quinta-feira, maio 29, 2008

Perante os meus erros de julgamento, me penetencio

The Johnwaynes – Muzzle (glow in the dark mix)

Há uns meses atrás, quando uma colega minha fez anos, decidiu-se ir passar grande parte da noite no “Delight”. O irmão de um dos presentes ia lá actuar nessa noite. Ouvi, dancei um bocado, e disse ao irmão, que era um som que se ouvia mas que não gostava muito, disse-lhe que era demasiado “housy”. Hoje, ouço, e com muito gosto, a dupla de Aveiro, The Johnwaynes, e a sua musica mais conhecida, “Muzzle”. Para quem costuma ouvir, o programa da antena 3, “Antena 3 Dance Club”; penso que é este o nome do programa, com certeza, que já ouviu esta música. Eu sempre que ouvi o programa esta música passou. Provavelmente muitos de vós, nunca ouviram o programa, o que é natural tendo em conta o horário, das 2 às 3 da manha, que não é o mais convidativo, mas se alguns de vós, estiver acordado a essa hora, ouçam-no, já que é um (dos poucos) programa(s) que dá destaque à musica electrónica portuguesa. Este introdutório todo, para dizer, que o tal rapaz que eu ouvi nesse dia, e que me fez pensar que teria sido muito melhor ir para a “Via” ouvir Jeff Samuels, é um dos Johnwaynes, e a musica que aqui destaco, por acaso, até foi uma daquelas, que eu me lembro que passou. Este meu erro de julgamento, deixa-me chateado, mas eu mentalmente já me estou a tentar amenizar, pensando que se fosse a dupla a actuar, eu teria gostado mais, e que os The Johnwaynes, embora ainda house (mas muito deep), são mais agressivos do que o Jepe a solo (no entanto, acho ainda, que se fosse ouvir o Jeff Samuels me iria divertir mais). O que também pode ter acontecido (e após a amostra de The Johnwaynes, e as actuações destes ao vivo, é o que me parece mais provavel), foi a adaptação que um bom Dj tem que fazer à casa onde actua, e o “Delight”, é claramente uma casa, onde se abana a anca, mas não muito, porque podes acertar noutra pessoa!!!
Muzzle (glow dark mix), é uma daquelas músicas com um som que tem o condão de ser super irritante, e que nunca te sai da cabeça, o que equivale a dizer que é uma música, que nasceu, para morrer nas pistas de dança. Portanto, não é admirar, que estes rapazes estejam já a ter som editado na Compost Records.
Estes rapazes, são de Aveiro, e são Jepe, dj desde 95, e residente na “Estação da Luz” aos sábados; e MrBeat (António Bastos), musico, que foi ao longo da vida, aprendendo jazz, percussão, e electrónica. Este último, tem um estúdio, onde já produziu os trabalhos de muitos projectos da música portuguesa. Formaram-se há 3 anos, na altura, para remisturar um tema dos “Loto”. Estrearam-se em gravações, e editaram pela Bloop, o 12 polegadas “Stand Alone”. Lançaram recentemente o Ep “Retouch” pela Brique Rouge. O 12 polegadas “Muzzle” foi editado pela Black Label da Compost Records.

http://www.myspace.com/johnwaynesmusic, http://www.myspace.com/blooprecordings, http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewpro...

quarta-feira, maio 21, 2008

Mais "spoon", do que na queima

Spoon – Don’t You Evah
Spoon – The Ghost Of You Linggers

Os Spoon, que são para mim uns magos do indie rock, voltaram em 2007, com “Ga Ga Ga Ga Ga”. O single “Don’t You Evah”, que já ouvi há alguns meses, é a música ideal para hino de verão. É daquelas, que ficam no ouvido, ou seja mais pop que isto não há (já agora, as remisturas da musica também são muito boas).
Ao consultar o myspace da banda, fiquei com a vontade de comprar o cd, que tem criticas muito favoráveis (e o dia da criança aproxima-se, Yupii!!), “The Ghost Of You Lingers” é outra pérola que aguça o meu apetite. Depois de “Don’t You Evah”, será que pode ficar mais perfeito?
Os Spoon, são de Austin, Texas e nasceram em 94, pela colaboração de Britt Daniel (guitarra e voz) e Jim Eno (bateria), e mais elementos rotatórios. Em 96, sai o primeiro disco, “Telephono”, que lhes valem comparações com os Sonic Youth, Pixies, The Wire. Daí para cá já apareceram mais 5 álbuns: A Séries Of Sneaks (1998); “Girls Can Tell” (2001, um dos mais emblemáticos, e o primeiro pela editora Merge, editora com que assinaram em 2000, e que se mantém como a actual); “Kill The Moonlight” (2002); “Gimme Fiction” (2005); e o já citado “ Ga Ga Ga Ga Ga”.


