright Lights” (onde está “PDA”). Em 2004, sai “Antics”e em 2007 sai “Our Love To Admire” (onde está “Pioneer To The Falls”).















segunda-feira, novembro 05, 2007

Têm nome de Branco. “:(”; “:????”


Belleruche – Balance
Belleruche – Minor Swing

Hoje estou chateado, tal como nos últimos dias, talvez seja uma depressão pós latada, ou mais provavelmente uma daquelas depressões de ressaca que se prolongam no tempo, uma coisa é certa, há-de ser uma depressão pós qualquer coisa.
Por isso sobre as músicas que vou referenciar, vou dizer só uma palavra: ELEGÂNCIA. Com mais um bocado de animação, ou tristeza, a palavra é, elegância.
Os Belleruche são um trio londrino, que anda à volta do soul, do funk, do jazz, numa coisa a que eles chamam “turntable soul music”. O trio é composto por: Kathrin de Bóer (voz), Ricky Fabulous (guitarra) e por Dj Modest (responsável pelos beats e scratches que se ouvem ao longo das músicas, dando o seu “quê” de hip-hop à coisa). A banda formou-se após Ricky e Modest, que andavam a tocar música por bares de Londres, terem encontrado, Kathrin, “num mercado” um dia, e depois quando estavam a tomar um “cházinho”, ela cantou um “pouquito”, “et voilà”, os Bellaruche estavam formados.
Depois de alguns Eps, lançaram este ano (há coisa de meses), “Turntable Soul Music”, um álbum de músicas inspiradas por noites em que o rum foi o melhor amigo deles, sendo que muitas destas músicas foram escritas em comboios, táxis de aspecto dúbio, e nos backstages de pubs do Reino Unido.



domingo, outubro 28, 2007

Só agora reparei. Isto já tem um ano! Mas que maldade!!!

XTC – Making Plans For Nigel
XTC – Dear God

Há uns 2/3 anos, li numa revista, cujo nome agora não me recordo, sobre estes rapazes. Saquei estas 2 músicas, e foi amor imediato, elevei logo os XTC à categoria “de uma das minhas bandas preferidas”. Só de seguida, ouvi os álbuns, e o entusiasmo desceu um niquito de nada. Os álbuns que eu ouvi, tinham pérolas semelhantes a estas duas, e todas as músicas se ouviam muito bem, mas estas 2 são perfeitas, perfeitas, perfeitas…
Daí acho bem, destacar estas 2 músicas, para que haja mais alguém que caso não conheça esta banda, possa ter pelo menos um percurso semelhante.
No fim das contas, os XTC são uma das minhas bandas preferidas, e “Dear God” um aconchego à minha alma (e isto é para não cair na tentação de dizer que é uma das canções da minha vida, porque não sei se isso existe mesmo).
“Making Plans For Nigel”, é uma cançoneta pop, com uns riffs de guitarra bem aplicados, nela fala-se de alguém, que faz planos para o futuro de Nigel, afinal ele precisa de uma ajuda. Esta música faz um paralelo, com a vida de quem a escreveu, o baixista, Colin Moulding, que se inspirou, no facto de o seu pai, também o ter pressionado, mas neste caso para estudar, ter um futuro em termos universitários, no facto de querer que o filho ande com o cabelo todo certinho, e por aí fora. And if young Nigel says he's happy/ He must be happy/ He must be happy in his work. Obviamente, se ele o diz… com certeza que não está feliz.
Já “Dear God” é um hino, é uma música doce, cujo início é cantado por uma criança de 8 anos, e em que para além desta, também participa a voz de Andy Partridge, uma guitarra acústica, uma bateria e um violino que nasceu para embelezar esta música. A música é uma carta dirigida a Deus, em que se questiona a sua existência. Gosto tanto da música, e acho a letra tão bem conseguida (acredite-se ou não em Deus, tem que se reconhecer que mesmo para os que acreditam, este tipo de pensamentos são racionais, e provavelmente já lhes passaram pela cabeça), e com versos de tanta beleza, que eu (principalmente para encher chouriços!!!) vou transcrevê-la:

Dear God,
hope you got the letter, and...
I pray you can make it better down here.
I don't mean a big reduction in the price of beer
but all the people that you made in your image, see
them starving on their feet 'cause they don't get
enough to eat from God, I can't believe in you

Dear God, sorry to disturb you, but... I feel that I should be heard
loud and clear. We all need a big reduction in amount of tears
and all the people that you made in your image, see them fighting
in the street 'cause they can't make opinions meet about God,
I can't believe in you

Did you make disease, and the diamond blue? Did you make
mankind after we made you? And the devil too!

Dear God, don't know if you noticed, but... your name is on
a lot of quotes in this book, and us crazy humans wrote it, you
should take a look, and all the people that you made in your
image still believing that junk is true. Well I know it ain't, and
so do you, dear God, I can't believe in I don't believe in

I won't believe in heaven and hell. No saints, no sinners, no
devil as well. No pearly gates, no thorny crown. You're always
letting us humans down. The wars you bring, the babes you
drown. Those lost at sea and never found, and it's the same the
whole world 'round. The hurt I see helps to compound that
Father, Son and Holy Ghost is just somebody's unholy hoax,
and if you're up there you'd perceive that my heart's here upon
my sleeve. If there's one thing I don't believe in

it's you... Dear God.

