domingo, outubro 28, 2007

Só agora reparei. Isto já tem um ano! Mas que maldade!!!

XTC – Making Plans For Nigel
XTC – Dear God

Há uns 2/3 anos, li numa revista, cujo nome agora não me recordo, sobre estes rapazes. Saquei estas 2 músicas, e foi amor imediato, elevei logo os XTC à categoria “de uma das minhas bandas preferidas”. Só de seguida, ouvi os álbuns, e o entusiasmo desceu um niquito de nada. Os álbuns que eu ouvi, tinham pérolas semelhantes a estas duas, e todas as músicas se ouviam muito bem, mas estas 2 são perfeitas, perfeitas, perfeitas…
Daí acho bem, destacar estas 2 músicas, para que haja mais alguém que caso não conheça esta banda, possa ter pelo menos um percurso semelhante.
No fim das contas, os XTC são uma das minhas bandas preferidas, e “Dear God” um aconchego à minha alma (e isto é para não cair na tentação de dizer que é uma das canções da minha vida, porque não sei se isso existe mesmo).
“Making Plans For Nigel”, é uma cançoneta pop, com uns riffs de guitarra bem aplicados, nela fala-se de alguém, que faz planos para o futuro de Nigel, afinal ele precisa de uma ajuda. Esta música faz um paralelo, com a vida de quem a escreveu, o baixista, Colin Moulding, que se inspirou, no facto de o seu pai, também o ter pressionado, mas neste caso para estudar, ter um futuro em termos universitários, no facto de querer que o filho ande com o cabelo todo certinho, e por aí fora. And if young Nigel says he's happy/ He must be happy/ He must be happy in his work. Obviamente, se ele o diz… com certeza que não está feliz.
Já “Dear God” é um hino, é uma música doce, cujo início é cantado por uma criança de 8 anos, e em que para além desta, também participa a voz de Andy Partridge, uma guitarra acústica, uma bateria e um violino que nasceu para embelezar esta música. A música é uma carta dirigida a Deus, em que se questiona a sua existência. Gosto tanto da música, e acho a letra tão bem conseguida (acredite-se ou não em Deus, tem que se reconhecer que mesmo para os que acreditam, este tipo de pensamentos são racionais, e provavelmente já lhes passaram pela cabeça), e com versos de tanta beleza, que eu (principalmente para encher chouriços!!!) vou transcrevê-la:

Dear God,
hope you got the letter, and...
I pray you can make it better down here.
I don't mean a big reduction in the price of beer
but all the people that you made in your image, see
them starving on their feet 'cause they don't get
enough to eat from God, I can't believe in you

Dear God, sorry to disturb you, but... I feel that I should be heard
loud and clear. We all need a big reduction in amount of tears
and all the people that you made in your image, see them fighting
in the street 'cause they can't make opinions meet about God,
I can't believe in you

Did you make disease, and the diamond blue? Did you make
mankind after we made you? And the devil too!

Dear God, don't know if you noticed, but... your name is on
a lot of quotes in this book, and us crazy humans wrote it, you
should take a look, and all the people that you made in your
image still believing that junk is true. Well I know it ain't, and
so do you, dear God, I can't believe in I don't believe in

I won't believe in heaven and hell. No saints, no sinners, no
devil as well. No pearly gates, no thorny crown. You're always
letting us humans down. The wars you bring, the babes you
drown. Those lost at sea and never found, and it's the same the
whole world 'round. The hurt I see helps to compound that
Father, Son and Holy Ghost is just somebody's unholy hoax,
and if you're up there you'd perceive that my heart's here upon
my sleeve. If there's one thing I don't believe in

it's you... Dear God.

Em 76, Andy Partridge (guitarrista e voccalista), Colin Moulding (baixista e também vocalista) e Terry Chambers (baterista) fundam os Star Park, em 77 mudam para Helium Kidz e admitem Barry Andrews (teclista). Depois de terem sido recusados pela CBS Records, tornam-se finalmente XTC e assinam pela Virgin e lançam o primeiro EP, “3D” em Outubro de 1977, o primeiro álbum foi logo a seguir “White Music”. De seguida o teclista sai e é substituído pelo guitarrista David Gregory. Em 82, Partridge cai em palco devido à exaustão, 1 mês depois volta a ficar KO devido a uma úlcera no estômago. Depois destes acontecimentos a banda cancela a tournée levando a que Chambers abandone o grupo. Ainda nesse ano Partridge anuncia que os XTc iriam deixar de tocar ao vivo, concentrando-se só em gravar álbuns em estúdio, devido ao medo deste em relação aos palcos. Desde 77 até hoje (banda supostamente ainda existe) conto 21 álbuns sendo que “Making Plans For Nigel”, está contido no 3º disco da banda “Drums and Wires” (1979), e “Dear God” está contido em “Skylarking” (1986), o 8º disco da banda que foi muito mais amada pelos críticos do que pelo público em geral.

