Adiante. Os Crookers vieram finalmente a Portugal (depois do vem, não vem, criou-se um elã que redundou numa histeria (atenção que estou a hiperbolizar) que para os meus ouvidos era incompreensível, mas na verdade, bem na verdade eu também queria ver. Quando acordei olhei para o meu telemóvel e vi uma sms a dizer para ir à Fnac (dos meus colegas era o único que ainda não tinha bilhete), quando lá cheguei, a senhora da Fnac disse-me que estavam esgotados, e eu perguntei retoricamente e tristemente: A sério? (não ela estava a brincar e era para os apanhados, ou então andava a competir com os colegas para ver quem é que pregava mais partidas numa semana, se fosse qualitativo e não quantitativo ela estaria garantida). Lá fui embora e mandei uma sms a dizer que não iria a Lisboa e que se calhar iria com outros colegas mas ao Porto (Steve Aoki que nunca vi, e 2 Many Djs que quero rever e ver sempre que puder). Em resposta um colega disse que estariam bilhetes à venda à porta o que me deixou numa expectativa extremamente positiva. Apanhei boleia com um colega meu que ia nesse dia para Lisboa e fui feliz e à conversa como gosto. Durante a conversa referi que as pessoas da minha profissão eram prostitutas embora factualmente não sejamos prostitutas mas que em atitude seríamos. Quando estava nesta conversa juro que nem me estava a lembrar do muito bom “We are Prostitutes”. Cheguei a Lisboa estive mais um pouco à conversa, fui comendo qualquer coisa e por volta das 23 fui ao Lx com um colega e chegado à porta o segurança que também acho que estava numa competição semanal em quantidade de partidas disse-me que não havia bilhete. Eu mais uma vez fiz uma das minhas estúpidas perguntas retóricas mas agora acrescidas de uma cara triste e a fazer beicinho: Mas não há mesmo mais nenhum? Depressa telefonei para os meus colegas no Porto mas a perspectiva de apanhar o comboio à pressa e depois vir de directa também de comboio deixou-me o suficiente relutante para não ir. Fui para casa de uma colega jantar e ver como era dos comboios ou autocarros para Coimbra. A outra opção era embebedar-me (provavelmente para esquecer os km feitos), apanhar um táxi e ir dormir para casa de um colega. Optei por esta ultima. E enquanto se ouvia Crookers e se jantava eu ia bebendo alguns copos de vinho e depois de vodka. Entretanto falava-se dos Crookers, e eu lá exprimi o meu não grande entusiasmo pelos moços. Acho que eles têm muitas vezes um gosto um bocado duvidoso no tipo de sons que colocam nas suas músicas. Gosto muito no entanto de algumas músicas com destaque para algumas remisturas que eles têm de Funk (Funk da favela claro está), aliás há uma remistura que eles fizeram para a série Funk Mundial que ouvi uma vez e só uma vez, mas vez suficiente para ter vontade de comprar o cd. Às 3 da manhã lá fui para a porta do Lx Factory ver se havia alguém que tivesse um bilhete a mais de modo a evitar a minha fatal viagem de táxi até uma saborosa cama (acho que na altura vinha-me à cabeça aquela expressão: “sabe-me que nem ginjas”). Lá se ia perguntando. O “não” ou o “tens mortalhas?” Eram as respostas mais frequentes. Lá chegou um grupo que me arranjou um bilhete já usado para eu tentar a minha sorte, e por sorte eles voltaram a verificar os bolsos e lá encontraram um bilhete bem amarrotadinho e eu logo perguntei quanto queriam por ele e lá se fez o negócio. Aquele é como um filho adoptivo muito feio mas que é o nosso único e a nossa única esperança e por isso é para nós o filho mais bonito do mundo e como todos os filhos mais bonitos do mundo meteu-me a sorrir largamente. A razão de não terem usado o bilhete foi a razão pela qual eu não consegui bilhete. O espectáculo estava exageradamente cheio (do género quase não te mexias e o tecto era uma nuvem carregada de suor que fazia chover), e portanto se estavas ali pela festa não valia a pena entrares mas se estavas ali pela música já era outra coisa (eu estava pela música e mesmo com uma opinião não muito fantástica dos Crookers, aquele bilhete era demasiado desejado). O inicio dos The Crookers é muito bom com “We Love Animals”, depois lá foram passando algumas músicas que deixaram o público (eu incluído) maluco e no final lá finalizaram com o Day ’N’ Nite que é uma remistura de uma música muito boa e que a manutenção do fio original faz com que seja facilmente um sucesso. Mas em relação à actuação dos crookers, para além da tal duvidosa escolha de sons (quer nas músicas deles quer nas que escolhem remisturar), eles fazem passagens demasiado abruptas, algumas vezes sem conexão e são uns grandes empata fodas, em muitas músicas quando se está quase a chegar ao clímax eles tratam de misturar uma música por cima e recomeça tudo de novo (pensam que se toma viagra e está tudo bem, mas isso pode dar cabo do coração). Como um colega que pensa mais ou menos como eu disse, tentam fazer cenas tipo 2 Many Djs durante a actuação, mas a verdade é que os 2 Many Djs estavam no Porto e são realmente fabulosos e eles não tanto…
No entanto acho que por tudo o que emocionalmente envolveu a noite e apesar da quantidade de pessoas e de algumas cenas que os Crookers fazem, acho que acabou por ser uma noite bem passada.
Enfim… Obrigado Diogo Martins
E à falta de prostitutas tugas com nível no youtube...