Em 76, Andy Partridge (guitarrista e voccalista), Colin Moulding (baixista e também vocalista) e Terry Chambers (baterista) fundam os Star Park, em 77 mudam para Helium Kidz e admitem Barry Andrews (teclista). Depois de terem sido recusados pela CBS Records, tornam-se finalmente XTC e assinam pela Virgin e lançam o primeiro EP, “3D” em Outubro de 1977, o primeiro álbum foi logo a seguir “White Music”. De seguida o teclista sai e é substituído pelo guitarrista David Gregory. Em 82, Partridge cai em palco devido à exaustão, 1 mês depois volta a ficar KO devido a uma úlcera no estômago. Depois destes acontecimentos a banda cancela a tournée levando a que Chambers abandone o grupo. Ainda nesse ano Partridge anuncia que os XTc iriam deixar de tocar ao vivo, concentrando-se só em gravar álbuns em estúdio, devido ao medo deste em relação aos palcos. Desde 77 até hoje (banda supostamente ainda existe) conto 21 álbuns sendo que “Making Plans For Nigel”, está contido no 3º disco da banda “Drums and Wires” (1979), e “Dear God” está contido em “Skylarking” (1986), o 8º disco da banda que foi muito mais amada pelos críticos do que pelo público em geral.

terça-feira, outubro 23, 2007

E que tal o cliché: “dEUS é grande”

dEUS - Bad Timing
dEUS - What We Talk About (When We Talk About Love)
dEUS - Nothing Really Ends

Apetecia-me antes estar a falar de algo novo, e com certeza que há muito “novo” para falar, mas a ditadura da “música na cabeça” (que passarei a chamar de “head music”, já que soa bem melhor), obriga-me (imaginem que a música é uma pistola, e pensem nos regimes extremistas quer de esquerda, quer de direita, e conseguirão perceber a minha delirante obrigação) a falar de sons que recorrentemente e com alguma frequência me invadem a cabeça, vindas de uma memória qualquer antiga, que não consigo relacionar com nada, ou então muito provavelmente vindas mesmo do nada. Isto porque hoje estava muito bem no meu trabalho de “tio”, quando o som da musica nº 1 (e eu acho que tenho uma tara qualquer (a frase podia muito bem acabar aqui) pelas primeiras músicas dos cd (o que no Winamp, faz, com que me baste alterar a ordem da playlist para passar a gostar de uma música) do cd “Pocket Revolution” dos dEUS, me volta a conquistar alguns neurónios do cérebro. Isto, porque só o inicio dessa musica me deixa assombrado, os adjectivos, fantástico, poderoso, e mais alguns elogiosos, aparecem-me à frente dos olhos, à espera, de serem ditos em voz alta. Este é um cd que já não ouço à algum tempo, e que portanto nunca destaquei, mas é um dos meus preferidos, e apesar de não saber se as criticas foram boas ou más, coloco-o a um nível alto. dEUS é um das minhas bandas preferidas, esta preferência fez-me comprar em conjunto com o Público, “Para Onde O Vento Sopra”, o filme alucinado/alucinante de Tom Barman, vocalista dos dEUS. Esta preferência, a par de uns filmes (de titulo, que agora não me recordo) de Jean-Luc Godard, que há uns anos passavam na 2, e pelos quais, eu tinha um certo fascínio, são algumas das causas que me levam a ter curiosidade em ir à Bélgica.
A música a que me referia em cima, era “Bad Timing”, mas para destaque, podia dizer as 12, por isso pensei nas 3 primeiras músicas que me vinham à cabeça do cd. Depois de “Bad Timing”, lembrei-me de “What We Talk About (When We Talk About Love)”, uma daquelas perguntas, com múltiplas respostas. Ao longo da música dão-se respostas, quer das simples quer das complexas. A mais normal conclusão a que eu chego é, que a resposta correcta é: todas as opções nomeadas acima estão correctas.
Para o fim fica a música que fecha o cd, “Nothing Really Ends”. Esta música já tinha sido lançada na colectânea, “No More Loud Music”, era aliás a única música original presente neste cd que comprei na Corunha, não imaginando (devido ao belo deita abaixo, muito comum entre nós), que tal cd de 2001, também já se encontrava cá no Burgo. Esta bela, calma, melancólica, e apaixonada música, rapidamente me apaixonou, ao ponto de eu conseguir inclusive, acompanhar a música do início ao fim, cantarolando-a. Uma daquelas músicas que de tão belas, merecem ser partilhadas. Eu próprio a tentei partilhar, mas a resposta, foi do tipo: “Parece as músicas que o meu pai ouve” (e isto até poderia ser positivo, não fosse, a entoação negativa dada à “coisa”. Vá-se lá perceber…
Os DEUS foram a primeira banda belga indie a assinar por uma major. Nasceram em Antuérpia em 91, e são compostos por Tom Barman (vocalista e guitarrista), Stef Kamil Carlens (baixista), Julle De Borgher (baterista), Klaas Janzoons (violinista) e Rudy Trouvé (guitarrista). Em 1994 lançaram o primeiro álbum “Worst Case Scenario”, depois em 1995, lançaram o muito experimental “My Sister Is My Clock”. Aqui saiu Carlens, e entraram Craig Ward (guitarrista) e Danny “Cool Rocket” Mommens (baixista), para em 97 nascer “In A Bar, Under The Sea”. Em 1999 sai o famoso “The Ideal Crash”. Em 2002 sai a compilação “No More Loud Music”. O interregno de álbuns de originais dura 7 anos (e muito deste tempo deveu-se ao facto de alguns membros terem “tirado um tempo” para os seus outros projectos) sendo interrompido por “Pocket Revolution”.

http://www.deus.be/ , http://www.myspace.com/deusbe



Tom Barman & Guy Van Nueten – Harry Irene
Tom Barman & Guy Van Nueten – Magnolia

Penso que aqui há uns anos, Tom Barman, fez uma digressão a solo, em acústico, e penso inclusive que passou por Coimbra, penso também, que nessa altura ao ouvir relatos sobre esses concertos, ouvi que a introdução de cada música, era do género: Esta música foi concebida sob o efeito de speeds, esta sob x, sob y , sob etc. Em 2003 saiu o cd “Tom Barman Live With Guy Van Nueten”, creio no entanto que este cd não tem a ver com essa digressão, mas como não tenho a certeza, admito perfeitamente que esteja simplesmente a fazer confusão, e Tom Barman não passou por Coimbra, mas isso também é o menos importante. “Tom Barman Live With Guy Van Nueten”, é isso mesmo, a junção de Tom Barman com o pianista/”keybordista” Guy Van Nueten, líder dos The Sands, e os espectáculos que deram em várias cidades europeias, estando aqui inclusive gravações feitas no Hard Club. Este disco contém 7 versões de músicas de dEUS, todas com uma roupagem mais leve (agora que se diz ao Verão: xau xau), para além de versões de outros autores, como é o caso da minha muy amada “Riverman” de Nick Drake, ficando contudo esta versão a léguas do original.
As músicas que eu destaco também são versões.
“Harry Irene”, é um original de Captain Beefheart, e é uma música muito humorada, com gargalhadas no meio, com interacção com o público, e com assobios (o que está muito na moda). Esta faixa está presente num segundo cd, de uma edição limitada deste álbum. “Harry Irene were a couple that lived in the green/ Harry Irene were a couple that ran a canteen/Ran a canteen/Ran a canteen”. Uma música perfeita para os amantes das Amarelas.
A segunda música é “Magnólia”, um original J.J. Cale, e é uma música muy romântica, e agradável, que fala da saudade de alguém que deixou alguém em Nova Orleans (esperemos que não tenha sido por altura do Katrina). “You're the best I ever had/You're the best I ever had”. E tá tudo dito.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Penso que já houve um la la la, por isso, terá que ser: Sons Onomatopeicos