terça-feira, outubro 23, 2007

E que tal o cliché: “dEUS é grande”

dEUS - Bad Timing
dEUS - What We Talk About (When We Talk About Love)
dEUS - Nothing Really Ends

Apetecia-me antes estar a falar de algo novo, e com certeza que há muito “novo” para falar, mas a ditadura da “música na cabeça” (que passarei a chamar de “head music”, já que soa bem melhor), obriga-me (imaginem que a música é uma pistola, e pensem nos regimes extremistas quer de esquerda, quer de direita, e conseguirão perceber a minha delirante obrigação) a falar de sons que recorrentemente e com alguma frequência me invadem a cabeça, vindas de uma memória qualquer antiga, que não consigo relacionar com nada, ou então muito provavelmente vindas mesmo do nada. Isto porque hoje estava muito bem no meu trabalho de “tio”, quando o som da musica nº 1 (e eu acho que tenho uma tara qualquer (a frase podia muito bem acabar aqui) pelas primeiras músicas dos cd (o que no Winamp, faz, com que me baste alterar a ordem da playlist para passar a gostar de uma música) do cd “Pocket Revolution” dos dEUS, me volta a conquistar alguns neurónios do cérebro. Isto, porque só o inicio dessa musica me deixa assombrado, os adjectivos, fantástico, poderoso, e mais alguns elogiosos, aparecem-me à frente dos olhos, à espera, de serem ditos em voz alta. Este é um cd que já não ouço à algum tempo, e que portanto nunca destaquei, mas é um dos meus preferidos, e apesar de não saber se as criticas foram boas ou más, coloco-o a um nível alto. dEUS é um das minhas bandas preferidas, esta preferência fez-me comprar em conjunto com o Público, “Para Onde O Vento Sopra”, o filme alucinado/alucinante de Tom Barman, vocalista dos dEUS. Esta preferência, a par de uns filmes (de titulo, que agora não me recordo) de Jean-Luc Godard, que há uns anos passavam na 2, e pelos quais, eu tinha um certo fascínio, são algumas das causas que me levam a ter curiosidade em ir à Bélgica.
A música a que me referia em cima, era “Bad Timing”, mas para destaque, podia dizer as 12, por isso pensei nas 3 primeiras músicas que me vinham à cabeça do cd. Depois de “Bad Timing”, lembrei-me de “What We Talk About (When We Talk About Love)”, uma daquelas perguntas, com múltiplas respostas. Ao longo da música dão-se respostas, quer das simples quer das complexas. A mais normal conclusão a que eu chego é, que a resposta correcta é: todas as opções nomeadas acima estão correctas.
Para o fim fica a música que fecha o cd, “Nothing Really Ends”. Esta música já tinha sido lançada na colectânea, “No More Loud Music”, era aliás a única música original presente neste cd que comprei na Corunha, não imaginando (devido ao belo deita abaixo, muito comum entre nós), que tal cd de 2001, também já se encontrava cá no Burgo. Esta bela, calma, melancólica, e apaixonada música, rapidamente me apaixonou, ao ponto de eu conseguir inclusive, acompanhar a música do início ao fim, cantarolando-a. Uma daquelas músicas que de tão belas, merecem ser partilhadas. Eu próprio a tentei partilhar, mas a resposta, foi do tipo: “Parece as músicas que o meu pai ouve” (e isto até poderia ser positivo, não fosse, a entoação negativa dada à “coisa”. Vá-se lá perceber…
Os DEUS foram a primeira banda belga indie a assinar por uma major. Nasceram em Antuérpia em 91, e são compostos por Tom Barman (vocalista e guitarrista), Stef Kamil Carlens (baixista), Julle De Borgher (baterista), Klaas Janzoons (violinista) e Rudy Trouvé (guitarrista). Em 1994 lançaram o primeiro álbum “Worst Case Scenario”, depois em 1995, lançaram o muito experimental “My Sister Is My Clock”. Aqui saiu Carlens, e entraram Craig Ward (guitarrista) e Danny “Cool Rocket” Mommens (baixista), para em 97 nascer “In A Bar, Under The Sea”. Em 1999 sai o famoso “The Ideal Crash”. Em 2002 sai a compilação “No More Loud Music”. O interregno de álbuns de originais dura 7 anos (e muito deste tempo deveu-se ao facto de alguns membros terem “tirado um tempo” para os seus outros projectos) sendo interrompido por “Pocket Revolution”.

