segunda-feira, dezembro 29, 2008

O centésimo parto foi difícil e foi longo, mas já foi…


The Proxy - Raven

Começa com sons estridentes, assassinos, sombrios, daquele sons que me faz vir à cabeça imagens de uma faca a cortar algo º(certamente produto dos poucos filmes de horror vi e que tenho terror a ver, mas os sons ficam sempre). Depois, vem a batida, mais minimal do que electro. De seguida, entram em acção os graves, repetidos até à exaustão, e a experenciarem variações em termos de distorção e ressonância que chegam até agudos, capazes de arrebentar com um vidro, ou até com os meus tímpanos. A potência dos sons vai aumentando, até que a música acaba num fade out prolongado. Intercalando estes sons aparecem os viciantes heys, que são uma espécie de incentivo para o aumento de potencia dos outros sons, que é uma espécie de incentivo para que nós dancemos mais, e que facilitam que os sons se apoderem na nossa cabeça e nos levem à loucura. Bem é a minha descrição para esta música.
Raven dos The Proxy, é uma daquelas músicas que está em grande e que provavelmente alguns de vós já a devem ter ouvido. Acho mesmo que uma pessoa que se mete a ouvir o set de um Dj qualquer ou mesmo um não qualquer, já deve ter ouvido esta música. Eu pelo menos tento me fartar de ouvir Djs quaisquer ou não quaisquer e tenho a ideia familiar de ter ouvido esta música um montão e vezes. E o provável é que já tenha ouvido a música um montão de vezes. Mas só agora a comecei a identificar. Tu és a Raven, e os teus pais são os The Proxy.
The Proxy, chama-se Zhenya, tem 24 anos, e poderíamos dizer que é surpreendentemente, tendo em conta a sonoridade, russo, mais propriamente de Moscovo. Será o que se chama, um produto da globalização musical, que muito deve à Internet. Facto comprovado, ao lermos as respostas de The Proxy, em entrevista a um blog, respondendo em relação à pergunta, “como é a cena moscovita na actualidade?”, que não faz a mínima, e umas respostas mais à frente avança com um esclarecedor: “ I think if it wasn’t for the Internet, there wouldn’t have been Proxy.”. Começou a produzir musica em 2000, mas só a 19 de Setembro de 2006, Tiga o dono da Turbo Recordings, a editora que neste momento lança os trabalhos de The Proxy, ouve o trabalho do rapaz. O também canadiano Thomas Von Party, descobre The Proxy via myspace, via a música “Destroy”, depois, foi um instante até chegar a Tiga, e depois os contactos entre The Proxy e Tiga são encetados via net.
Já após a edição de alguns Eps, em 2008, saiu o Ep “Raven”, e pensa-se que The Proxy, já está a trabalhar na construção do seu primeiro álbum.