The Rosebuds – Boxcar
The Rosebuds – Let Us Go
The Rosebuds – Outnumbered

Provavelmente não está aqui nenhuma canção da minha vida, mas muitas vezes o que faz canções passarem à categoria de “canções da nossa vida” são factos externos à própria canção e internos à nossa vida. No entanto uma coisa é certa (pelo menos para mim), todas as músicas ou quase todas as músicas de “Birds Make Good Neighbors”, são um bom pop orelhudo. Ainda hoje estava no “trabalho” e estava a cantarolar o “lalalala” de “Boxcar”. Aliás por serem aquelas, que mais ficam no período “pós escutar”, os meus destaques vão para “Boxcar”, “Let Us Go”, “Outnumbered”. Curiosamente (mas na verdade, talvez não) as duas primeiras músicas são, aquele tipo de músicas com repetições de sons onomatopeicos do tipo la la la; e eu gosto muito dessas merdas ultra simples, aliás enquanto ouço o “dom dom dom dom…” de “Let Us Go” tenho o inconsciente hábito de abanar a cabeça num tom algo paternalista. Já “Outnumbered”, música que ouço neste exacto momento em que estou a escrever, fez-me lembrar terrivelmente (mas não no mau sentido) Pixies, o que fez logo saltar o ecrã do meu computador para a página do “Allmusic” dedicada aos The Rosebuds, e lá estava: “influenced by: Pixies”. E a mim, este tipo de coisas, dá-me uma certa alegria, porque penso cá para mim: “afinal até tenho algum ouvido”. Em todo o álbum se fala de amor, mas tal como diz a “Pitchfork”, não é o “Big, Big Love” do primeiro álbum, mas sim: “There’s a lot of love in these songs, but it’s love in the face of a common enemy”.
Os The Rosebuds são um duo/trio norte-americano (Raleigh, Carolina do Norte) que se formou em 2001, após Ivan Howard (voz e guitarra) e Kelly Crisp (teclas) se terem conhecido nos tempos do colégio. Passou a trio com a adição do baterista Billy Alphin. Em 2003 sai o primeiro cd “Make Out” pela Merge Records. De seguida sai o baterista que é substituído por Jonathan Bass que por sua vez também é substituído para a gravação do segundo álbum o aqui já referido “Birds Make Good Neighbors” (2005). Já pela altura da edição do último álbum “Night Of The Furies” (2007) passaram novamente a duo. Neste último álbum, têm a colaboração de muitos amigos, como os Shout Out Louds.

http://www.therosebuds.com,
http://www.myspace.com/therosebuds

segunda-feira, outubro 08, 2007

Um dia igual a tantos outros

Psychic Ills – Untitled

Acordo ressacado, almoço, visto-me, ouço música. Deve ter sido no momento em que puxava as calças para cima, que reparo que estou noutro planeta, olho para o computador, e vejo que esse planeta se chama Psychic Ills – Untitled. O som é completamente psicadélico, a música é uma falta de senso instrumental, é aquilo que muita gente apelida de música (muito) estranha, ou então visada com belos piropos, tipo: “isso também eu fazia”. Não é uma música fácil, é com certeza a menos melódica do álbum, aliás o facto de não ter titulo, dá-nos indicações que é algo muito menos descritível que o resto das músicas. Com certeza que esta não é a melhor, mas também quem é que disse que eu gostava das melhores??? Além disso a música encaixou no momento com uma perfeição assustadora, com certeza que irá para o meu rol de músicas para ouvir ressacado.
O som caracteriza-se pela reunião de palavras como: sónico, tribal, esquisito, psicadélico, “jam sessions”, improvisação, caos, hipnótico.
Eles são um quarteto nova-iorquino, que era inicialmente (2003) formado somente por Tom Gluibizzi (guitarra e teclas), Três Warren (voz). Ainda em duo lançaram em 2004 “Mental Violance I”, após este álbum passam finalmente a quarteto, pela adição de Elizabeth Hart (baixo) e Brian Tamborello (bateria). Em 2005 sai “Mental Violance II”, que tal como o primeiro, saiu numa edição limitada em vinil. Estes 2 discos, foram compilados no cd “Early Violance” em 2006. Esta compilação tinha como bónus 2 novas músicas. Em Fevereiro de 2006, é lançado “Dins”, álbum onde aparece este “Untitled” .


http://www.myspace.com/psychicills

quinta-feira, outubro 04, 2007

Que shono...

