Otis Redding - Sittin' On The Dock Of The Bay
Na passada sexta, fui, para vergonha minha, pela primeira vez ao Lux. Cumpriu inabalavelmente as minhas expectativas, apesar do 40º melhor Dj do mundo.No dia seguinte um colega meu vira-se para mim, “O Dj do 2º andar é que é um dj, acabou com “Sittin' On The Dock Of The Bay” o que tem toda a lógica visto estarmos numas docas”. Bem foi mais ou menos isto. Eu penso que nunca tinha ouvido tal música na minha vida (se quiserem atirem um tomate), o que tratou de confirmar a máxima de uma professora minha: “O que não conheces, não vês” (como todas as máximas, esta têm uma data de excepções). Ou seja eu não me lembro de tal música no Lux. E é uma pena, porque agora que já a conheço, poderia ter dito na altura, “olha o Dj está a meter a música para mim, para que eu no final da noite, me vá sentar na doca, a ver barcos a passar, visto nesta noite, estar com um sentimento semelhante ao Otis. No entanto eu não pretenderia fazer das docas a minha casa, apesar de ser uma zona agradável.
Depois também é curioso, há coisas que parecem querer entrar na tua vida. Otis Redding é uma delas. Fiquei eu a conhecer Otis Redding nesse fim-de-semana, inclusive que a referida música pertence a banda sonora, de um filme que, embora se veja, não me deixa nos píncaros; Top Gun, quando me meti a ler o Y dessa sexta, e estava lá um artigo sobre uma cantora soul, que agora não me recordo o nome, que dizia que a referida senhora, a par de Otis e outro sujeito tinham sido grandes figuras da Motown de Detroit, mais uma vez, o que não conheces, não vês.
Otis, uma das figuras mais influentes da soul music, da música negra, nasceu em 1941 e começou a trabalhar na indústria musical nos anos 60, sendo o primeiro álbum, “Pain in My Heart” de 64. Foi sempre um “fazedor” de hits, mas o grande sucesso começou um ano depois da sua morte em 67, quando aos 26 anos, faleceu num acidente de avião, juntamente com a sua banda The Bar-Kays. Esse grande sucesso foi precisamente a musica aqui referida. Outro grande sucesso foi o dueto com Carla Thomas, “Tramp” de 1967. Até 1993, têm sido editados cds com hits e material anteriormente não editado. Eu contei 14 cds, but “Who’s counting”. Entre estes 14, está “The Dock of the Bay” de 68
Depois de ouvir a música, facilmente nesse dia, sempre que me sinta feliz, mandarei o refrão com uma voz quente e de sorriso pendurado na cara: “Sittin’ On The Dock Of The Bay…”, e se estiver mesmo feliz, ainda levam com o assobio.
Já aqui destaquei “Don and Sherri”, pelos Hot Chip, agora ouvi o original, e vou destacá-lo. Provavelmente quando ouvir a M.A.N.D.Y. remix, também a irei destacá-la.Quando destaquei a versão Hot Chip, não sei se falei da letra da música, mas se não falei, falo agora, a letra sou eu, há pessoas que têm ambições desmedidas, e gostavam de ter escrito, músicas que se transformaram em grandes clássicos, eu não, eu gostava de ter escrito o Don na Sherri, se eu escrevesse, poderia ter escrito algo semelhante, se calhar não tão bonito, mas algo que transparecesse o mesmo. Eu gostava de ter escrito o Don and Sherri porque eu sinto-o, eu gostava de ter escrito o Don and Sherri, porque me seria verdadeiro. E é por aqui que eu vou pegar, para dizer melhor da versão Hot Chip em relação ao original. A versão original, é uma pura música de clubes, é dançante, de batida constante, com partes agressivas, é uma música para as 5 da manhã, já a dos Hot Chip é mais 2 da manhã. E para mim a letra é claramente, 2 da manhã, ou até mais cedo, já que é sóbria e logo convém estar sóbrio. Uma música com uma letra tão sentida (nem que seja pela minha parte) merece mais calma, mais beleza, e menos sujidade, mais luminosidade e não a escuridão dos clubes, merece ser cantada com o sentimento dos Hot Chip e não com a voz que raia a indiferença devido ao “monocordismo” (diz que é uma espécie de neologismo) de Matthew Dear.
Então, será que gosto do original???
Opá, adoro, é mesmo boa para dançar, a questão é que para mim, a versão dos Hot Chip (ainda por cima devido à letra), é a minha (ou sem me levar pelo entusiasmo, uma das minhas) música(s) do ano.
Matthew Dear nasceu no Texas, mas cedo se mudou para o Michigan, onde encontrou inspiração no Techno de Detroit. Crio a editora Ghostly International, e lançou o seu primeiro single, “Hands Up For Detriot”. O primeiro álbum foi em 2003 “Leave Luck to Heaven”. Em 2004 “Backstroke”. Já em 2007 lançou aquele que contém “Don and Sherri”, “Asa Breed”. E é assim que se constrói uma carreira sólida no Techno Minimal.
“My name doesn't change very often / But it's never been Don and Sherri”
http://www.matthewdear.com/, www.myspace.com/matthewdear



Aumentando na hipnose mas continuando na Suiça: Crowdpleaser & St Plomb remisturados pelo francês Philippe Quenum. Crowdpleaser é um suíço cujo nome surgiu da crítica do New York Times a um filme americano, o filme era um “crowdpleaser”. Já o suíço St Plomb começou como um baterista de rock e funk antes de “ingressar” nos pratos. Desde 2003 ate agora os dois em conjunto já produziram oito 12 polegadas (sendo que o que nos interessa neste caso é o 2006 remixes II) e um cd de seu nome “2006”.








