Obrigado Raquel, Mariana, Tiago, Moreira, Sócio, Sara e João
O meu SBSR foi atribulado. A minha vida é atribulada. Tão atribulada que por pouco nem um atribulado SBSR ia tendo. Mas com um bocado de sorte e com muito bons amigos lá consegui ter uma atribulado SBSR. A vida resume-se a opções e quando há muitas escolhas é natural que no final se faça uma avaliação e chegue-se à conclusão que se deveria ter escolhido x em vez de y e z em vez de t mas damos-nos por muito satisfeitos por ter escolhido c. Eu nunca tirei 100% nos exames (ou raramente) mesmo quando estudava muito, portanto este tipo de conclusões não são mais do que um constatar da vida. Já lá iremos. Gostei de ouvir a organização nas entrevistas a dizer que este ano iria haver menos trânsito, que o parque de campismo era maior e gostei de vê-los a regar o terreno de jogo durante o dia para que se levanta-se menos pó à noite (terá sido por isso?). A verdade é que fique com aquele pensamento na cabeça “Se este ano é assim nem quero imaginar o ano passado”. Se calhar o recinto até teve muitas melhorias. Se calhar este ano também teve mais gente. Mas os factos que passarão independentemente do que a organização diz são: o trânsito continua impossível, as tendas dispõe-se que nem sardinhas em lata, tomar banho é uma perda de tempo (e com isto não estou a dizer que não tomei banho (embora isso seja muito festivaleiro e também muito porco), mas para não perderem muito tempo precioso da vossa vida sejam criativos andem pela estrada e peçam alguém para vos mandar umas mangueiradas enquanto se ensaboam, acreditem que resulta), acredito que o recinto não tem condições para levar tanta gente durante um concerto (sobre isto não tenho a certeza) e sim levem máscaras o pó ainda está a assentar. Já agora não considero que seja um festival de praia (o Sudoeste é), fiquei com a sensação que é a mesma coisa que fazer um festival em Montemor e ir à Figueira à praia. Mas ok! Close enough!
Agora vamos às escolhas erradas. Primeiro dia gostava de ter visto Tame Impala (imenso, a segunda coisa que mais queria ver para além de Arcade Fire), Nicola Jaar, The Walkman. Teria também sido interessante ver Lykke Li, James Murphy e rever El Guincho (teriam sido bons para dançar alegremente). Já depois dos comentários que ouvi também teria sido bom ter visto os Arctic Monkeys. Em termos quantitativos era o dia em que queria ver mais coisas. Não vi nenhuma porque só cheguei no dia seguinte. No dia seguinte cheguei a meio de Legendary Tiger Man. A razão? Ir de transportes públicos, tarde, mesmo a apanhar o trânsito. Neste dia a minha pior opção foi não ir ver Portishead (achei que era anacrónico e não iria resultar no festival). Optei por tentar ver Makam (li num folheto e pareceu-me interessante) e por isso montei arraiais na tenda electrónica. Também poderia ter lido no folheto as horas do concerto. Assim não teria optado por tentar ver Makam já que era à hora dos Arcade Fire. Conclusão? Deveria obviamente ter ido ver os Portishead. Os Arcade Fire descrevi via sms para amigos como “a puta de um orgasmo colectivo em que era pena ter calças”. Estava a caminho do festival a ler uma entrevista dos ditos ao ípsilon em que eles diziam que não se lembravam de terem dado um concerto em que chegassem ao final e não tenham gostado minimamente do seu desempenho (ou algo do género). A verdade é esta. Os Arcade Fire têm uma manancial de músicas que sendo minimamente bem interpretadas não deixam ninguém indiferente. Depois divertem-se e parecem divertir-se imenso com o que fazem. A alegria da música está presente na atitude deles e passa osmoticamente para um público que já desde inicio está conquistado. Não sei se este concerto foi melhor que aquele que eles deram em Paredes de Coura. Desse só vi o vídeo e desde que vi tal vídeo só queria ver Arcade Fire ao vivo. Os vídeos que tive a picar do Youtube podem causar o mesmo efeito em pessoas que não estiveram