Matias Aguayo – De Papel
Matias Aguayo – The Green And The Red

Foi um cd que figurou na minha cartinha para o Pai Natal no ano passado, mas como eu gosto de facilitar a vida ao Pai Natal, costumo-lhe indicar pelo menos uma dezena de cd, às vezes com prejuízo meu, mas enfim o que conta é a intenção, e se eu só quero x cd não deveria ter inscrito y. Depois desta conversa é fácil de adivinhar que “Are You Really Lost?” não foi um dos cd “sorteados”. Depois de ouvir o álbum, vejo que há muito boas razões para o cd ter figurado na minha lista. A conclusão disto tudo é que há milhares de bons cd e tu não podes ter todos. Paciência, ninguém costuma morrer por causa disto.
Matias Aguayo fazia parte dos Closer Musik, até que a relação tensa com Dirk Leyers fez o projecto chegar ao seu termo. Agora a solo, Matias Aguayo lançou o seu álbum de estreia, “Are You Really Lost” (2005), álbum calmo e algo negro. Já no entender de Matias é um “álbum com música para a cidade e para a noite”; para outros, é um álbum para “ouvir com “headphones” e a um volume normal”. O álbum foi produzido pelo próprio e por Marcus Rossknecht. As músicas têm letras com pouco sentido, e as que eu destaco são: “De Papel”, um titulo curioso, mesmo tratando-se de um chileno, que logicamente vive no sitio mais provável do mundo, para alguém da música electrónica, ou seja a Alemanha, (e já agora edita, pela importante “Kompakt”, a editora de Colónia de Michael Mayer), e “The Green And The Red” (e foi há tão pouco tempo o Benfica – Sporting). A primeira tem um início que me entrou automaticamente para a cabeça, principalmente pela musicalidade do som dos primeiros momentos (e aqui incluo a voz muito “bem metida”). A segunda fala da história de algo vermelho que no final vai sentir sentimento da afeição pelo verde (com certeza que esses “algos” não são nem o Benfica nem o Sporting).




terça-feira, setembro 25, 2007

Myspace 1

Após curta mas dolorosa pausa, vou retomar com um post que é ele próprio, uma retoma de algo que se iniciou há cerca de 3 meses.
O myspace, é um fenómeno interplanetário, é a forma de divulgação de música sem passar por editoras por rádios televisões ou seja sem passar por um seleccionador, eu diria que na minha opinião que é uma globalização que o pessoal de Davos tolera e aplaude, por muito controverso que isto possa parecer.
Pela simples aprovação por parte de internautas (por muito pouco simples que isto possa parecer), nasceram fenómenos sendo os mais visíveis Lily Allen, Arctic Monckey, e Clap Your Hands And Say Yeah (em Portugal Buraka Som Sistema). Hoje em dia, o myspce já não é o sítio, onde divulga musica quem não consegue divulgar em outro lado, quem não consegue fazer concertos etc, hoje em dia até os mais conceituados músicos têm pagina myspace, e quem fala em músicos, fala em actores (de todo o tipo de filmes (Jenna Jameson)), escritores, todos os mais variados artistas, e pessoas ordinárias (ou seja comuns). Como uma vez disse o Álvaro Costa nos “Bons rapazes”, o myspace é um mundo em que se levaria uma vida a explorar (eu diria que isto não é mais que um sinonimo de net), na sua imensa grandeza nós nos sentimos perdidos (e com razão). Mas o myspace, ainda é música e divulgação, e qualquer pessoa que o explore há-de encontrar coisas interessantes, mais ou menos interessantes, e nada interessantes (eu diria que isto é um sinónimo de vida). Também eu o exploro, e encontro coisas novas, realmente novas, como indicam às vezes os 1000 visitantes, ou o facto de não existirem musicas dos artistas no emule, alias já criei nos meus favoritos a pasta, musica que ainda não há no emule. Não pretendo dizer que estes artistas que me pareceram interessantes tenham hipótese de algum dia vir a serem estrelas (aliás, eu duvido muito que o venham a ser), mas enfim já que gostei de ouvir as músicas deles, porque não divulgá-los (eu diria que isto é um sinonimo de seleccionador).
Provavelmente muitos de vocês (que são imensos!) no final dirão que estas músicas são sinónimos de merda, mas e então, o que é que se interessa, que se lixe, sempre pode ser que gostem de alguma.


Cake on Cake – Sea-Microphone


Só me entusiasmou verdadeiramente esta música (contida em “I Guess I Was Daydreaming”), embora todas elas tenham na minha opinião um certo interesse, mas a música aqui referida é a única que aos meus ouvidos soou a “realy catchy”. Trata-se de um pop melódico, calminho, muito jeitoso para quem quer acordar aos poucos, tendo pedacinhos de electrónica na composição, e um voz doce que cai bem na música.
Cake on Cake é o projecto a solo da sueca Helena Sundin (que também é artista), ela produz a música a música sozinha em sua casa/estúdio, usando uma panóplia de instrumentos. Ao vivo as coisas como é óbvio já não se passa assim necessitando da ajuda de amigos e da sua irmã Kristina Sundin.
Dentro do que se pretendia neste post, se calhar Cake on Cake já tá fora do contexto visto, que já tem uma editora, Desolation Records (deve ser uma alegria dizer o nome da sua editora a alguém), e já lançou os cds “I See No Stars” em 2005, “I Guees I Was Daydreaming” em 2007, em 2006 foi o Ep “Sun-Chairs”, e até já tem um cd de remisturas “No Holiday Place”, lançado em 2007. No entanto, ainda não arranjo a arranjo a música no emule…
Mas também não faz mal, ela no Myspace e no seu site disponibiliza músicas (e não são poucas). Para quem gostar…

http://www.cakeoncake.com/, http://www.myspace.com/cakeoncake, http://www.helenasundin.com/


Yuka Honda – Humming Song (Alone Together)


Esta também é daquelas que tem alguma notoriedade, inclusive no emule, há uma música de Sean Lennon que conta com a sua contribuição, mas em nome próprio: niente. A música anda à volta do experimental, jazz, e uma electrónica com o seu quê de ambiental. A música seleccionada, algo repetitiva, soa a suave, e faz-nos abanar a cabeça com todo aquele ar cool (o que inclui também um bocadinho de abanar de ombros). O projecto arrancou em 2006, e apesar de nova-iorquina, o nome não engana, os seus traços são orientais e a sua origem é muito provavelmente japonesa (após mais um pouquinho de pesquisa posso afirmar que nasceu em Tóquio e mudou-se para Nova Iorque em 1980). Apesar do seu nome a início nada me dizer, após uma pequena pesquisa, reparo, que é uma rapariga já com algum nome, afinal foi uma co-fundadora dos Cibo Matto (e estes, eu já conhecia). Já lançou 2 cd pela editora Tazdik, “Memories Are My Only Witness” em 2002, e “Eucadamix” (onde se encontra a canção acima referida) de 2004.

