Depois de “uma manhã bem trabalhada” a ideia era partir no inicio da tarde e iniciar a viagem até Paredes de Coura. Mas como já tinha dito no primeiro capítulo deste post (se é que se pode pôr as coisas neste “formato”) as coisas planeadas para um festival raramente correm como o planeado. E assim o inicio da tarde transformou-se em meio da tarde. Já sabia que à partida não iria ver os concertos todos. Mas os meus principais objectivos para esta noite pareciam-me mais ou menos assegurados: Warpaint, Blonde Redhead e Delorean. Aliás na viagem fui a fazer uma “preview” de Blonde Redhead e de Delorean. Como sabia que não iria assistir a muitos concertos não me dei ao trabalho de conhecer o que iria perder. Se o fizesse provavelmente iria querer ver Esban & The Witchies. Para além destes também iria ver os “tugas” We Trust. E sim, sou um daqueles gajos que conseguem ir ver um concerto por intermédio de uma só música. Só conheço “Time”, mas acho que é o suficiente para aguçar a curiosidade para conhecer o resto, e muitas vezes faço esse conhecimento por meio de concertos.
Mas esquecendo estes “ses” as armas estavam apontadas para as Warpaint. Mas mesmo este tiro foi ligeiramente ao lado. Uma pessoa até chegou a tempo delas mas no final de contas, estacionamento, arrumar coisas, montar tenda, comprar bilhete e um fino, e estás a assistir ao final do concerto delas. Nestes “entretantos” até consegues ouvir grande parte do concerto mas como é óbvio não é a mesma coisa. “Undertow” ainda me fez aparecer um sorriso na cara e abanar as ancas enquanto montava a tenda. Para isso contei com a ajuda de umas simpáticas e demasiado joviais vizinhas que se ofereceram para me ajudar e que eu aceitei relutantemente porque não as queria privar de algo que queria tanto ver como as Warpaint. Ainda me consigo alegrar com pequenas coisas. E uma destas jovens proporcionou-me uma dessas pequenas alegrias. Para quem está a pensar em algo que eu consideraria definitivamente interessante, relembro que é uma pequena alegria. Nas finas paredes da minha tenda ouvi ela responder no dia da minha chegada às colegas que a tenda que ali estava era de um rapazito (yesss! Sim! Sofro e muito do complexo de Peter Pan) e depois noutro dia a falar com a mãe a queixar-se de que as pessoas eram mal-educadas que colocavam a tendas em todo lado sem pedir licença mas realçou como excepção um rapazito que tinha chegado “ontem à noite”. Alegro-me mesmo com pouca coisa. Do muito que ouvi ao longe e do pouco que ouvi ao perto pareceu-me um bom concerto que terei que esperar para voltar a ouvir e desta vez como deve de ser.
Depois vieram os Blonde Redhead, que para mim deram o concerto do dia. Foi a segunda vez que os vi e voltei a não ficar desiludido. São super competentes, os 3 têm uma grande química em palco, a Kazu tem uma presença em palco fantástica e sente a sua música como ninguém. O público esteve quase sempre num transe silencioso. O “Blitz” diz na sua crónica que os aplausos finais foram proporcionalmente muito superiores aos verificados durante o concerto. Também reparei nisso. No final parecia que a maioria queria um encore. Talvez se tenha devido a ter sido um concerto em crescendo. Da minha parte foi um aplauso constante. Gostei imenso deste concerto. Também queria encore mas este foi o primeiro concerto em que percebi que este seria um festival sem encores. O concerto andou muito à volta de “23” o que se percebe visto que é o melhor e mais aceitado álbum deles. Do último álbum só me recordo da primeira música o que é uma opção inteligente visto o ultimo álbum não ser um álbum facilmente assimilável e não estando num concerto próprio arriscavam-se a não ter os aplausos finais que tiveram.
Depois vieram os Pulp que eram sem dúvida nenhuma a maior atracão para a maioria das pessoas. Inicialmente irritaram-me bastante com o pano colocado à frente do palco onde eram projectadas frases pré-concebidas e que nos levavam a um grande “finale” onde perguntavam se queríamos ver os Pulp? Claro que não, eu estava ali para ver se os Blonde Redhead davam sempre o encore. Aquelas frases até se toleram inicialmente mas depois quando se repete outra e outra vez e passam minutos e minutos tu já não consegues ver aquilo à tua frente sem mandar cá para fora um “fodasse outra vez”. Sinceramente preferia vê-los directamente a montarem o palco a ter que estar tanto tempo a assistir a algo que funciona como um pré-espectáculo que tem como objectivo aumentar a excitação das pessoas para que entrem no concerto com a pica toda. Este tipo de coisas funciona como no “Teasing” normal de uma relação entre um rapaz e uma rapariga. É muito, mas mesmo muito bom, mas convém que não seja excessivo de modo a que uma das partes não pense que as coisas não vão passar dali. Mas o que mais me irritou neste primeiro dia nem foi isto, nem foi o meu atraso, foi o gajo que esteve com um laser verde a perseguir quem se mexia no palco. E o Jarvis foi a vítima mais óbvia. Duvido que esse sujeito me leia (tenho uma audiência ridiculamente pequena) mas se ele lesse gostava que ele lesse estas palavras: OLHA! ESSA MERDA NÃO TEM GRAÇA NENHUMA, MAS MESMO NENHUMA, E É RIDICULO SE PENSAS QUE ISSO TEM GRAÇA. PS: JÁ ESTÁ NA HORA DE CRESCERES NÃO?. Quanto ao concerto foi bom, diverti-me, o Jarvis é um grande enterteiner. Todas as músicas dos pulp dão para estar ali feliz a catarolar.e são muito orelhudas. O Jarvis está muito bem em palco e tem uma excelente interacção com o público. E tenho a certeza que se fosse um grande fã dos Pulp teria sido o concerto que mais teria gostado naquele dia. Mas não sou. E ainda para mais quando eles não tocam a minha música preferida deles: “Undewear”. Foi quase cómico quando o Jarvis perguntou se as pessoas sabiam qual era a música que vinha a seguir e toda a gente respondeu a uma só voz “Common People” e eu lá do baixo da minha insignificância “Undewear”. Claro que era “Common People”, só podia ser “Common People”. E foi um grande momento, conseguiu meter todo um anfiteatro a saltar. Eu pensei: Ok “Underwaer” fica para o encore. E continuo a pensar nisso. Mas no global foi concerto giro de se assistir.
Dirigi-me quase a correr para os Delorean (é uma das minhas bandas preferidas). No entanto já tolhido pelo andar da noite e também devido a ser a primeira noite não tomei o caminho certo o que me fez andar às voltas e fez com que não conseguisse estar mesmo à frente no secundário. Tentei avançar, avançar mas estava muito denso. Gostei. Gostei particularmente de “Seasun”. Mas se estivesse lá à frente… tinha adorado tudo do inicio ao fim. Neste caso achei o som muito baixinho mais cá para trás. E na música dos Delorean sentir todos os pequenos elementos da música é vital. A noite finalizou com Riva Starr. Foi mais um Dj. Divertiu mas não acrescentou nada de especial à minha vida