No dia 16 de fevereiro, realizou-se em Coimbra o festival Indiefolk.
Magic Arm – Move Out
Magic Arm – Move Out
Quando comecei a ver este concerto, rapidamente me lembrei do concerto de Andrew Bird. Isto porque este rapaz, que usa sempre um chapéuzinho tipo Zé Mota, corta, e cola os sons mesmo ali à nossa frente. Uma única diferença. Este tem uma boa sensibilidade nos pés e não precisou portanto, de se descalçar para pisar os pedais. Bem, há muitas mais e notórias diferenças.Magic Arm, pareceu nervoso, o que fez com que o seu braço não fosse tão mágico assim. Enganou-se várias vezes na guitarra, no inicio das músicas, o que fez com pedisse várias vezes desculpa, e que tivesse que dar um gole na cerveja para acalmar. Às palavras de aprovação do público por estar a beber uma cerveja, ele respondeu que se calhar o problema tinha sido mesmo da cerveja. Estes ingleses realmente não têm capacidade para aguentar a cerveja cá do burgo.
Mas há muito mais para além da aparente inabilidade com a guitarra em termos de diferenças de Andrew. Poderia mesmo dizer que quase tudo é diferente, desde ritmos, “estar da música”, “estar de palco”. Magic Arm é caladinho e não diz piadas. Depois embora use muito mais a electrónica, a sua música não transmite a alegria, a dança que a de Andrew transmite, a música de Magic Arm é para ouvir de cabeça estática, é muito mais cerebral. O tema “Move Out” é aquele em que a electrónica está mais viva. Foi o único que fez a minha cabeça balançar um pouquito, e fez mesmo Magic Arm “dançar” um bocado, e a isto não serão alheios os sons meio hipnóticos da música. A destacar também a versão inesperada de “Daft Punk is playng at my house” dos Lcd Soundsystem.
Magic Arm, é Marc Rigelsford, um rapaz oriundo de Manchester, que ganhou algum reconhecimento quando o site dos Grizzly Bear há uns meses o destacou. Em 2007 lançou o Ep de estreia “Outdoor Games”, que também recebeu criticas favoráveis do “The Guardian”.
Como conclusão, posso dizer que não fiquei maravilhado com o concerto. Ouve-se. No entanto decidi comprar o Ep (o que só me dá chatices, visto estes serem em vinil, e portanto só o poder ouvir aos fins de semana), porque, penso que a pureza, a limpeza do som de estúdio, faz a música de Magic Arm crescer, faz com que seja mais agradável ao ouvido do que a música que ele praticou ao vivo (este é o meu entendimento, está claro).
www.myspace.com/magicarm, http://magicarm.co.uk/index.php
Ola Podrida – Jordanna
Já com o s Ola Podrida e a sua pop melancólica e triste, esperava um grande concerto. E posso dizer que gostei muito. Isto apesar de o cd destes, não ser daqueles cd que nós vamos colocar nas estantes das obras-primas, mas, ouve-se. Um colega meu, disse-me que era um cd que crescia com o tempo (e para ser sincero, agora que escrevo, sinto o álbum a crescer bem acima daquilo que vou escrever. Peço desde já desculpa). Para mim, até agora, já cresceu o suficiente, para dizer que tem muitas canções homogéneas, que após ouvirmo-las, não nos lembramos de as ter ouvido, ou seja não ficam na cabeça, ou seja ouvem-se. No entanto tem na minha opinião, 2 canções muito boas, “The New Science” e “Pour Me Another” e uma fantástica, “Jordanna”.Não sei quem é Jordanna, mas sempre que ouço a música, me apaixono por ela, e também eu adoraria poder ouvir a voz de Jordanna. A isto chama-se uma música que é capaz de transmitir um sentimento. E se uma música é capaz de fazer isto, então o adjectivo fantástico não será exagerado.
Em concerto os Ola Podrida são competentes. O vocalista é muito comunicativo, e com grande sentido de humor (antagónico, hem?). Fiquei com boa impressão e espero voltar a vê-los. Esperemos que seja antes das t-shirts nos darem música.
Este projecto nasceu em 2005, quando David Wingo, rapaz cuja experiência musical se baseava, na composição de bandas sonoras para filmes, regressa de Nova York para o seu Texas. Aí lança o seu álbum a solo. Depois para os shows ao vivo, toca com o guitarrista Robert Patton e o baterista Matthew Frank. Este trio decide depois mudar-se para Brooklyn em 2006. Depois de três passam a cinco, com a junção de Johny Christ no órgão e guitarra, e o baixista Andrew Kenny.
Em Coimbra, para apresentar o álbum homónimo de 2007, estiveram somente Wingo e Frank. E quando tocaram “Jordanna”, voltei a apaixonar-me…