http://www.damoon.net/yuka/index.htm, http://www.tzadik.com/, http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=53199552


Queen Plasticine – “Untitled For Now” (que já está intitulada, penso que com o nome de: “This Where You End”)

Vem de Londres mas nasceu no Quebeq, diz estar há pouco tempo em Londres, diz conhecer pouca gente e andar à procura de pessoas para a acompanhar ao vivo, diz que o nome é temporário e que está a ver se arranja um melhor (eu lhe diria que Queen Plasticine is just fine, ou pelo menos é suficiente), diz que em relação ao que o som dela soa, diz-nos que nós é que lhe devemos dizer, ora bem, eu lhe diria que soa a Sigur Rós, que ela nomeou como uma das suas influencias, influencia essa que a musica dela deixa transparecer; ok, não soa a nada de novo, se calhar nem é nada de especial, mas soa just fine (muito Joe Berardo), tal como os Sigur Rós a música embala-nos com a sua melancolia, é agradável ao ouvido, e a rapariga é muito agradável à vista. O facto de a música se intitular “Untitled for now”, o facto de ainda andar à procura de banda (já sabem se andarem por Londres e tocarem alguma coisa, mandem uma apitadela), mostram quanto embrionário é este projecto. Concluindo: Não me deixou maluco, mas foi o primeiro endereço que foi para a pasta, músicas que ainda não há no emule.

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=46592541


The Never Invited To Parties - Bicycle Ride

O nome da banda é dos mais engraçados que eu ouvi (mas atenção não sou totó ao ponto de dizer o nome e cagar-me a rir. É engraçadito). As músicas não são extraordinárias, estão extremamente mal gravadas, mas Bicycle Ride, é um projecto de canção razoável (quem sabe se bem gravada), mas transmite uma adolescência, uma jovialidade, bem agradável, e os sons são… engraçaditos. Estes rapazes e raparigas suecos, que aparentam ser ainda miúdos, são Karin, Karin, Alice, Agnes, Joanna, Henrik e formaram-se em 2006.
Porque é que estão aqui??? Bem adoro o nome, é assim… engraçadito.

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=97052032


Eu costumo deixar o melhor para o fim, em relação à comida é o mesmo, e por isso é com prazer que anuncio uma banda que eu achei EXTREMAMENTE interessante. Se eu fosse obrigado a apostar dinheiro (e só assim) na “banda do Myspace” que poderia vir a alcançar sucesso, a minha aposta era esta.

Basement Entertainment – Angel
Basement Entertainment – Naked in the rain


Dizem-se músicos de Bossa Nova, A’capella, e Bluegrass (um estilo de música americano, que foi importado directamente dos imigrantes das ilhas britânicas, tendo ainda influencia de jazz e blues, o facto de se caracterizar por ser completamente acústico, faz com que hajam semelhanças com o Folk). Provavelmente muitos não irão gostar, mas quem gostar, poderá realmente gostar. A música é super calma, melancólica, direi mesmo deprimente (a mais animada será “Naked In The Rain (apetece mesmo cantar “you could be naked in the rain”, e por mim estão à vontade, só não se constipem. A mais complexa em termos de instrumentos será “Long Time No See”, isto cingindo-me às músicas disponibilizadas no Myspacem músicas essas que dão para sacar).
Os Basement Entertainemet são Franceses, (cheguei até eles navegando num site irlandês qualquer do Myspace, porque será?), e segundo eles (e eles são: Mary-Agnes, Alex Banjo, Leo Bear Creek, Stanley Brinks, Adam Cotton, Freschard, Howard Hughes, Fred Mortagne, Billy Jet Pilot, Ben Lupus, Peggy, Carolina Van Pelt) tudo começou numa cave, numa noite muito animada, em que de um momento para o outro começaram a tocar musica, a gravá-la e a filmá-la. A aittude desta gente é toda muito Myspace, segundo eles o som soa a “Like fun” e em relação à editora, não precisam, afinal isto são pessoas que estavam, numa festa, numa cave, e que por divertimento começaram a tocar, mas às vezes a brincar a brincar, começam-se coisas sérias…
“Angel your not free, you are mine”, tra la la, tra la l ala.

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=186402544


A seguir a um 1 costuma vir um 2….

terça-feira, setembro 18, 2007

É sempre reconfortante saber que há alguém que sabe o que as mulheres querem

Girl Talk -Friday Night
Girl Talk -Minute By Minute

“I know what girls want, want, I know what they like, like, they want to stay up hey, and party all night”. E com certeza que a ouvir o cd de Girl Talk Night Ripper as raparigas e os rapazes também, têm razões para ficar toda a noite (de sexta e dos outros dias também) acordados a dançar, em festa, porque é isso mesmo que a música de Girl Talk é, um motivo para festa, como se fossem precisos motivos, ou seja é um bom condimento para festa, ou não fosse o facto deste senhor fazer mash-up, o que equivale a dizer no caso dele, que em cerca de 1 minuto ele passa umas 4 musicas ou mais, tudo numa salada, numa promiscuidade, capaz de excitar um morto. Assim para quem conhecer Hip-Hop (o que não é o meu caso), saberá que as palavras iniciais são de um tal de Juelz Santana contidas na música “Run It” de Chris Brown e penso que somente aí, mas eu também não conheço muito Hip-Hop, ora a musica que estamos a destacar não é de Juelz Santana mas sim de Girl Talk e sobre as virtudes do mash-up está tudo subentendido.
Na festa de Girl Talk, passa de tudo, desde bandas que me dizem muito como é o caso dos Smashing Pumpkins, Lcd Soundsystem, Pavement, Sonic Youth; há músicas que toda a gente conhece, de artistas que toda a gente conhece, assim de repente vem-me à cabeça, Oasis, U2, Snoop Dog, Missy Elliot, Madona, e um etc de mais de 150 samples que preenchem as várias categorias, estilos, e que nos permitem se estivermos para aí virados, brincarmos ou de quem é, de quem?
Girl Talk é Greg Gillis, americano (Pittsburgh) de 25 anos, que tem como disfarce durante o dia a fatiota de engenheiro biomédico, à noite (e não só, claro está) é um Dj que gosta de misturar muita coisa que muitas vezes pouco têm a ver. Além do muito trabalho em estúdio em que faz autênticas operações plásticas com samples tornando a música o mais dançante possível, ele também é conhecido pela energia ao vivo, pelas exortações em alta velocidade ao microfone, e por se despir até ficar em roupa interior enquanto dança e passa música.
Girl Talk faz mash-up de hits, mas ao contrário do que estamos habituados com os 2 Many Djs em que no máximo há uma mistura de quatro músicas numa música, Girl Talk mistura pelo menos esse número em um minuto de música, minute by minute, os samples vão-se acumulando e no final duma música podemos ter ouvido de 6 a 20 sons que nos fazem lembrar algo.
Começou a lançar discos em 2002 com “Secret Diary” um disco mais complexo, com certos momentos de brilhantismo, depois em 2004 “Unstoppable”, em que usou samples de musicas bastante conhecidas, mas em menor quantidade e de maior duração. O último álbum é “Night Ripper” (onde estão incluídas estas duas), e fica a meio caminho entre os dois primeiros. Também foi lançando ao longo do tempo remisturas e Eps.
Devido ao uso de samples, como já se está mesmo a ver, Girl Talk tem potenciais problemas com os tribunais (até agora tem tido poucos porque: "Nenhum artista que poderia implicar com alguma coisa no disco ouviu o álbum."), por isso é com certa curiosidade que contemplamos o irónico nome da editora que lançou os 3 álbuns de Girl Talk: Illegal Art.