www.myspace.com/useproxy

quarta-feira, dezembro 10, 2008

E comecei num domingo... o problema, é que não foi no que agora passou

Yacht – See a Penny (Pick It Up)
Yacht – Summer Song


Yacht. Este é o nome de uma banda, que muita gente não conhece, mas que muita gente vai conhecendo.
Coimbra, não é uma cidade que tenha muitos concertos, e muito menos de bandas que consigam atrair multidões, às vezes, lã vem uma ou outra. Mas mesmo esta condição de cidade subalterna, em relação à condição de não ter massas quer de pessoas quer de dinheiro, tem algumas vantagens. Se calhar, se tivesse em Lisboa, ou no Porto, talvez não tivesse ido ver os Yacht, aliás, até podia, mas reconheçamos, deveria haver também alternativas muito boas, e a probabilidade de os ver, não era tão grande, embora não fosse nula, até porque, tudo o que vem cá, seja conhecido, ou desconhecido, até pelas limitações acima referidas, vem com um certo critério. E então é assim que se passa em Coimbra. Amigos meus, muito mais informados do que eu, e muito mais relacionados, com o que se passa na cidade, dizem-me que banda x ou y, vai estar na cidade no dia tal. Um gajo chega a casa, saca (porque um gajo não conhece tanto como o pessoal relacionado, e informado, porque senão, um gajo pertencia a esses subgrupos), e ouve, e decide-se a ir ver o concerto. Manda sms, e ninguém está disposto a sair a um Domingo à noite. Não há problema, o cd sacado, convenceu-me o suficiente, para ir ao concerto na mesma. Chega-se à via, às 1 e 15 minutos, hora a que o concerto, já devia ir com 15 minutos, mas felizmente, ia somente com -20 minutos. Na Via, estariam umas 40 e tal pessoas. Olha-se para a mesa dos souvenirs, e fala-se com o rapaz, que está sentado no chão, ao pé da mesa. “2 Pins, is 1 euro, right?” “Yeah”, “Alright”. Vou ao bolso, e saco de 2 euros, e pergunto “Do you have change?”. O rapaz, tira o dinheiro da carteira, e também só tinha moedas de 2 euros, e simpaticamente diz, “You can have it for free”. E eu satisfeito, aceito, até porque se ele tivesse demorado na oferta mais uns 3 segundos, eu tinha sacado da minha nota de 5. Encosto-me na parede à espera, e passado uns 10 minutos, lá está o simpático rapaz, e uma rapariga com um estilo e uma descontracção desconcertante, atrás da mesa de DJ, ambos munidos das bebidas que foram buscar ao bar. Hoje em dia, o mais importante, num concerto, para ser sincero, já nem acho que seja a música. É claro, que eu não consigo, (mas se calhar até consigo) estar num espectáculo em que não goste minimamente da música. Com os Yacht não havia esse problema, eu não amava a música, mas tinha-me caído no goto, no entanto os outros factores, foram claramente superados. Hoje em dia o espectáculo é muito importante (já o mesmo se tinha passado com as Coco Rosie, cujo a música eu gosto menos do que a dos Yacht, mas que dão um espectáculo agradável), e este duo, sabe dar um espectáculo, o que até é fácil quando se tem uma loucura intrínseca bastante saudável. Eu, aliás, durante o concerto, já estava a tentar encontra uma palavra que no final conseguisse resumir o concerto, e a palavra que desde o primeiro som até ao último me invadiu a cabeça, foi a palavra pitoresco. Era fácil de adivinhar, que este era um concerto com capacidade de surpreender, afinal este duo, é editado pela DFA Records, e se há uma coisa a que esta editora nos habituou, é a não promover música de estilo muito marcado, e muito homogéneo. Os elementos nas músicas dos Yacht, são tão ricos e tão diversos, os estilos, são tão diversos, que um resumo do tipo é uma banda de música electrónica, é demasiado resumido. Acho que se poderia definir como uma banda de electrónica com muitos afins. Afinal até uma música a roçar o Heavy Metal, eles têm. O concerto, era anunciado como o de apresentação do “Summer Song Ep”, mas o tempo era tão de Inverno, que eles preferiram e bem focalizar-se no cd “I believe in you. Your Magic is real”, no entanto a fantástica “Summer Song” não faltou, para nos aquecer a alma. A primeira coisa que a vocalista disse foi exactamente que estava cold. Ao que uma rapariga com ar de inglesa, gritou que estava hot, ao que a vocalista contrapôs que estava cold, e a rapariga foi para o vice-versa. Vamos ser factuais. Para uma rapariga gira de Portland, estava obviamente frio, já para uma rapariga inglesa, os 4 a5 ºC, eram obviamente calor, ou melhor ameno, ou se calhar, se eu me deixar de ser um estúpido irónico como um raio, ela estava simplesmente à espera de um grande concerto.
Primeira surpresa, para mim. Não havia, digamos, um Dj. Eles controlavam o início e o fim da música, e de vez em quando, lá mexiam no computador, mas em principio já estava tudo programado, sendo que eles comportavam-se como 2 MCs. Segunda surpresa, os gajos eram uns malucos do caraças, metem-se em cima da zona do palanque onde está a mesa de mistura e definem a sua zona de acção, a zona da mesa, e um espaço num raio de 2 metros, que está exactamente 2 metros abaixo em termos de altura em relação à zona da mesa de mistura. O rapaz, mete-se a balouçar o micro, como se fosse umas hélices de helicóptero mas na vertical, numa atitude muito rock and roll, a rapariga deita-se em cima da zona da mesa de pernas para o ar, a dançar e a fazer movimentos tipo bicicleta, numa atitude muito sensual. O rapaz salta cá para baixo, e mesmo à frente do público, dança e canta desenfreadamente, sempre na sua atitude rock and roll. Na segunda musica o papel inverte-se e é a rapariga que passa cá para baixo e canta e dança desenfreadamente numa atitude muito rock and roll (e eu que pensava que estava num concerto de música electrónica!). Como me dizia uma vez um colega, nas raparigas do rock, o que mais conta é atitude, e esta, tinha tanta atitude como o rapaz. Eram uns verdadeiros malucos (O rapaz inclusive dançou lá a sua adaptação da Marcarena).
Por volta do final da segunda música, o som acaba, e o pessoal começa a aplaudir, eles mandam-nos calar, de repente vê-se uma espécie de raio preto em fundo vermelho no ecrã (acho que era isto), e o som de um vidro a estilhaçar, isto, podiam ser eles a dizer que já tinham partido a louça toda. Este era o indicativo que usavam quando a música acabava, e era a permissão deles, para que nós aplaudíssemos. Ou seja temos aqui a 3ª surpresa, todas as música, tinham um som final que nos dizia, “já partimos esta merda toda”.
De seguida metem-se os 2 de pé na zona da mesa de mistura. Apresentam-se, no ecrã, aparece o mapa do mundo, primeiro a preto e branco, depois, em imagem tipo satélite. Apontam onde estão, Coimbra, apontam onde vieram, dizem que o Canadá é em cima, o México em baixo, mostram que Portland é perto de Washington, mostram o prédio onde moram, e passam muito rapidamente a morada deles, dizendo que quem quisesse que aproveitasse para registar com a maquina fotográfica. Tiveram azar, o meu telemóvel tinha acabado de registar imagens e nesse preciso momento estava a recolher ao bolso.








