Nos últimos dias a música que mais ouvi foi “I Talk To The Wind” dos King Crimson. Eu também não gosto de falar com o vento. De vez em quando falo com o vento, não por querer mas porque o vento assume de vez em quando formas inesperadas. Falo, falo, falo e nada, é só ar. Como não gosto que me faltem ao respeito normalmente mando o vento ir-se foder. Não sei se ele vai ou não porque quando mando alguém ir-se foder tenho por hábito virar costas e ir à minha vida. Não sei se o meu estado de espírito quando falo com o vento pode ser traduzido por esta música. Como descrevi em cima o meu estado de espírito é mais para uma fúria irracional do que para a tristeza aparente desta música. No entanto na ressaca da conversa com o vento e mais a frio assumo como é humanamente normal alguma tristeza. Não será por acaso que esta maravilhosa música foi a que mais ouvi esta semana. “Humanity at last”!
Os ingleses King Crimson (cujo nome é supostamente uma alusão a Belzebu) nasceram em 1968 em descendência de um projecto que o guitarrista Robert Fripp e o baterista Michael Giles mantinham. Na primeira formação juntou-se ainda o vocalista e guitarrista Greg Lake; o baixista, letrista e poeta Peter Sinfield (quem sugeriu o nome) e o compositor Ian McDonald. E esta é a única formação dos Crimson a que vou aludir. Isto porque até aos dias de hoje perante as várias mortes e renascimentos dos Crimson e mesmo quando não houve ciclos de vida, as formações foram mudando de uma forma a que a alusão a todas as formações dos Crimson me seria penosa. Podemos dizer no entanto que o elemento gerador de vida, o deus do mundo dos Crimson é Robert Fripp já que é o único que ainda se mantém. Como ele uma vez disse, os Crimson são “uma forma de fazer coisas”. O primeiro álbum nasceu em 1969 e chamava-se “In The Court of the King Crimson” e foi considerado pela Pitchfork como um dos 100 melhores álbuns da década de 70. Inovador, com introdução de elementos de música erudita e de elementos de Jazz no rock, deu as primeiras pistas para aquilo a que hoje chamamos o rock progressivo. Desde esse primeiro passo até hoje são segundo o “allmusic” 37 álbuns e a influência sobre variados projectos dos nossos dias.
Ps: E como eu gosto de ver onde certos artistas de hip hop e djs vão picar sons, aqui fica "21st Century Schizoid Man" e "Power" de Kanye West