www.myspace.com/girltalkmusic, www.girl-talk.net/, www.illegalart.net/girltalk

segunda-feira, setembro 17, 2007

Eu quero ser como uma data de gente, incluindo eu próprio


The Loveninjas – I Wanna Be Like Johnny C
The Loveninjas – Do me

Muitas vezes fala-se de música pop, mas na verdade o que é música Pop? Pop pode ser tudo, e não, não pode ser ao mesmo tempo nada. É claro que a maioria das pessoas associava Pop às canções que vinham do Reino Unido (pelo menos era assim que eu pensava quando era mais novo); músicas acompanhadas por guitarras e numa toada calma (não era só isto, mas penso que o pop britânico era uma boa catalogação do que devia ser pop). Felizmente, porque Pop não é só isto, já não se pensa bem assim, infelizmente, ao mesmo tempo porque o Pop serviu para catalogar toda a merda que aparecia à face da terras, e que as pessoas tinham necessidade de assim a catalogar para que não se achassem umas parolas só porque gostavam daquilo, afinal pop é popular, mas em Inglês. Bem este é a minha forma de pensar, se é correcta ou não, não faço a mínima, mas também não me importo muito, opinar ainda não paga impostos. Para mim que me mantenho fiel a pensamentos atávicos da minha infância, e logo não evolui, chamo pop maioritariamente ao formato canção, que era utilizado na Grã-Bretanha quando era mais petiz. Todo este encher de chouriços, foi só para dar destaque ao pop cristalino, imaculado, irónico, adolescente, sonhador e romântico dos Loveninjas, uma banda sueca, que penso que descobri no myspace e que me parece que são algo conhecidos (apesar das somente 21000 visitas ao seu site do myspace; bem mas se não forem conhecidos é uma grande injustiça, e eu à minha maneira vou ajudá-los!!!). As músicas aqui destacadas são: “I Wanna be Like Johnny C” e “Do me” (um titulo sempre bastante apropriado/apreciado).
Os Loveninjas são quatro rapazes suecos na casa dos 20 anos, mas que costumam dizer que são uma banda de quatro ou cinco pessoas. Logo por aqui vemos que são um caso interessante, mas como é óbvio não se ficam pelas simples dificuldades matemáticas. A banda iniciou-se em 2004 , quando o fundador do grupo criou a música “Sweet Geisha Love”, que era sobre uma jovem assassina que estava com um dilema, matar ou fazer amor. A partir daí decidiu escrever sobre sexo morte e raparigas japonesas. Depois decidiu convidar amigos para formarem a banda, três deles aceitaram. Também se decidiram em relação à indumentária, Olle costuma vestir-se de coração, enquanto que o resto da banda se veste de preto com uns corações colados na zona do peito. As músicas são alegres, solarengas, alegres, irónicas, muito bem-humoradas, com títulos que chamam à atenção (por exemplo “She Broke His Penis In Two”, que após o terror inicial, nos dá vontade de querer ouvir).
Tal como o nome da banda sugere, há uma grande “obsessão” destes rapazes pelo Japão, e principalmente pelas raparigas japonesas, às quais eu também acho uma certa piada, é claro que eu nunca responderia à pergunta: “O que é que vos atrai nas raparigas japoneses?”, com algo do tipo: “Elas são bonitas e têm estilo. Ouvi dizer que os pêlos púbicos são lisos. Gostaria de descobrir mais a esse respeito”.
As outras grandes inspirações destes rapazes são pornografia (dizem-se fãs dos anos 60 e 70), os filmes da Manga, e as tartarugas ninjas.
Portanto até aqui já podemos concluir que estes rapazes são meio estranhos e são meio tarados, ou seja nada que choque o meio musical.
Quanto às duas músicas aqui destacadas, podíamos defini-las numa palavra: orelhudas.
Em “I Wanna Be Like Johnny C”, uma doce música de batida rápida e vocalizações que lembram os anos 80, os Loveninjas fazem provavelmente uma homenagem à personagem de banda desenhada Johnny C, da série de banda desenhada “Johnny The Himicidal Maniac”. Este serial killer e assassino de massas, e que normalmente interactua com outras personagens torturando-as e matando-as, também aparece na séries de televisão “Invader Zim”.
Já em “Do Me”, a ironia não está aparentemente presente, é uma canção sobre o romance, a paixão e sobre o quanto o rapaz quer sair com a rapariga (provavelmente japonesa). Nesta suave canção, fica-nos uma frase a ecoar na cabeça: “But I want to go out with you” e eu acho que quem quer assim com tanta força (com que o rapaz canta), merece ter sorte, esperemos mas é que ele ao ouvir: はい, consiga perceber.
Concluindo que já se vai fazendo longo; depois de em 2006 terem lançado 2 Eps, “I Wanna Be Like Johnny C” e “Keep Your Love”, ainda no mesmo ano lançaram o álbum, (não há-de ser por acaso, pois não?) “Secret of the Loveninjas”. Álbum descrito pela sua editora, Labrador records, como: “is the finest dancey pop you’ll hear this year. It’s Shop Assistants, Pulp and Chris Montez’s A&M years through a soft disco filter. Oh, how much you will love this album.”; é claro que não podíamos esperar outra coisa de quem tem como por objectivo vender o disco (“the finest dancey pop you’ll hear this year”, “how much you will love this album”).
Já começa a ser um hábito eu achar que a Suécia em termos musicais (e também noutros aspectos ;)) é um país super excitante.

terça-feira, setembro 11, 2007

Entretanto, em Milão nasce algo!

