terça-feira, agosto 28, 2007

Sicília

Nino Rota – The Godfather - Love Theme From The Godfather
Nino Rota – The Godfather- Apollonia

La musica è troppo bella, Il mio cuore batte forte più quando sente la canzone magnifica di amore della pellicola il godfather, só o início não foi escrito com recurso aos belos tradutores on-line (que têm no entanto uma falha, quanto a mim imperdoável, que é o facto de não traduzirem asneiras, assim quem é que vai ajudar a minha liberdade de dizer caralhadas em italiano???)
Ok, quem me conhece sabe a razão pela qual destaco esta música para além do facto da série dos filmes “O Padrinho”, de Francis Ford Coppolla, serem dos meus filmes preferidos (tirando o Padrinho 3, que não me caiu assim tanto no goto, mas sempre será um filme curioso, por ter talvez uma das únicas participações da filha de Francis, Sofia Coppolla, como actriz).
As musicas da série de filmes de “O Padrinho”, tiveram grande sucesso, inclusive a banda sonora de “O Padrinho” parte II, recebeu o Oscar para melhor banda sonora, banda sonora essa que foi “realizada” por Nino Rota e pelo pai de Francis Ford Coppolla, Carmine Coppolla, tendo no entanto Carmine só participado em 3 músicas.
No entanto como não há nada como o primeiro …. “O Padrinho”, porque na realidade foi o primeiro que vi, e que me deixou 4 horas (talvez esteja a exagerar) deitado no sofá, especado, sem me mexer (homens estátuas que se cuidem) tal foi o despertar de interesse que o filme me provocou, e que me fez no dia seguinte ir ver a parte II, e mais tarde a III, e me fez pensar que se alguma vez na vida me passar na cabeça ser um criminoso, iria antes de me iniciar a carreira, ver outra vez toda a série dos filmes. Se vais fazer algo de mau na vida ou menos fá-lo com estilo (provavelmente, já alguém deve ter dito algo tão estúpido, para eu ter ido buscar tal frase ao meu subconsciente).
Depois de ouvido o disco, fico surpreso com o facto de a imagem desviar tanto a atenção em relação à música (é isso, ou o facto de já não ver o filme há algum tempo), de modo a que uma pessoa (ou seja, eu) não se consegue perceber a dimensão, o poder da musica de “O Padrinho”, o sentimento que esta transmite, a musica ouvida sem imagem parece muito mais triste, mais sofredora, do que aquando da visualização do filme.
A banda sonora deste filme também é muito característica, só para verem perguntei à minha mãe: “Oh mãe, o que é que eu estou a ouvir?” e ela rapidamente (penso que demorou 1 segundo) respondeu: “A música de “O Padrinho”, isto não seria significativo, se não fosse o caso de eu na altura não estar a ouvir uma das mais conhecidas, e não fosse o caso da minha mãe só ter visto o filme uma vez.
As músicas escolhidas foram “The Love Theme From The Godfather”, e “Apollonia”, que são, ou pelo menos parecem exactamente a mesma musica, sendo no entanto, “The Love Theme From The Godfather”, interpretado por uma orquestra, enquanto “Apollonia”, se refere somente ao que me parece um bandolim (provavelmente siciliano). Não sei qual o significado, mas na minha interpretação romântica da coisa, o facto da musica ser a mesma, não nos podemos esquecer que Apollonia era o amor de Michael Corleone, em Itália, além disso o facto de ser interpretada só com uma viola, para além de dar um ar mais triste (Apollonia foi assassinada) à música, também poderíamos dizer que um só instrumento representava a solidão que Michael sentia no momento (bem tudo isto foi dito sem o cuidado de ver no filme onde encaixavam as musicas, por isso a probabilidade de ser uma grande bacorada (e eu farto-me de as dar), é grande; no entanto esta coisa de arranjar interpretações para as coisas, mesmo que às vezes seja precisa muita imaginação para depois encaixar as coisas (e aqui nem é precisa muita), dava algum resultado em “Português”, não vejo porque não dará aqui). Além disso só o facto do nome da música ser “Apollonia”, mereceria o meu destaque, primeiro porque sinceramente gosto muito do nome, depois porque a figura de Apollonia (molto bella) dá uma imagem real daquilo que é a mulher italiana. Quanto ao tema de amor do filme, é a tal coisa, é bonita, fica na cabeça (ou seja o habitual) e é provavelmente a musica mais conhecida do filme.
A banda sonora saiu em 1972, e é da composição de Nino Rota.
Rota nasceu em Milão em 1911, e era uma criança prodígio. Aos 8 anos começou a estudar música, e aos 11, compôs uma oratória intitulada “ A infância de São João Batista”. Estudou composição e regência no conservatório de Milão. Continuou depois os seus estudos nos Estados Unidos. Em 37 começou a leccionar no Conservatório de Bari, onde depois assumiu a direcção, até à sua morte. A sua entrada no cinema deu-se na década de 40.
Ficou famoso pelos seus trabalhos com Frederico Fellini (como é o exemplo de “La Dolce Vita”), relação que durou 30 anos, o que levou Fellini a afirmar que o colaborador mais valioso era Nino Rota, e descreveu-o como um ser com uma imaginação geométrica, uma visão musical das esferas celestes, para quem não havia necessidade de ver as imagens dos seus filmes. Teve mais colaborações cinematográficas, como é o exemplo de “Romeu e Julieta” de Zefirelli. Fez 10 óperas, 5 ballets e muitos instrumentais, entre as dezenas de bandas sonoras. Em 72, Francis Ford Coppola, dói até Itália para o convidar pessoalmente Nino, para fazer a música de “O Padrinho”, e assim nasceu uma história de amor….
Graffiarlo tutto (Esperemos que o tradutor não me tenha embaraçado)