http://www.myspace.com/spoon

quarta-feira, maio 14, 2008

O rock, o pop e a amiga.

Black Lips – Not a Problem

Uma coisa, que eu costumo fazer quando saio à noite, é observar a forma como as pessoas dançam (noite africana na via, é algo de delicioso). Em relação ao rock, já elaborei uma teoria, uma teoria que pode ser muito fraca, porque afinal, quando saio à noite não observo assim tanto, mas que outro dia, me passou pela cabeça. È o seguinte. Em relação ao rock, uma pessoa abana sempre a cabecita, mas o resto do corpo, é que nos diz se na verdade, uma pessoa está a gostar ou não. Ou seja passa uma pessoa está a abanar a cabeça, mas o resto do corpo executa movimentos certos, uniformes, tipo a dança que se executava no rock dos anos 60 e inicio dos anos 70, está a gostar do que está a ouvir, mas não está a adorar. Já aqueles, que também abanam a cabecita, mas que estão com movimentos corporais descompensados, que parecem cambalear, e a que cada movimento lateral, ou salto, parecem que vão sempre cair, tipo gajos ébrios (mais de metade das pessoas que observei, estavam bêbadas, mas eu por exemplo não estava (ou parecia não estar) e ao dançar, sentia-me que nem um ébrio), esse tipo de gajos estão adorar, aliás eles estão a delirar com a música, aliás estão a delirar tanto que até perecem ébrios. Ou seja, há musicas que criam este tipo de efeitos nas pessoas, com “Not a Problem” não me parece que haja problema (desculpem, seria mais indicado a palavra dificuldade, mas toda a gente percebeu) em atingir tal estado.
Os Black Lips estiveram recentemente, por 2 vezes em Portugal. A quem os viu, digo-vos já, que vos invejo. Isto porque a primeira vez que ouvi “Not a Problem” foi no cd “Los Valientes Del Mundo Nuevo”, um cd ao vivo em Tijuana, México. Ok, com certeza que em Portugal, não há o deboche que há em Tijuana, e a banda de abertura não foi uma banda de Mariachis, e provavelmente não estariam prostitutas em actos lascivos durante a actuação (mas já não meto as mãos no fogo). Com certeza que tal como as descrições de Tijuana relatam, em Portugal, também deve ter existido uma audiência bêbada, que enrolava charros, e todos os presentes que se lembram do evento, tiveram uma boa noite (aliás ficava desiludido, se não se cumprisse os serviços mínimos em relação a Tijuana).
Os Black Lips, são uma banda rock, com um certo travo a punk, nascida em Atlanta, que após o nascimento em 2000 (ainda teenagers), cedo criaram a reputação de banda agreste.
Eles são: Cole Alexander (vocalista e guitarrista e harmonica), Bem Eberbaugh (Guitarrista), Jared Swilley (baixo), Joe Bradley (baterista). Depois de lançado o segundo single, e após muito pouco controlo, os Black Lips foram proibidos de actuar em vários sítios de Georgia (USA, of course). Afinal os shows ao vivo, incluem urinar, vomitar, nudez, beijos entre membros da banda, fogo de artificio e galinhas (it’s Rock & Roll). Em 2002 finalizam o primeiro álbum, e pouco depois, o guitarrista Eberbaugh morre num acidente de viação. Foi substituído por Jack Hines (uma amigo da banda).
Em 2003, sai “Black Lips”, depois em 2004, “We Did Not Know The Forest Spirit Made The Flowers Grow; 2005, “Let It Bloom” (onde estava originalmente “Not a Problem”) e também o album ao vivo “Live @ WFMU; 2007 trás-nos o cd ao vivo já referido e também o ultimo álbum “Good Bad Not Evil”.