Chemical Brothers – The Salmon Dance (Crookers remix)
Crookers - Limonare

Teria me dado mais jeito conhecer os Crookers há cerca de uns dois meses atrás, infelizmente só os conheci no dia 2 de Setembro, no programa “Bons Rapazes” da Antena 3, na altura, e porque só ouvi relance o nome do artista, ou melhor só ouvi parte do correspondente, visto que ouvi que era o novo single do novo dos Chemical Brothers, e lá fui eu ouvir novas dos Chemical Brothers, para chatice minha, o som que tinha ouvido, não o encontrava. Neste ultimo domingo, no mesmo programa falaram das remisturas da música Salomon Dance, boa! Já tinha o cartão agora só faltava que aparecesse o número que me permitisse fechar o cartão e dançar efusivamente bingo. Foi a remistura dos The Glimmers (que era a minha primeira aposta), e depois foi a remistura dos Crookers, Bingo! Esta busca pela música acabou por se revelar mais interessante, do que se a música me tivesse sido servida de bandeja, isto porque me permitiu ouvir o original (não me deixa por aí além), a remistura dos The Glimmers (na minha opinião pior que o original), e a remistura dos Crookers (bem acima de qualquer uma das anteriormente referidas, e tem a vantagem que se não estivermos muito atentos, não percebemos que é o tema dos Chemical, é na realidade uma música completamente diferente, é uma música para dançar, pular, ao contrario do original. A música é o caos instalado e só nos ocorre: “Uau” ou melhor “Wow”). Aliás para ver como é explosiva a música dos Crookers, pode-se ver os vídeos por eles disponibilizados no Myspace.
Os Crookers são dois rapazolas, Phra e Bot que se conheceram em Milão em 2003 e começaram a fazer música juntos. Já tinham ambos alguma experiência no Djing. Ambos começaram na música muito cedo; Bot com piano e guitarra e Phra com Dj (aos 11 anos) e Mc no movimento Hip-Hop. Ganham sucesso, e são chamados a fazer remisturas de vários artistas como os Chemical Brothers, Nelly Furtado, Arman Van Helden, Jamelia.
Eles praticam um House de batida bastante agressiva (mesmo como eu gosto, e que eu dificilmente descreveria como House, principalmente na remistura dos Chemical Brothers). Num site estava escrito sobre eles algo do género: É redutor defini-los unicamente como Djs, eles são inventores de música e de som, sendo o resultado sempre explosivo.
Para além das remisturas também já tiveram tempo para lançar três 12 polegadas: “End 2 End” (2006), “Aguas De Parco” (2007) e “Funk Mundial #3 (2007), este ultimo pela editora Man Recording, que é uma editora especializada em sonoridade brasileira, e que aproveitando o gosto desta dupla por este tipo de sons, pediram a estes para “fazerem” o volume 3 da série promovida pela editora: Funk Mundial. Neste cd podemos ouvir uma mistura de sons Funk carioca com música electrónica europeia.
Confesso que após ouvir as músicas presentes no Myspace, fico com a sensação, que estes rapazes têm músicas que eu aprecio bastante, e outras que têm partes que eu colocaria na prateleira “Gosto duvidoso”, mas pode ser que seja só eu que esteja a ser duro de ouvido, e amanhã tudo soará melhor. Isto porém não me impede de dar realce também ao single da nova Mix Tape dos Crookers (dirigida principalmente para as pistas de dança), single cujo nome é “Limonare”, uma música irónica, divertida, que fica na cabeça, e que começa bem com um som que me faz lembrar Sebastian, depois começa numa toada em que se revelam ao de leve as influencias Hip-Hop, e que com a voz algo “riscada” e angustiada da rapariga faz com que a musica desça um bocado na minha consideração, mas o inicio desta deixa-me maluco.
Enfim, a remistura dos Chemical é do caraças.