quinta-feira, agosto 23, 2007

Cletus

James Holden – The Idiots Are Winning – Lump
James Holden – The Idiots Are Winning -10101


Quando se fala em tecno minimal, a maioria das pessoas torce imediatamente o nariz, a palavra tecno causa espécie, pensa-se logo nos gunas de carros artilhados, com sistemas de som capazes de arrebentar com Bagdad, e com luzes que saem de todos os lados e com várias cores, e com o barulho ao lado, a expressão discoteca ambulante adequa-se perfeitamente (só vos digo: “Oh Joana Give me hope”, atormentou-me as manhãs). Ora para mim isso não é Tecno e muito menos poderia ser tecno minimal.
Para muitos o álbum “The Idiots Are Winning” de James Holden foi um dos álbuns da música electrónica de 2006, e eu à medida que o ouço, muito mais compreendo o porquê, aliás elegi-o como o cd que este ano mais me acompanhou ao longo do estudo (pelo menos nesta parte final).
James Holden é Tecno minimal, composições feitas com sons (samples) mínimos acompanhando uma batida quase uniforme, ou às vezes sem essa batida, mas os sons mínimos não podem obviamente faltar. Nas musicas escolhidas a sensualidade é emanada, os corpos ondulam como o mar, não com o ritmo vigoroso de um mar tecno, mas sim com a calma de mar minimal, afinal estamos a falar de corpos que ondulam a dançar e não que saltam freneticamente, a sobriedade está presente, um tom altivo diria eu separa este tecno do tecno normal. Este tecno dá para dançar a 2, mas atenção a ondular devagar, mas mais este tecno dá para ouvir sentadinho no sofá a saborear os sons.
Os sons complexos, os simples, os sujos (“Os pedaços sujos. É isso que a (música) torna humana, e é nisso que me concentro agora” (J.Holden)) e os estranhos ecoam na nossa cabeça até ao momento em que um som ainda mais estranho não ecoa na nossa cabeça, chama-se “Intentionally Left Blank”, exactamente, são 2 minutos e 5 segundos do mais puro silencio, algo que não se esperaria ouvir num cd de tecno minimal a não ser no final, talvez seja uma pausa para pensar, para descansar os ouvidos, a prepará-los para mais duas experiências sónicas (afinal “Idiot Clapsolo” é provavelmente a musica mais “agressiva” do cd).
As duas musicas escolhidas são a meu ver as mais dançantes, as mais melódicas, as mais “sinfónicas”, as mais electronicamente orquestradas, são as que de certo modo mais enquadram o espírito de uma “canção”, se é que pode ser racional falar em canções em relação à maioria do tecno minimal (mesmo que estas duas músicas tenham vocalizações, que são no entanto são indecifráveis), mas o que eu quero dizer com isto, é que são para mim aquelas que têm um claro inicio, e um claro fim. Se a electrónica nos contasse uma história, estas 2 músicas começavam com o “Era uma vez…” e acabavam com o saudoso “ e viveram felizes para sempre”.
James Holden é um jovem Inglês com formação clássica em violino e piano, e com o curso de matemática por Oxford, começou nestas lides aos 19 anos e rapidamente ganhou reputação, foi em 1999 que lançou o agora clássico “Horizons” uma melodia trance, que o levou ao sucesso, quando o Dj Nick Warren o usou o então cdr do desconhecido James por 3 meses. “Horizons” acabou mais tarde por ser editado por uma subsidiária da Sony. Foi lançando mais singles e mix álbuns, e teve depois outro retumbante sucesso quando com Julie Thompson lançou o single “Nothing”, o primeiro editado na sua editora, Border Community, e que foi um grande sucesso nas pistas de dança. Em 2006 lança o mix álbum “At The Controls”. Também em 2006 pela Border Community lança o seu primeiro de originais, “The Idiots Are Winning”. A sua reputação permitiu-lhe fazer remisturas para os New Order, Maddona e Britney Spears.
E ainda bem que de vez em quando os idiotas também ganham…