Retomam o concerto, na 3ª música, mais um número de surpresa. O Vocalista como que possuído, dança e de repente tira os sapatos e faz como que um reza e ajoelha-se perante os todos poderosos sapatos. Quarta música, pede para que nos aproximemos dele. Sinto agora que escrevo, que se o concerto não tivesse sido a um domingo, e se tivesse adquirido a loucura que potencialmente tinha, poderíamos ter acabado o concerto a dançar ao lado deste pessoal, enquanto eles cantavam. Afinal a electrónica já se estava a apoderar de todos os corpos. Entre a canção x e a y, já não ligava muito a ordens, e acho que mesmo as que vos relato em cima estão a descurar de precisão, a rapariga diz no micro se alguém quer o seu Whisky, e perante o silencio, coloca-o em cima do palanque, para que alguém se quisesse que o fosse buscar. Enquanto bebia o meu, fiquei a pensar que podia ter poupado algum dinheiro, e registei o bom gosto e a simpatia. A verdade é que não prestei propriamente atenção a ver se alguém durante o concerto o foi lá buscar, afinal, o concerto estava muito bom.
Durante este relato, dei o realce, mas não objectivei, o bom humor deles. Mas objectivo agora, ambos têm imensa piada, e durante o concerto, era impossível, um gajo não esboçar um sorriso, ou com as imagens que passavam atrás deles, ou com as coreografias, quer humorísticas, quer de dança mais séria e maluca, ou claro está, com o que eles diziam. O concerto, foi se desenrolando, cada vez com mais ritmo com mais cadencia, e sempre com dialogo entre eles e o publico. Na música que eles disseram que era a ultima, disseram que tinha estado no Porto e em Lisboa, mas que em Coimbra, é que era, e que era Domingo, e que estava frio e que estava a chover. Ou seja a conversa de sempre, que nos nunca saberemos se será verdade, e em que à partida dizemos, “ok! é conversa”, mas gostávamos que fosse verdade (quer dizer a parte do domingo, da chuva, do frio, era comprovadamente verdadeiro). Nessa mesma ultima música, a solarenga “Summer Song”, eles disseram que tinham tocado num comando qualquer, e que o som tinha ido a baixo e que portanto tinham que repetir a música desde o início. Era daquelas tretas que podiam ter feito durante a noite inteira que eu não me importava. Acaba o som e o rapaz diz “It’s Over”,eu grito “Are You Sure?” (a excitação comigo, dá para a estupidez) e passado um minuto, o pessoal começa a gritar “Play Some More” o rapaz passa o som de “Women of World”, a rapariga que já estava na pista de dança a dançar, enquanto o rapaz já grita à Heavy Metal vai buscar o micro e também ela grita, as pessoas já estão fora de si, e abanam o pequeno António Freitas que têm dentro de si. O concerto acaba com as pessoas aos saltos e sedentas de mais. Afinal o concerto teve um pouco mais de uma hora, o que soube a muito pouco. Eles ripostam dizendo que vão passar uma música do seu i-tunes, e assim o fazem (eu destaco-a mais abaixo). Enquanto isso eles saem e vão lá fora, quem sabe, arrefecer. Quando voltam vão para os Souvenirs, olho vejo o pessoal a aglomerar, olho para as t-shirts com interesse, mas o meu gosto pelo concerto, faz-me pensar no cd, o cd que tinha sacado há poucos dias. Avanço, vejo o pessoa do Vinyl a pedir autógrafos nos vinis que vão comprar. Um gajo na fila pergunta-me o que vou comprar. Quando lhe digo cd, tenta-me convencer do vinyl. “Dura mais, etc…”, Não sei se é verdade, mas um vinyl só posso ouvir ao fim de semana, e fiquei com vontade de ouvir Yacht mais vezes. Pergunto se também assinam cds, respondem afirmativamente, o rapaz senta-se, começa a fazer desenhos, a escrever frases, a assinar, passa a rapariga que também assina e passa-me o cd. Agora é a minha vez de surpreender (pelo menos para quem conhece esta minha antipatia de pessoa), agradeço com um “thanks” a cada um e dou-lhes um “passou bem” a cada um. Não sei se é propriamente o tipo de cumprimento mais aconselhável como protocolo social no rock, mas que se foda a mim soube-me maravilhosamente bem “o passou bem” e ouvir um “your welcome”.
Os Yacht, são na realidade o Yacht, já que é somente Jona Bechtolt, que constitui o projecto. Esta é aliás só mais uma face deste músico e artista multimédia de Portland. Começou a tocar punk numa banda com o irmão mas a meio dos anos 90, virou-se para a electrónica. Junta-se a Khaela Maricich e forma os The Blow. Em 2003, Jona inicia o projecto Yacht, e até ao álbum aqui destacado, “I Believe In You. Your Magic Is Real” (2007) foram lançados outros 2 álbuns, “Super Warren MMIV” (2003) e “Mega” (2004). Em “I Believe In You. Your Magic Is Real”, há tal como em todos os outros álbuns colaborações, neste, em mais de metades das músicas, tem a colaboração de Claire L. Evans (a rapariga que actuou com ele em Coimbra). A primeira apresentação do álbum deu-se, como não poderia deixar de ser, a bordo dum Yacht. O último trabalho a sair cá para fora foi o Ep “Summer Song”, durante este ano, e pela primeira vez pela DFA Records e que penso também, que conta com a colaboração de Claire L. Evans, agora já como membro integrante da banda (e o penso deve-se exactamente a este ultimo aspecto, já que sobre a colaboração, não há dúvidas).











