sábado, setembro 26, 2009

Tanto Positif e eu sinto-me tão négatif

Mr. Oizo - Positif

Hoje acordei com o “Positif” a martelar-me a cabeça, almocei, e fui dar uma volta a pé, e lá estava o “Positif” na cabeça.
Ontem á noite saí, em mais uma daquelas noites sem sentido, a que eu gosto de chamar de noites zero (porque de 0 a 10 é em quanto as classifico, porque são noites que em termos da minha vida se traduzem como um zero, não são começo de nada (aí talvez as classificasse como 1) nem término de nada, simplesmente não existem) que são autênticos interregnos na minha vida, mas adiante, ora eu não me lembro de ter ouvido o “Positif” ontem, não é que sempre que saia tenha que ouvir o “Positif” nem nada que se pareça. Ora se ele me está a martelar na cabeça, das duas uma, ou eu ontem ouvi o “Positif” e não me lembro, ou o meu subconsciente me está a dizer que ontem deveria ter ouvido o “Positif”, mas que de pouco me valeria porque também não me iria lembrar, e assim cairia num ciclo vicioso, por isso decidi destacar este êxtase de agressividade que é “Positif”.
Pertence ao cd de 2009 de Mr. Oizo, “Lamb’s Anger”. Este álbum que não se deve ouvir como muitas vezes se ouve electrónica, devendo no entanto ser antes escutado, porque é um bom álbum, desde que não se escute só uma vez.
Podia-me alongar mais mas estou cansado…






www.myspace.com/oizo3000

quinta-feira, setembro 24, 2009

I wanna go surfing

The Drums – Let’s Go Surfing



Quem comigo tem falado ultimamente, percebe claramente o destaque que esta música recebe. Pop colorido, brilhante, veraneante, com um assobio viciante (mais um) e não sei l porquê o inicio da música faz me pensar sempre na série “Californication”, embora não tenha bem a certeza porquê. Será que a música fez parte da banda sonora de algum dos episódios?
Jonathan Pierce (voz) e Jacob Graham (guitarra) conhecem-se e são amigos desde petizes. Iniciaram-se com um projecto de electro-pop, e depois ainda embarcaram em mais projectos, mas separadamente. No entanto eles tinham planeado voltar a ter um projecto juntos, no entanto desta vez deixaram a música electrónica de lado. A primeira música que compuseram foi “Best Friend”, uma música que traduzia o espírito da nova banda “The Drums” (epá, que coisa bonita!), estávamos então no final de 2008. Compuseram cerca de 15 músicas, ainda na Florida. Em 2009, mudaram-se para Nova Iorque (nomeadamente para a fervilhante Brooklyn), e ai a eles juntaram-se o guitarrista Adam Kessler e o baterista Connor Hanwick. O sensacionalista New Musical Express considerou-os “New York's official coolest new band". O primeiro registo a sair foi o cd single “Let’s So Surfing” pela Moshi Moshi (que se pode descarregar legalmente no myspace da banda). Saiu há pouco tempo o ep “Summertime” (sem dúvida um nome adequado). Em 2010 espera-se o primeiro álbum.
Ao vivo apresentam-se com duas raparigas como backup singers.



http://www.wearethedrums.com/, www.myspace.com/thedrumsforever

Que conveniente!



