quinta-feira, fevereiro 28, 2008

E assim acontece... BOA NOITE

No dia 16 de fevereiro, realizou-se em Coimbra o festival Indiefolk.

Magic Arm – Move Out

Quando comecei a ver este concerto, rapidamente me lembrei do concerto de Andrew Bird. Isto porque este rapaz, que usa sempre um chapéuzinho tipo Zé Mota, corta, e cola os sons mesmo ali à nossa frente. Uma única diferença. Este tem uma boa sensibilidade nos pés e não precisou portanto, de se descalçar para pisar os pedais. Bem, há muitas mais e notórias diferenças.
Magic Arm, pareceu nervoso, o que fez com que o seu braço não fosse tão mágico assim. Enganou-se várias vezes na guitarra, no inicio das músicas, o que fez com pedisse várias vezes desculpa, e que tivesse que dar um gole na cerveja para acalmar. Às palavras de aprovação do público por estar a beber uma cerveja, ele respondeu que se calhar o problema tinha sido mesmo da cerveja. Estes ingleses realmente não têm capacidade para aguentar a cerveja cá do burgo.
Mas há muito mais para além da aparente inabilidade com a guitarra em termos de diferenças de Andrew. Poderia mesmo dizer que quase tudo é diferente, desde ritmos, “estar da música”, “estar de palco”. Magic Arm é caladinho e não diz piadas. Depois embora use muito mais a electrónica, a sua música não transmite a alegria, a dança que a de Andrew transmite, a música de Magic Arm é para ouvir de cabeça estática, é muito mais cerebral. O tema “Move Out” é aquele em que a electrónica está mais viva. Foi o único que fez a minha cabeça balançar um pouquito, e fez mesmo Magic Arm “dançar” um bocado, e a isto não serão alheios os sons meio hipnóticos da música. A destacar também a versão inesperada de “Daft Punk is playng at my house” dos Lcd Soundsystem.
Magic Arm, é Marc Rigelsford, um rapaz oriundo de Manchester, que ganhou algum reconhecimento quando o site dos Grizzly Bear há uns meses o destacou. Em 2007 lançou o Ep de estreia “Outdoor Games”, que também recebeu criticas favoráveis do “The Guardian”.
Como conclusão, posso dizer que não fiquei maravilhado com o concerto. Ouve-se. No entanto decidi comprar o Ep (o que só me dá chatices, visto estes serem em vinil, e portanto só o poder ouvir aos fins de semana), porque, penso que a pureza, a limpeza do som de estúdio, faz a música de Magic Arm crescer, faz com que seja mais agradável ao ouvido do que a música que ele praticou ao vivo (este é o meu entendimento, está claro).

www.myspace.com/magicarm, http://magicarm.co.uk/index.php

Ola Podrida – Jordanna

Já com o s Ola Podrida e a sua pop melancólica e triste, esperava um grande concerto. E posso dizer que gostei muito. Isto apesar de o cd destes, não ser daqueles cd que nós vamos colocar nas estantes das obras-primas, mas, ouve-se. Um colega meu, disse-me que era um cd que crescia com o tempo (e para ser sincero, agora que escrevo, sinto o álbum a crescer bem acima daquilo que vou escrever. Peço desde já desculpa). Para mim, até agora, já cresceu o suficiente, para dizer que tem muitas canções homogéneas, que após ouvirmo-las, não nos lembramos de as ter ouvido, ou seja não ficam na cabeça, ou seja ouvem-se. No entanto tem na minha opinião, 2 canções muito boas, “The New Science” e “Pour Me Another” e uma fantástica, “Jordanna”.
Não sei quem é Jordanna, mas sempre que ouço a música, me apaixono por ela, e também eu adoraria poder ouvir a voz de Jordanna. A isto chama-se uma música que é capaz de transmitir um sentimento. E se uma música é capaz de fazer isto, então o adjectivo fantástico não será exagerado.
Em concerto os Ola Podrida são competentes. O vocalista é muito comunicativo, e com grande sentido de humor (antagónico, hem?). Fiquei com boa impressão e espero voltar a vê-los. Esperemos que seja antes das t-shirts nos darem música.
Este projecto nasceu em 2005, quando David Wingo, rapaz cuja experiência musical se baseava, na composição de bandas sonoras para filmes, regressa de Nova York para o seu Texas. Aí lança o seu álbum a solo. Depois para os shows ao vivo, toca com o guitarrista Robert Patton e o baterista Matthew Frank. Este trio decide depois mudar-se para Brooklyn em 2006. Depois de três passam a cinco, com a junção de Johny Christ no órgão e guitarra, e o baixista Andrew Kenny.
Em Coimbra, para apresentar o álbum homónimo de 2007, estiveram somente Wingo e Frank. E quando tocaram “Jordanna”, voltei a apaixonar-me…