http://www.myspace.com/theblacklips, http://www.intheredrecords.com/pages/blacklips.html



The Zebras – Fine Lines

Fine Lines, é das músicas que eu neste momento mais gosto de ouvir, ando a ouvir, a ouvir, a ouvir… “It’s a Fine Line you are giving me because it’s one, two three”, “It’s a Fine Line you are giving me, you can see for yourself”, ou qualquer coisa do género (o certo é que se eu tivesse este tipo de “lines”, escusava de andar a fazer exploração de um pirilampo mágico). Esta música que transpire amor, posso mesmo dizer que é neste momento, uma das minhas preferidas.
È uma preciosidade pop, que se pode encontrar no primeiro disco dos The Zebras.
Eles são uma banda australiana, de Brisbane. São, Max Budan (bateria), Jeremy Cole (guitarra e voz), Edwina Ewins (baixo e voiz), Leon Dufficy (guitarra) e Greg Brady (guitarra e voz). Têm como referencias, os conterrâneos The Go-Betweens (uma banda maravilhosa. Mas também os Lambchop e os Teenage Funclub. Já andam aqui desde 2001 e o primeiro álbum de titulo homónimo saiu em 2004. O ultimo cd de 2006 é “Worry a Lot” (e contem a brutal musica aqui destacada).

http://www.myspace.com/ilikezebras, http://www.lostandlonesome.com.au/



Emma Pollock – The Optmist

Uma musica verdadeiramente triste, e que neste momento é-me uma luva. Emma Pollock procura alguém optimista, alguém que a ajude a perceber que: “As long as I'm upright, I'll try to prolong/ The notion that future events must go on/ No matter the turn out is right or is wrong”. Os 5 minutos de prantos, e de uma procura incessante em largar o pessimista, estão presentes no álbum de estreia de Emma Pollock, “Watch The Fireworks” (2007 pela 4AD Records).
Esta escocesa assinou pela 4AD e começou a trabalhar a solo, após a desmantelação da significante banda escocesa “The Delgados”. Mas mesmo a solo, a separação não foi completa, afinal na concepção deste álbum contou com os ex Delgados, Paul Savage (baterista e marido), Jamie Savage (teclas) e o baixista dos Aereogramme, Campbell McNeil. Esta forte presença faz com que os fãs do “dreamy pop” dos “The Delgados” não fiquem desiludidos com o som que Emma apresenta a solo.

sexta-feira, maio 09, 2008

Quem brinca com o fogo, queima-se

Bernardo Sassetti – “Alice”

Há quem esteja algo deprimido e ouça música alegre, só para contrariar. Há quem ouça música deprimente só para pisar. Eu sou mais o segundo caso. E neste caso, a banda sonora do filme “Alice”, é um bom exemplo. Afinal é a banda sonora de um filme, em que o pai, passa o filme, numa obcecante procura pela filha. O cenário está montado, as ruas de Lisboa, parecem sempre frias, afinal a pequena Alice está perdida, o tempo (pelo que me recordo, já vi o filme há algum tempo) está sempre escuro, com tendência para a chuva, a luminosidade não é exigida. A música é triste, é adequada. È adequada, para quem perde algo, neste caso uma filha, no meu caso, algo que é psicologicamente intrínseco num ser, a dignidade. Bem sei que não há comparação, mas uma perda, é sempre uma perda.
Bernardo Sassetti nasceu em Lisboa em 1970, e é um compositor e pianista. Aos 9 anos começa os seus estudos musicais. Bernardo dedicou-se ao Jazz e em 87 começa a dar os primeiros concertos. Nos primeiros 15 anos de carreira, apresenta-se integrado na United Nations Orchestra e no quinteto de Guy Barker com o qual gravou “Into The Blue”, nomeado para os Mercury Prize em 1995. Em 97, saiu “What Love Is”.
Depois começou a lançar cds a “solo”
“Salleti” (1994), “Nocturno” (2002), “Ascent” (2005), “Unreal: Sidewalk Cartoon” (2006), mas também, “Indigo”, “Livre”, “Grândolas – Seis Canções e Dois Pianos nos Trinta Anos de Abril” (com Mário Langinha), “Duvida” e claro está, a magnifica banda sonora, do magnífico “Alice” (2005).

http://bernardosassetti.com/