http://www.myspace.com/crookers



Il Deboscio – Frangetta
Italy is Burning Compilation – Roma is Burning

Agora referência para algo que me pareceu no seu conceito bastante interessante, mas que para não italianos, chateia rapidamente. Na busca de coisas sobre os Crookers, cheguei a uma compilação com um nome brutal: “Italy is Burning Compilation”. Achei ainda mais brutal, ao ver o nome das músicas que estão no cd, visto que a maioria delas se chamam, cidade italiana (aqui na forma de uma variável) is burning. A relação com os Crookers? Estes remisturam uma das faixas. Esta compilação proveu da colaboração de Linus (famoso dj italiano) e da Rádio Deejay, e contem “Frangetta” de “Il Deboscio”, uma música famosa nas discotecas italianas. A canção original referia-se à vida estereotipada duma rapariga de Milão (…colocas uns óculos grandes (daqueles escuros, a que eu chamo: “tipo mosca”), vais a uma festa da MTV, tens uma “Frangetta”, um Macintosh, e por aí fora). Nesta compilação pretendeu-se juntar todas as versões da “Fragetta”, de toda a Itália, versões estas que foram enviadas para o programa de rádio “Deejay chiama Itália”, nestas versões punha-se o enfoque nas cidades, de onde eram provenientes as versões. Apareceram as versões de Roma, Nápoles, Palermo, Turim, etc… Estas versões tiveram uma grande difusão e tornaram-se um fenómeno na Internet.
Ora e então porque é que isto acaba por ser uma chatice?? Bem a primeira música que ouvi foi o original, música essa que eu achei bastante engraçada e que puxa um “pouquito” a dança (“pouquito”, porque mais para o final a vocalização corta um pouco o ritmo, mas pronto, é bastante interessante). As versões são basicamente a mesma música mas com uma letra diferente, voz diferente, e cantada de maneira diferente, mas no entanto “assenta” sempre na mesma música, o que para quem não percebe italiano, torna-se irritante já que não é propriamente uma música que (eu) se consiga ouvir 21 vezes seguida (número de faixas do cd). O destaque deve-se então ao conceito muito interessante, à primeira impressão que a música me provocou, e ao trabalho que tive para conseguir perceber o que era este fenómeno, já que o cd saiu agora neste verão, e a maioria dos sites que falam nisto (para não dizer a totalidade) são italianos. Destaco então a original e a versão de Roma já que tem uma voz masculina provocando alguma (pelas razões já referidas, ténue) diferença. Frangetta é um single saído em 2007 extraído do cd “Milano is Burning” e que rodou muito na rádio Deejay pela mão de Linus.
“Il Deboscio” foi um projecto que nasceu em 2000 em Milão pelas mãos de David Columbo e David Scirocco. Em 2001 nasceu o http://www.ildeboscio.com/. Nos 2 anos seguintes é criada uma famosa marca homónima de roupa. Em 2005 com o Dj/Produtor Supernova, apareceu a etiqueta de Electro-Techno com sede em Londres e uma etiqueta discográfica para o mercado italiano.
Confuso?????
Se não ficaram estão melhores do que eu, mas enfim, acho que dá para ficar com uma pequeníssima ideia.

sábado, setembro 08, 2007

You gotta sing, when the spirit is sing, you gotta dance when the spirit is dance

Frivolous- Good-Bye Regrets
Frivolous- The Durt-Tape Mechanics

O fantástico (pelo menos é a minha opinião) “Midnight Black Indulgence” é o trabalho de estreia de Frivolous (aka Daniel Gardner), e é para mim, tal a quantidade de vezes que o ouvi nesta ultima semana um dos que irá ser dos cd do ano.
A musica a destacar podia ser o single que cumpre bem a função de single, para alem de ser uma excelente música, fica na cabeça, o seu titulo “Me and My Social Anxiety” (“it’s not you, it’s just me and my social anxiety”), é portanto uma pequena homenagem a todos que como eu se acham um bocado sociopatas, ou pelo menos a todos que como eu acham que tudo é um bocado anormal, e por isso pensam que são um pouco sociopatas (ou seja o que eu pretendo dizer, é que esta música refere-se a timidez e se calhar um bocadito de vergonha em termos sociais (o próprio autor o refere em entrevista; o que depois de ouvir a música torna-se um bocado aquela coisa “potato potato” (embora já não tenha bem a certeza do significado de tal expressão), ou seja óbvio), mas eu devido ao meu exagero neurótico, tenho a mania leviana de lhe chamar sociopatia, e por isso peço desculpa a todos os verdadeiros sociopatas, e já agora desejo-lhes tudo de bom (não vá algum tornar-se psicopata)). Bem mas o destaque (para não ser assim tão obvio como de costume) vai para “Good-Bye Regrets”, uma música de dança, calma, melódica perfeita para um abanar de ombros e cabeça meio gingão; e também para “The Durtr - Tape Meachanics”, uma música com um cariz hipnótico, mais dançante, mais espacial, sensual, com vocalizações e com elementos jazzisticos, algo que ao longo do álbum tem momentos claramente pornográficos (“aka” explícitos).
Daniel Gardner é um jovem canadiano (ou canadense, depende de como gostarem mais, já que parece que canadense, não é só no Brasil) de Vancouver, que devido às suas más notas na escola, pensou-se que tinha um dificuldade de aprendizagem, tudo mudou quando apareceu um novo curso, Composição de Musica Electrónica (algo que tornou as lições de piano que tivera anteriormente, em algo que pessoalmente útil), e de repente torna-se num bom aluno (a porra do interesse faz sempre a diferença toda). Em 96, com 16 anos, torna-se Dj residente em clubes de Vancouver, nesse momento, na cidade estava em alta a tendência do sexy house norte americano, house esse que tinha também ele um tendência em alta, o facto de tender para a vulgaridade. O na altura novo som minimal era visto pelas audiências como uma forma de arte efeminado (quem tiver mais algum significado para a palavra “poncy” para além de chulo, esteja à vontade), estilo esse que ele introduziu na noite de Vancouver sob o nome de Frivolous (que segundo o nosso autor é a palavra francesa para uma pessoa que gosta de brincar muito de uma maneira inapropriada). Mas esta coisa de tocar o que na altura não está na berra, é algo que caracteriza este senhor, referindo ele que depois de Vancouver, foi para Montreal onde toda a gente andava a passar minimal, e ele começou a passar musica com elementos jazz, dando mais uma vez uma volta de 180º no estilo. Depois quando ganhou finalmente coragem, Daniel enviou demos incompletos para 5 editoras Alemãs de renome no panorama da música electrónica, sendo que três delas, mostraram-se interessadas em gravar Daniel. Desde 2002, Daniel já lançou mais de 10 Eps, incluindo-se o cd “Somewhere In The Suburbs”. Em 2007 é editado o seu primeiro álbum “Midnight Black Indulgence”. Neste momento vive em Berlim. Neste álbum encontramos, a incorporação de instrumentos clássicos, vocalizações, found sounds, sons mais funk, e sons jazzy (“For me Jazz means a loseness and a feeling that can only be created by humans. It is the anti-machine. Even if it is sampled, it is usually for the quality of a magical moment that can't be graphed with 0-127 on time-code”), algo que revela uma séria influencia na música de Daniel, temos inclusive o muy sexy e muito adorado pelo que me toca, “You Gotta Sing”, que é na realidade um tema totalmente jazz, um tema perfeito para quem quer gingar sentado.
Resumindo: Tive uma pena enorme de ter sacado este cd.