Bitchee Bitchee Ya Ya Ya – Fuck Friend

Bitchee Bitchee Ya Ya Ya. Só pelo nome vale a pena. Segundo li, o nome presta tributo a uma tal de Patti Labelle e ao seu romance intitulado “Lady Marmalade” (sugestivo e apetecível). Esta banda já está armazenada nos favoritos do Internet Explorer do meu computador há já algum tempo, e já há algum tempo que me apetecia destacá-los. Foi hoje!
Se resumisse a música desta banda, eu resumiria com a expressão: sexy electro punk-rock com laivos de pop. Depois de ter escrito, isto só me veio à cabeça como é sexy, excitante, delicioso, ouvir “sexy” com sotaque francês. Provavelmente não tão sexy, nem delicioso como a vocalista dos Bitchee Bitchee Ya Ya Ya, a não ser que seja ela a o dizer, hiperbolizando o “sexy” ao quadrado.
De todas as músicas, o destaque vai para “Fuck Friend” (com um titulo destes, como não…), que é de resto a música mais conhecida deles, contando com várias remisturas. E tenho pena de destacar, esta música, sendo então redundante em relação ao grupo. Mas esta é mesmo a que gosto mais. Mas isto tudo para dizer que todas as músicas expostas no Myspace deles são bastantes boas, mas “Fuck Friend” é fuck friend.
Sobre esta dupla franco (Paris) -britânica (Londres) (daquelas coisas que a modernidade tornou provável), composta por uma rapariga e por um rapaz (embora nos poucos vídeos que tenho visto ao vivo, apareçam normalmente 3 pessoas) de quem pouco se sabe. No que recolhi na Internet, muitos falam que não há bibliografias nem nomes, e até há pouco tempo nem caras (se repararem no videoclip, aparecem aqueles óculos que não são mais do que manchas sobre os olhos). Mas com o sucesso começaram a ter que dar concertos ao vivo (digo eu que deve ter sido isto que se passou), e como não arranjaram um estratagema tipo Gorillaz, lá tiveram que dar a cara.
Em 2007 lançaram o até agora único registo, o cd single “Fuck Friend” pela Kitsuné (anunciam no entanto para breve o lançamento do primeiro ep). Este cd single incluía várias remisturas, sendo que a dos Cansei de Ser Sexy, entrou para a compilação Kitsuné Maison 5 (não me levem a mal, mas o original é melhor).
Em termos de letras, segundo uma critica na net, e com toda a razão, refere-se que nelas se perpetua uma certa tradição francesa de se criarem letras um pouco para o picantes, citando entre outros exemplos, o caso dos Teenagers, que será uma banda cujas semelhanças não se ficarão por aí, mas em termos de letras os Teenagers, são muito mais bem humorados, embora estes também tenham uma certa piada. Uma comparação curiosa que também encontrei, dizia que eles seriam uma versão electro dos Deerhoof. Em relação à música Fuck Friend, eles ou ela (aposto nela, até pelo vídeoclip), por entrevista por email que encontrei na net, referem que a música foi inspirada no facto de terem tido uma/um fuck friend (que conveniente!).
A música que destaco fala do desprendimento em relação aos sexo que o conceito “fuck friend” acarreta, e de um rapaz que se agarrou demasiado, ou que neste caso não se agarrou bem ao conceito. “If you wanna fuck agiain/ Baby it will be the same”, esta será a frase chave, e se virmos o vídeoclip, com esta frase na cabeça percebemos que é a ideia que este pretende transmitir.
Em relação ás actuações ao vivo, por tudo o que já foi dito, têm o seu quê de interesse, que poderá no entanto ser reforçado pelo facto de executarem uma dança, que ironicamente disseram que tiveram 6 meses a treinar as rotinas (um dos vídeos que a seguir aí vem demonstra exactamente uma dança que executam).










http://www.myspace.com/bbyayaya

quarta-feira, setembro 23, 2009

Nem sempre xx é xxx

The XX - Crystalised

O cd “XX” dos The XX foi a par de “Primary Colors” dos The Horrors, o cd que mais escutei durante este Verão. O indie pop dos jovens londrinos está na moda e recomenda-se. Assente em guitarras calmas e minimais, em “descantes” entre os dois jovens com as suas vozes calmas, baixas, inexperientes, feminina e masculina e sobre uma caixa de ritmos que somente existe porque ninguém na banda sabia tocar bateria. Inicialmente a produção iria ficar a cargo de Diplo (produtor de M.I.A. e um dos reis da musica de junção entre 3º mundo e digamos, o “ocidente”), no entanto acabaram por ser eles próprios (agradecendo contudo a experiência com Diplo) a produzirem o álbum, sendo provável que essa seja uma das causas do álbum parecer tão intimista e tão cru. As músicas, versam sobre as relações interpessoais como não podia deixar de ser em gente tão nova.
Apareceram em 2008 em Londres, sendo eles, Romy Madley (voz e guitarra), Olivier Sim (voz e guitarra), Baria Qureshi (baixo), e James Smith (caixa de ritmos), e aposto que para se formarem, não tiveram que levar em conta a lei da paridade. Conheceram-se na Elliott Scholl de Londres (escola de onde já saíram os Hot Chip, Burial, Four Tet), tendo Sim e Romy começado a tocar juntos aos 15; Baria juntou-se quando estes tinham 17 e Smith um ano depois. Como influencias, citam Aaliyah (que em algumas edições especiais de XX têm uma cover de uma música desta artista), Rhianna (estas 2 artistas à partida não têm nada a ver com o estilo deles, mas são cantoras que eles adoram. Sim disse inclusive numa entrevista que um dos melhores concertos a que tinha assistido, foi da Beyoncé) e Cure e Pixies (estes claramente mais compreensíveis e deduzidos através do som deles). “Crystalised” é o segundo single (primeiro foi “Basic Space”) e foi o que lhes deu mais notoriedade. “XX” saiu no Reino Unido em Junho, editado pela Young Turks.
No álbum eu gosto muito das 3 primeiras músicas. A primeira “Intro” é isso mesmo, funciona como uma introdução ao álbum, em 2 minutos e 8 segundos consegue nos resumir o tipo de som que iremos ouvir ao longo do álbum. Depois vem “VCR” que soa a paixão, “But you, you just know, you just do”. A seguir, vem a música que os tornou famosos, “Crystalised” com os deliciosos acordes de guitarras, os refrões com os suaves “Aah Aah”, mas para mim são mesmo os acordes de guitarra do refrão que soam maravilhosamente e com força a partir do minuto e 24 que me deixam inquieto e que são verdadeiras mudanças de ritmo durante a musica.
Belíssimo!