http://www.deus.be/ , http://www.myspace.com/deusbe



Tom Barman & Guy Van Nueten – Harry Irene
Tom Barman & Guy Van Nueten – Magnolia

Penso que aqui há uns anos, Tom Barman, fez uma digressão a solo, em acústico, e penso inclusive que passou por Coimbra, penso também, que nessa altura ao ouvir relatos sobre esses concertos, ouvi que a introdução de cada música, era do género: Esta música foi concebida sob o efeito de speeds, esta sob x, sob y , sob etc. Em 2003 saiu o cd “Tom Barman Live With Guy Van Nueten”, creio no entanto que este cd não tem a ver com essa digressão, mas como não tenho a certeza, admito perfeitamente que esteja simplesmente a fazer confusão, e Tom Barman não passou por Coimbra, mas isso também é o menos importante. “Tom Barman Live With Guy Van Nueten”, é isso mesmo, a junção de Tom Barman com o pianista/”keybordista” Guy Van Nueten, líder dos The Sands, e os espectáculos que deram em várias cidades europeias, estando aqui inclusive gravações feitas no Hard Club. Este disco contém 7 versões de músicas de dEUS, todas com uma roupagem mais leve (agora que se diz ao Verão: xau xau), para além de versões de outros autores, como é o caso da minha muy amada “Riverman” de Nick Drake, ficando contudo esta versão a léguas do original.
As músicas que eu destaco também são versões.
“Harry Irene”, é um original de Captain Beefheart, e é uma música muito humorada, com gargalhadas no meio, com interacção com o público, e com assobios (o que está muito na moda). Esta faixa está presente num segundo cd, de uma edição limitada deste álbum. “Harry Irene were a couple that lived in the green/ Harry Irene were a couple that ran a canteen/Ran a canteen/Ran a canteen”. Uma música perfeita para os amantes das Amarelas.
A segunda música é “Magnólia”, um original J.J. Cale, e é uma música muy romântica, e agradável, que fala da saudade de alguém que deixou alguém em Nova Orleans (esperemos que não tenha sido por altura do Katrina). “You're the best I ever had/You're the best I ever had”. E tá tudo dito.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Penso que já houve um la la la, por isso, terá que ser: Sons Onomatopeicos

The Rosebuds – Boxcar
The Rosebuds – Let Us Go
The Rosebuds – Outnumbered

Provavelmente não está aqui nenhuma canção da minha vida, mas muitas vezes o que faz canções passarem à categoria de “canções da nossa vida” são factos externos à própria canção e internos à nossa vida. No entanto uma coisa é certa (pelo menos para mim), todas as músicas ou quase todas as músicas de “Birds Make Good Neighbors”, são um bom pop orelhudo. Ainda hoje estava no “trabalho” e estava a cantarolar o “lalalala” de “Boxcar”. Aliás por serem aquelas, que mais ficam no período “pós escutar”, os meus destaques vão para “Boxcar”, “Let Us Go”, “Outnumbered”. Curiosamente (mas na verdade, talvez não) as duas primeiras músicas são, aquele tipo de músicas com repetições de sons onomatopeicos do tipo la la la; e eu gosto muito dessas merdas ultra simples, aliás enquanto ouço o “dom dom dom dom…” de “Let Us Go” tenho o inconsciente hábito de abanar a cabeça num tom algo paternalista. Já “Outnumbered”, música que ouço neste exacto momento em que estou a escrever, fez-me lembrar terrivelmente (mas não no mau sentido) Pixies, o que fez logo saltar o ecrã do meu computador para a página do “Allmusic” dedicada aos The Rosebuds, e lá estava: “influenced by: Pixies”. E a mim, este tipo de coisas, dá-me uma certa alegria, porque penso cá para mim: “afinal até tenho algum ouvido”. Em todo o álbum se fala de amor, mas tal como diz a “Pitchfork”, não é o “Big, Big Love” do primeiro álbum, mas sim: “There’s a lot of love in these songs, but it’s love in the face of a common enemy”.
Os The Rosebuds são um duo/trio norte-americano (Raleigh, Carolina do Norte) que se formou em 2001, após Ivan Howard (voz e guitarra) e Kelly Crisp (teclas) se terem conhecido nos tempos do colégio. Passou a trio com a adição do baterista Billy Alphin. Em 2003 sai o primeiro cd “Make Out” pela Merge Records. De seguida sai o baterista que é substituído por Jonathan Bass que por sua vez também é substituído para a gravação do segundo álbum o aqui já referido “Birds Make Good Neighbors” (2005). Já pela altura da edição do último álbum “Night Of The Furies” (2007) passaram novamente a duo. Neste último álbum, têm a colaboração de muitos amigos, como os Shout Out Louds.