http://www.jamesholden.org/, www.myspace.com/iamtherealjamesholden

terça-feira, agosto 21, 2007

Banda Sonora de Verão

Todos os anos, há a música que marcou o verão, há a banda sonora de verão, etc…, Nunca ouvi falar da banda sonora do Inverno, Primavera ou do lindo Outono. Se pensam que vou corrigir tal injustiça, estão extremamente enganados, penso porém que nunca tive realmente um banda sonora de Verão, mas este ano, os cds (deveria ser cd já que cd não tem plural, mas não gosto de como fica) que acompanharam o meu Discman foram sempre os mesmos, e portanto estes serão os títulos que pautaram o meu verão:

Peter Bjorn and John – Writer’s Block – Amsterdam
Do cd que graças à Optimus, teve segundo um jornalista do publico (penso eu),
O hino mais improvável do verão (devido à qualidade da canção, penso que se estará a referir ao facto da musica já ter mais de uma ano e meio), retiro Amestardam, talvez a musica que no cd menos gostei, mas o facto de me ter apercebido que estava a cantarolar a canção sem dar conta, fez com que seja uma das musicas visadas nesta minha banda sonora, além disso, coisas muito características de Amesterdão deram-me alegrias sensoriais neste verão (reparem como rima uauuuu!!!!!).

Joy Division – Unknown Pleasures – Disorder
A banda que inspirou algumas das minhas bandas preferidas, e por conseguinte também uma das minhas bandas preferidas, teria que estar presente já que cds velhos quando são novos, são para ouvir. Desordem é uma ordem natural da minha vida e por conseguinte banda sonora das minhas férias.

Cat Power – The Greatest – The Greatest
A música que por razões pessoais, foi a musica que mais me marcou neste ano, não poderia faltar.

The Besnards Lakes - The Besnard Lakes Are The Dark Horse – Disaster

A música depressiva dos canadianos The Besnards Lakes, foi quase sempre a música que me dava vontade de ouvir ao chegar à praia, após me deitar a olhar para o mar. Disaster por consequência de ser a primeira música do cd era então a musica que abria a minha praia. Disaster é uma homenagem às minhas relações inter-pessoais.

Makossa & Megablast – Kunuaka – Que Pasa faet. Cleydys Villalon
Porque disse algumas vezes o refrão “que pasa que como va”, e sempre fora do contexto.