http://www.myspace.com/thexx, thexx.info

sábado, setembro 19, 2009

Ai Jesus que lá vou eu…



João Coração – Muda que Muda
João Coração – Fado do Bolo Alimentar

Há cerca de um ano, ou até pouco mais, lia no Ípsilon, o aparecimento de um fenómeno, de novas bandas portuguesas. Essas bandas “floreavam” à volta das editoras “Flor Caveira” e “Amor Fúria”. Este movimento contudo, já tinha alguns anos.
Eram elogiadas principalmente as letras, bem construídas, impolutas, com sentido, num português correcto e elaborado (pelo menos é os relatos que me lembro da altura). As bandas e músicos, gravitam à volta do pop-roque (que presumo que para eles seja o roque popular) e do panque-rocque. De todos os artistas, apresentados por estas editoras de inspiração cristã (fenómeno que é muito popular em países como Espanha, Itália, e Estados Unidos da América), e que nasceu literalmente (penso eu) de dentro das igrejas, os meus preferidos, são os Pontos Negros e principalmente João Coração.
“Muda que Muda” (2009), é o segundo disco de João Coração, sendo que o primeiro disco foi “João Coração Nº1 (Sessão de Sesimbra)”, e é um belo disco pop. Nele navegam as influências de Gainsbourg e dos Talking Heads. Estes últimos estão bem marcados na canção homónima. Associação que não é escondida, ou a música não acabasse com um “Vou a caminho do nada / Entrem comigo”. Aliás esta divertida música, super catchy, e que puxa o pezinho para a dança, é uma grande amalgama de sons a que nós facilmente atribuímos uma sonoridade com cariz de “portugalidade”, ou não conseguíssemos nós facilmente distinguir a bela da harmónica, no meio de umas dedilhadas num bandolim, percussão num bombo, trompetes e coros. Todo este “folclore” acompanha a bela letra.
Quem visitar o myspace do cantor, também poderá descarregar legalmente, o ep “Canções Perdidas” que conta com a “Tentação” e o humorado “Fado do bolo alimentar”

sábado, setembro 05, 2009

Berlin

Barbara Morgenstern – Come to Berlin

Berlim é desde há algum tempo uma cidade que me preenche o imaginário. E nesse mesmo imaginário eu lá gostaria de viver, imaginemos um mês. A verdade é que entre o imaginário, a imaginação, etc, e a realidade, vai uma grande distância. No imaginário, preenchido por descrições de revistas, livros, televisão, etc..( mais uma vez, e também (o) mais uma vez, desculpem), não há como a minha personalidade/personagem não gostar da cidade. Na realidade, mesmo que as coisas sejam como o meu imaginário a imagina, ninguém me garante que gostasse de lá viver um dia quanto mais um mês, ou num imaginário mais optimista, alguns anos. Mas uma coisa eu gosto, é da nova música promocional à cidade de Berlim. Ok, não é uma música promocional, nem é nova, mas é boa e isso chega. O presidente da câmara de Berlim, que trate de dar um premiozito a Barbara Morgenstern pela bela promoção à cidade que a sua música constitui, “Come to Berlin”. Quanto à letra está em alemão, e portanto não percebo, até poderia estar a dizer muito mal de Berlim, mas se assim fosse também ia muito mal com as únicas frases em inglês (a não ser que usasse a ironia está claro) “"Isn´t Berlin the place to be?"”; “Come to Berlin/This place is in”. A primeira segundo a Pitchfork, é uma interrogação que Barabara faz à sua audiência com algum sarcasmo sarcasmo. Ups! Se assim é, eu serei a sua audiência porque o sarcasmo me antigiria.
Barbara Morgenstern nasceu em 1971 em Hagen na Alemanha. È uma das mais proeminentes artistas da musica electrónica alemã, considerando-se uma autodidacta apesar das lições de piano e jazz que teve. Em 1991 decidiu-se a seguir uma carreira na música. Em 1994 Barbara foi viver para Berlim, onde inicialmente foi teclista numa banda, mas em 1996 decide-se por se concentrar na carreira a solo. Em 1997 lança o seu primeiro Ep “Plastikreport”. O seu primeiro álbum, “Vermona ET 6-1”, foi editado em 1998, mas o reconhecimento fora de portas, só veio em 2006 com o single “The Operator” do seu 4º álbum “The Grass Is Always Greener”. O seu novo álbum, “BM” (as suas iniciais) é de 2008, e o seu single é o aqui destacado “Come to Berlin”.



Para finalizar, uma verdade lapalaciana:




www.myspace.com/barbaramorgenstern, www.barbaramorgenstern.de/