http://www.therosebuds.com,
http://www.myspace.com/therosebuds

segunda-feira, outubro 08, 2007

Um dia igual a tantos outros

Psychic Ills – Untitled

Acordo ressacado, almoço, visto-me, ouço música. Deve ter sido no momento em que puxava as calças para cima, que reparo que estou noutro planeta, olho para o computador, e vejo que esse planeta se chama Psychic Ills – Untitled. O som é completamente psicadélico, a música é uma falta de senso instrumental, é aquilo que muita gente apelida de música (muito) estranha, ou então visada com belos piropos, tipo: “isso também eu fazia”. Não é uma música fácil, é com certeza a menos melódica do álbum, aliás o facto de não ter titulo, dá-nos indicações que é algo muito menos descritível que o resto das músicas. Com certeza que esta não é a melhor, mas também quem é que disse que eu gostava das melhores??? Além disso a música encaixou no momento com uma perfeição assustadora, com certeza que irá para o meu rol de músicas para ouvir ressacado.
O som caracteriza-se pela reunião de palavras como: sónico, tribal, esquisito, psicadélico, “jam sessions”, improvisação, caos, hipnótico.
Eles são um quarteto nova-iorquino, que era inicialmente (2003) formado somente por Tom Gluibizzi (guitarra e teclas), Três Warren (voz). Ainda em duo lançaram em 2004 “Mental Violance I”, após este álbum passam finalmente a quarteto, pela adição de Elizabeth Hart (baixo) e Brian Tamborello (bateria). Em 2005 sai “Mental Violance II”, que tal como o primeiro, saiu numa edição limitada em vinil. Estes 2 discos, foram compilados no cd “Early Violance” em 2006. Esta compilação tinha como bónus 2 novas músicas. Em Fevereiro de 2006, é lançado “Dins”, álbum onde aparece este “Untitled” .


http://www.myspace.com/psychicills

quinta-feira, outubro 04, 2007

Que shono...

Matias Aguayo – De Papel
Matias Aguayo – The Green And The Red

Foi um cd que figurou na minha cartinha para o Pai Natal no ano passado, mas como eu gosto de facilitar a vida ao Pai Natal, costumo-lhe indicar pelo menos uma dezena de cd, às vezes com prejuízo meu, mas enfim o que conta é a intenção, e se eu só quero x cd não deveria ter inscrito y. Depois desta conversa é fácil de adivinhar que “Are You Really Lost?” não foi um dos cd “sorteados”. Depois de ouvir o álbum, vejo que há muito boas razões para o cd ter figurado na minha lista. A conclusão disto tudo é que há milhares de bons cd e tu não podes ter todos. Paciência, ninguém costuma morrer por causa disto.
Matias Aguayo fazia parte dos Closer Musik, até que a relação tensa com Dirk Leyers fez o projecto chegar ao seu termo. Agora a solo, Matias Aguayo lançou o seu álbum de estreia, “Are You Really Lost” (2005), álbum calmo e algo negro. Já no entender de Matias é um “álbum com música para a cidade e para a noite”; para outros, é um álbum para “ouvir com “headphones” e a um volume normal”. O álbum foi produzido pelo próprio e por Marcus Rossknecht. As músicas têm letras com pouco sentido, e as que eu destaco são: “De Papel”, um titulo curioso, mesmo tratando-se de um chileno, que logicamente vive no sitio mais provável do mundo, para alguém da música electrónica, ou seja a Alemanha, (e já agora edita, pela importante “Kompakt”, a editora de Colónia de Michael Mayer), e “The Green And The Red” (e foi há tão pouco tempo o Benfica – Sporting). A primeira tem um início que me entrou automaticamente para a cabeça, principalmente pela musicalidade do som dos primeiros momentos (e aqui incluo a voz muito “bem metida”). A segunda fala da história de algo vermelho que no final vai sentir sentimento da afeição pelo verde (com certeza que esses “algos” não são nem o Benfica nem o Sporting).