Hot Chip – Dj Kicks – Cademar
Hot Chip - Dj Kicks - Love Affair
Hot Chip - Dj Kicks -My Piano
Afinal Verão também é (ou em alguns casos é somente) festa, e logo a criteriosa escolha de músicas dos Hot Chip para a série Dj Kicks foi uma óptima companhia. Passando por temas que versam vários estilos da musica electrónica, havendo ainda espaço para passagens hip hop, soul, e para grandes clássicos da musica electrónica (refiro-me especificamente a Bizarre Love Triangle dos New Order). Devido ao elevado número de músicas 25, vou me dar ao luxo de seleccionar 3:
Os 40 segundos de Cademar do brasileiro Tom Zé, nunca ouvi o original, mas de certeza que não terá sido fácil encadear numa sequência de música electrónica.
Love Affair dos franceses Noze: “I wash my fit and I feel so good/ I brush my tiff and I feel so good/ I clean my nose and I'm ready for my love affair/ For my love affair!", afinal o bom humor é algo essencial no ser humano.
A mais conhecida de todo o cd, “My Piano”, que é também o único tema original destes ingleses contido neste cd. A “piano song” destes rapazes, é na verdade muito deliciosa.

Arcade Fire – Neon Bible – The Well and The Lighthouse
Porque é uma música que eu há muito já devia ter destacado, visto ser a minha preferida do último cd dos Acade Fire. E “lighthouses” foi o que não me faltou.

Digitalism - Idealism - Pogo
A festa precisa de continuar, e neste cd de batidas fortes e distorcidas, Pogo, é uma música que se adequa aos cânones da música pop. “There's something in the air/ Woohoo”, “We could get so wasted if you would have come”.

Interpol – Turn On The Bright Lights – Untitled
Em muitas das coisas belas da vida, nós não conseguimos caracterizá-las com um titulo, o “eu estou sem palavras” seria muitas vezes o melhor titulo, para algo que de tão belo que é necessita de tal adjectivação que o meu curto vocábulo, não encontra palavras. Também esta música dos Interpol (não só por ser dos Interpol, talvez a minha banda nº 1) me deixa sem palavras. “I will surprise you sometime/ I'll come around/ when you're down”.

Air - Talkie Walkie - Venus
Air - Talkie Walkie - Run
O fantástico Talkie Walkie dos Air, fez me lembrar como bom é a electrónica que não foi feita para dançar mas sim para amar.
You could be from Venus/ I could be from Mars/ We would be together/ Lovers forever, faz me lembrar a frase que mais disse neste Verão “Impossible is nothing (Adidas)”.
Ja o hipnotico “Run”, faz me lembrar que ao longo deste verão só corri 1 hora, menos-mal, foram seguidas. Faltou com certeza, o refrão “ Run, Run, Run, Run”, para fazer melhor.

Air – Pocket Revolution – Once Upon The Time
O novo cd dos Air tem coisas preciosas, “Once Upon The Time” é uma delas
I'm a little boy, you're a little girl/ Once upon a time/ I'm a little boy, you're a little girl/ Once upon a time/ Time's getting on, time's over now. Eu também sou um “little boy”, que infelizmente sabe que “the summer is over now”.


Por Fim:

Black Rebel Motorcycle Club - Black Rebel Motorcycle Club - Red Eyes And Tears
Black Rebel Motorcycle Club - Black Rebel Motorcycle Club - Too Real
Basicamente por que é um cd que me acompanha em todos os Verões, porque o adoro. O ditado que diz que deves ter os amigos por perto e os inimigos ainda mais perto, claramente não se aplica à música.
“Red Eyes and Tears”, porque o período de descanso acabou.
“Too Real”, porque vai ser assim que vou encarar o período de actividade.



Enfim não são propriamente as músicas que marcam o verão de toda a gente, e que toda a gente conhece, e que se tornaram sucessos de verão até porque nenhuma saiu este verão, mas segundo o Público, as dez canções que marcaram este verão, quase nenhuma ou mesmo nenhuma (não me recordo bem), saíram neste verão, em todo o caso, vou ver se saco algumas, para ver o que andei a perder caso andasse mais ligado ao mundo, e não ao meu mundo.