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

E em Paris, dizem que há amor, e ao que parece, não estão a falar da Bruni e do Sarkozy. Uauuu

Dia 14 de Fevereiro, foi o dia dos namorados, um dia em que supostamente o amor anda no ar. Mas qual é o amor que existe, quando existe um dia dedicado ao amor?
Paris é para muitos a cidade do amor. Oh l'amour!!!!
Para muitos, Paris é um sonho, para outros um sonho realizado, para outros, se calhar não tantos, nada de especial. Eu sou daqueles que não nutre especial curiosidade por tal cidade, mas talvez, se algum dia, por acaso a visitar, mude de opinião.
Há várias formas de ver Paris. Com certeza que também haverá várias formas de viver Paris. E há várias formas de cantar Paris, muito mais para além de um: “O Luís, O Luís, já foi a Paris”

Friendly Fires – Paris

O fogo amigo nem sempre é inócuo, muitas vezes causam estragos que vão para além do urânio empobrecido. A mim o fogo amigo dos Friendly Fires, atingiu-me, e atingiu-me bem. Não conheço muitas músicas dos senhores, mas todas que conheço, gosto. O tom bem-humorado, o ritmo de dança, que convida a um pezinho e a um sorriso. A música já era minha conhecida. Mas outro dia estava a ver um blog sobre vídeos. A música era a banda sonora de um deles. Pensei, ora porra! Eu já ouvi isto. E já tinha mesmo. É uma daquelas músicas que fica, mesmo que não saibamos bem onde. O vídeo amador (que disponibilizo o link), tem todo o ar de videoclip e até dava um perfeito clip para a música, não fosse o facto de se realizar em Brooklyn (N.Y.).
O trio inglês de St. Albans, Edward Gibson, Edward Macfarlane e Jack Savidge começaram por ser uma banda de metal. Depois em 2002 dispersaram-se para vários cantos do Reino Unido, tendo voltado em 2005 a St. Albans onde sob o nome de Friendly Fires passaram a praticar um novo som. Um som funk, e em algumas músicas a electrónica aproxima-se muito da electrónica “tipo DFA”.
Estrearam-se em 2006 com o Ep “Photobooth”, e desde aí lançaram, mais 2 Eps e o cd-single Paris (que tem na minha opinião uma capa assombrosa).
Em 2007 os Friendly Fires tiveram um ano em grande com vários concertos a esgotar e com aparições em vários pontos da Europa e o New Musical Express nomeou-os como uma das 3 melhores bandas indie do Reino Unido. O NME aposta tantas vezes, que às vezes pode ser que acerte, em relação aos Friendly Fires, espero bem que sim.
“One day we're gonna live in Paris /I promise /I'm on it”


Ladyhawke é Pip, uma rapariga australiana, guitarrista da banda Teenageer. Tem 26 anos, e aventura-se agora a solo sob o nome de Layhawke.
Pratica um popzinho fácil, descomprometido emaranhado numa teia electrónica. Ela assinou um acordo com a Modular e espera-se um álbum em 2008. “Paris is Burning” lembra para alguns Feist na sua melhor forma. A música para não variar fala de amor, “tell me the true, is it love o ris it Paris” uma daquelas frases clichés que parece que já ouvimos do filme x e do filme y. Será que isto é amor, ou será só o efeito perverso da cidade do amor, que faz com que as relações se dêem. Depois também imagens idílicas como: “kids” que bebem copos de vinho nos passeios, enquanto aguardam pela noite, e já agora a esperança de encontrar o seu caminho, de encontra quem perdeu, talvez em Paris, afinal “my heart is yearning but Paris is burning Paris is burning all-night-long..”.


www.myspace.com/ladyhawkerock


Teenager – Alone Again
Teenager – West

Na lógica paga um leva dois, aproveita-se e detaca-se a banda de Pip. Há os The Teenagers, há os Teenagersintokyo (mais uma banda australiana, que também poderia merecer o meu destaque) e se pesquisares no Emule, no Youtube, no Google e em qualquer motor de busca, aparecem uma data de ficheiros relacionados com a palavra teenager (já toda a gente percebeu do que estou a falar), o que torna mais difícil chegar ao que pretendo, ou seja a banda australiana Teenager.
Desde o dreamy pop de “Alone Again” até ao rock sombrio e aparentemente triste de “West”.
A banda australiana é constituída pela já referida Pip e poe Pete Mayes e em 2007, lançaram o até agora único álbum “Thirteen”.


segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Ja estava na altura??