presentes. Sim foi muito bom, tal como o outro parece ter sido. A diferença é que o outro se calhar poderíamos classificar como histórico (primeiro concerto, pouca gente a ver, pessoas que ficaram surpreendentemente em delírio, segundo a organização na altura custaram 15 mill euros, hoje em dia andam nos 500 mil!!). I wish I was there. Houve quem relatasse problemas de som neste concerto. Isso não notei. Ou porque estava bem localizado ou porque estava demasiado aditivado para o ter percebido. Sinceramente penso que terá sido pela primeira razão. Depois, dei um salto aos Chromeo. Tive lá pouco tempo. Estava me apetecer algo mais dançante e dirigi-me para a electrónica onde o “velhinho” (sem despudor mas foi dos primeiros djs que comecei a ouvir) Sven Vath cumpriu e manteve uma noite animada. Dia seguinte, já vindo da praia, ainda apanhei algo dos X-Wife. Depois vieram os Paus que foram das bandas que melhor impressão me deixaram em todo o festival. Pena não terem reportório para mais tempo. Foi curto mas bom. Um romance que merece ser reatado. Depois veio Junip. Mas ao mesmo tempo estava Brandon Flowers. O meu dilema era grande. E com muita pena minha perdi grande parte do concerto dos Junip. Pensei que Brandon Flowers era um concerto interessante para ter uma pequena fila no multibanco e levantar dinheiro e acho que não me enganei afinal demorei só 40 minutos e no final quando olhei para trás a fila era muito maior do que quando lá entrei. Ainda apanhei o final de Junip. Ainda fui dar uma espreitadela a Elbow mas acabei no Ian Brown. Não considero que isto tenha sido um erro. OK. O homem não meteu nenhuma dos Stone Roses (que era o que eu queria), as músicas tiveram problemas (penso que duas ele interrompeu e recomeçou). Inicialmente ele não conseguiu cativar muito o público embora mais para o final tenha conseguido os melhores momentos do concerto. Em compensação ver Ian Brown em palco é super engraçado. Madchester ao máximo. O dançar muito à Bez, o levantar de braços à hip-hoper, os constantes “fuck you” que soam a “thank you”, o fato de treino e como cereja no topo do bolo, ele saiu do palco e de repente volta para o palco pega no microfone e sai-se com um “nice trees you got here” (Gosto disto!). Algo que eu não consigo nem consegui alcançar. Depois vieram os The Vaccines que tiveram o azar de estarem à hora dos Strokes. Para os muitos fans dos ingleses até terá sido bom (e muitas t-shirts destes por lá andavam) mas para quem queria ver os dois concertos e teve que optar como era o meu caso não terá sido tão bom. Os próprios tiveram essa percepção e logo na segunda música avançaram para “Post Break Up Sex” de modo a segurarem mais audiência (digo eu que terá sido por isto que colocaram o grande êxito logo na segunda da poll). Pouco depois já estava nos Strokes. Um concerto competente sem encore (para minha desilusão, mas que me parece condizente com a atitude e postura e imagem de Casablancas e ainda para mais, quando dentro do grupo, ao que parece, eles nem se falam). Ao contrário dos Arcade Fire este foi um concerto em que estive com os sentidos mais dispersos. Gostei bastante, mas os meus momentos preferidos estiveram muito à base de “Is This It”, com o meu ponto alto no “Take It or Leave It” (o único que arranjei de jeito no You Tube foi de um concerto à posteriori em Paris). Para acabar a noite fui para a electrónica. Estava suficientemente cansado para ter estado de olhos fechados (sim dormi um bocadito em pé e tive que fazer uma cura de Red Bull) durante os tugas (Zé Salvador e João Maria) embora estes tenham estado extremamente bem no pós Vilalobos. Vilalobos esteve super competente e manteve a tenda em alta. Em relação a Sven Vath conseguiu deixar o minimal morrer menos e manter cadencias mais elevadas.
Dia seguinte, bateria do telemóvel em baixo, boleia perdida, autocarros perdidos, e deixei um taxista todo contente. Atribulado, tal como tudo o resto…

