Um acordar pesado e um calor super tórrido. Ir à vila foi um suplício só atenuado pela 7’up com gelo num café. Depois abastecimento de comida e líquidos para o resto do festival e mais um regresso num tempo infernal. A tarde foi bem passada na relva como todas as tardes passadas na relva o são. Ao regressar à tenda uma desilusão, as filas para o chuveiro eram enormes e eu tinha uma necessidade de lavar o corpo do transpirado da viagem à vila e das salmonelas dos mergulhos do rio. Vou buscar uns “refrescos”, a toalha e o material de banho à tenda e perante nova visão desoladora decido ir para a tenda de uns colegas alimentar-me e refrescar-me. No final, já os problemas de pressão da água estavam resolvidos bem como as filas, fui então para o meu tão ansiado banho. O problema disto tudo é que um dos concertos que queria ver do dia, e queria bastante, tinha sido perdido. Os mexicanos “Le Butcharettes” estavam na minha lista. O rock visceral deles tinha me despertado curiosidade para os ver, e a curiosidade ainda foi mais apimentada pelos comentários de um colega meu que os foi entrevistar e que também ficou bastante sôfrego para os ver. Enfim perdi-os… e perdi mais uma oportunidade de ver musas do rock & roll as minhas preferidas…
E este bathgate ainda poderia ter sido mais pernicioso porque me levou a perder parte (para ai metade) do concerto dos “Battles” (se fossem os Baths também teria sido pernicioso). Uma chatice. O segundo concerto que mais queria ver do dia. Bem sei que dá para ouvir bastante das músicas na zona das tendas mas estar aos saltinhos pé ante pé enquanto se toma banho não é a minha ideia de um concerto bem passado. E por isso mais um andar em passo muito acelerado para o recinto para “matar o bicho”. Mas a metade que vi foi absolutamente divinal. Diria mesmo que terá sido o melhor concerto de todo o festival (e só vi metade, vale a pena voltar a reforçar). A música deles é completamente surpreendente. Não tinha noção nenhuma de como eles eram ao vivo. Conhecia algumas músicas e pensava que eram rapazes para usar muitos sintetizadores em palco. Para surpresa minha, quase todo aquele som esquizo-electrónico provinha de guitarras distorcidas a reverberar que nem umas doidas e de uma bateria central que ia dando o compasso para o mover dos nossos corpos. Mesmo sabendo que é um show coxo, visto o vocalista ter saído da banda e portanto ser ainda mais instrumental, as poucas vozes presentes via vídeo resolveram bem o assunto equilibrando o alinhamento. Do que vi mesmo frente a frente “Futura” e “Ice Cream” foram deliciosas. No final o publico aplaudiu e assobiou imenso (na minha opinião foi onde se aplaudiu mais) para encore que irá acontecer no Porto em Dezembro e no qual gostaria de estar presente.
Depois veio a banda que mais queria ver os Deerhunter. Para mim uma desilusão, mas se calhar também o foi porque tinha expectativas demasiado elevadas. Segui mesmo para a frente para do palco sem saber que a banda enquanto fazia o checksound (sim eram mesmo eles que o faziam) me preparava uma má surpresa. Ainda consegui ouvir a primeira e a segunda música lá à frente mas à terceira tive que recuar. Estava com medo que os meus tímpanos arrebentassem. Quando imensa gente tem que tapar os ouvidos ou subir as camisolas normalmente quer dizer que o som está muito alto. E na minha opinião estava demasiado. “Halcyon Digest” foi dos meus álbuns preferidos de 2010 e embora o ambiente de festival às vezes o propicie até porque há muita gente que não está ali para os ver eu acredito que se as músicas tivessem sido tocadas de um modo mais calminho e mais baixinho teria resultado bem melhor. No entanto e como era Deerhunter fiquei feliz na mesma, a cantar e a abanar-me em todas as músicas. Sou uma prostituta…
Depois vieram os Kings of Convinience que embora não estivessem alinhados como headliners, o eram na realidade. Não sei se foi por trauma dos Deerhunter ou porque a malta com que estava queria arranjar um bom local no palco secundário, vimos os Kings of Convinience cá mesmo atrás o que baixou o impacto de um concerto que foi tido como um dos melhores de Paredes de Coura. Na minha longínqua visão foram competentes como sempre o são, foram divertidos, simpáticos e conseguiram com as suas músicas alegar toda a gente. A minha preferida foi a de sempre “Toxic Girl”, aquela que sempre se adequou mais à minha triste alma…
Depois vieram a Marina com os seus diamantes e ouviu-se “Oh my god, etc, etc” mas eu não estou para aturar gregos e gregas e fui para o secundário…
Onde iam actuar os super esperados Metronomy. Super porque mesmo com uma pequena antecedência não consegui arranjar uma boa posição no concerto. Isso aliado a um cansaço que me colocou num estado zombie fez com que tivesse adormecido num concerto que também muito queria ver. Era um concerto ideal para o final da tarde. Mas nem isso poderia desejar porque provavelmente os chuveiros me iriam estragar o concerto na mesma. O awakening chegou com “The Look” mas já era demasiado tarde porque o concerto estava para acabar.
Depois os brasileiros Mix Hell. Tinha enorme expectativa e foi um live set muito bom mas que me desiludiu porque estava à espera de mais uso da bateria. Mas as pessoas que não tinham qualquer tipo de expectativa estavam muito contentes com o que viram. E a mulher do Igor Cavalera é qualquer coisa… Não sei porque é que ele largou os Sepultura, porque essa não é normalmente a minha latitude, mas eu largava tudo por ela. Eles em palco eram muito activos pareciam super felizes e estavam a gostar da recepção que estavam a ter o que se traduziu com as imensas fotos e filmagens que a deusa brasileira recordou. Um bom final de noite…