Pole Folder – Pacha 6 AM

Não sei se “Pacha 6 AM”, é a música ideal para se ouvir no Pacha às 6 da manha. Nunca lá estive. Mas “Pacha 6 AM” é uma boa música para eu ouvir às 6 da manhã. Melódica, orquestral, minimal, espacial, mais house do que propriamente tecnho.
Das músicas presentes no Myspace, nenhuma me causou tão boa impressão como a “omissa” Pacha 6 AM. Aliás para ser mais preciso, do myspace não gostei de nenhuma, sendo que dessas nenhumas, as que mais ou menos escaparam (isto é o meu gosto, está claro) foram as mais recentes, ou seja as de 2008. Ora, o tema aqui presente, pertence a um Ep de 2007, Buenos Aires Ep. Neste Ep, gosto de todas as músicas. Ok!!! Só tem 2, mas gosto imenso das duas, e além disso as duas juntas, valem quase 20 minutos. Através de uma inferência muito pouco fundamentada, penso que, com o tempo, a música de Pole Folder só tende a melhorar.
O belga Benoit Franquet, começou na música aos 5 anos, tendo aprendido a tocar trompete e guitarra. Também aprendeu composição, o que fez que fizesse parte de orquestras sinfónicas. Aos 15 anos descobriu o rock, tendo formando uma banda. Depois começou as influências de música electrónica, através de clubes. De seguida juntou-se a Alain Bultot e nasceram os “Ragged Life”, que com o tema “I´ll be right here”, alcançaram alguma notoriedade na Bélgica. Depois a solo, o seu primeiro single “Apollo Vibes” fez com que entrasse nas boas graças de John Digweed e que mais tarde assinasse pela editora deste, a Bedrock Records. Em 2005 saiu o até aqui único álbum, “Zero Gold”.

http://www.myspace.com/polefolder, http://www.polefolder.com/

Roland Appel – Dark Soldier
Ainda dentro da electrónica, e com um Myspace mais do meu agrado, encontramos Roland Appel, e o seu sombrio e fantasmagórico “Dark Soldier”.
O germânico Roland Appel, já é um rapaz batido nestas andanças, tendo uma longa experiência quer como dj quer como produtor. Tendo começado a compor musica e como dj no início dos anos 90. Com o amigo Christian Prommer, formou os Fauna Flash. Também pertence aos Voom Voom (eixo Viena (Peter Kruder)-Munique (Roland Appel e Christian Prommer). Com Chrisitian Prommer faz ainda parte dos Truby Trio. Em 2007 aparece a solo lançando singles. Um deles é “Dark Solier”, musica que já tinha tido sucesso quer na conferencia de Inverno de musica de Miami, quer no Sonar. Também na rádio BBC alcançou sucesso sendo repetidamente tocada.

profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=198229420 - 173k -



sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Do frio com muito “ameno”

The Field – Over The Ice

Será que do gelo, também vem tecnho minimal? Será que do gelo também vêm emoções? Será que o tecnho gelado transmite emoções? Será que a frieza das feridas físicas, são as que doem mais? Será que são as vozes sampladas que me aquecem a alma?
Axel Wilner (aka The Field), é um sueco (mas que viveu uns quatro anos em Lisboa, quando era petiz) que se estreou em edições discográficas em 2007, pela Kompakt de Colónia. O seu disco “From Here We Go Sublime” é um jogo de colagens de Samples, que de tão transfigurados, dificilmente são identificados. Ao ouvirmos The Field dificilmente advínhamos que algumas das músicas que ouvimos têm samples de R&B. O Tecnho minimal de The Field, tem uma forte componente “ambiental”, que nos transporta para diferentes “estratosferas” emocionais. Surpreendentemente para quem vem do frio, como é o caso da música de The Field, esta a mim sabe-me deliciosamente a ameno. Embora o som pareça maquinalmente encadeado, as emoções são despertadas, embora se tenha sempre a noção que a música vem do gelo.
Um som perfeito para uma dança cerebral.

www.myspace.com/thefieldsthlm