Um agradecimento a ambos pelos abraços e pelos beijos, (penso que é o que significa o XOXO) e já agora para acabar em rima, Yes We Can, but if I was an american I would vote for John McCain (não percebo como é que ninguém usou uma frase destas durante a campanha)



YUE festival @ zhong shan park OCT 5,2007





No. 3 YACHT - "See a Penny Pick it up"





Yacht - Live at Bud Light Lime Event







YACHT







YACHT "summer song"Live at MIDI FESTIVAL French Riviera







Yacht live in Tokyo






PS: Desculpas óbvias, pela extensão e excitação que o texto aparentemente demonstra. É que grande parte foi escrita às 4 da manha da noite do concerto










G-Spot Boyz – New Stanky Legg

Este foi o grupo e música que eles passaram. Eu que não sou grande fã de Hip-Hop, aproveitei inclusive, para ir mijar à casa de banho, mas acho que se os rapazes se deram ao trabalho de divulgar estes texanos, não me custa nada ajudar à minha forma. E se todos ajudarmos um bocadinho… E é certo que a minha ajuda é só mesmo um bocadinho.
O primeiro ponto a apontar, passe a redundância, é o nome dos rapazes, que faz logo deles, rapazes humildes. Outro seria que para este orelhudo “single”, eles abriram um concurso para pessoas criarem a dança para esta música, e os melhores, irão aparecer depois no Videoclip, se alguém achar que tem ginga…
Mais que isto, não sei, não encontrei. Mas pronto. Há uns rappers texanos chamados G-Spot Boyz (já vos falei, de como o nome revela humildade???).


http://www.myspace.com/themgspotboyz