segunda-feira, agosto 31, 2009

Brrrrrrrrrrrrrrr.......



Jens Lekman – A Postcard to Nina

A Lugar Comum, trouxe pela primeira vez a Portugal o sueco Jens Lekman. Houve um concerto (tudo ainda em Julho, mas há quem ande atrasado em relação a tudo na vida, é este o caso) em Coimbra e no dia seguinte no Porto. Eu por razões geográficas, fui obviamente ao salão Brasil em Coimbra. Vinda alarmada, pelo facto de o cantor ter contraído gripe A na digressão pela América do Sul, facto de que só me lembrei depois de ouvir um espirro humorado da audiência já bem para lá da metade do concerto, e também pela fobia que se instalou nas mães deste país em relação a concentrações de massas (mal sabia ela a história do rapaz sueco na América do Sul). Ora bem como já deu para se perceber (aka concentrações de multidões), o salão Brasil estava bem repleto, faltando somente grande parte do “merchandising” relativos a Jens Lekman, que se restringiu aos “posters” da digressão e a “pins”. A abrir a australiana Pikelet (“made in Melbourne” a actual residência de Jens e segundo ele em entrevista à RUC, a cidade australiana mais efervescente da cena musical australiana). A australiana em com a companhia ocasional de um amigo, teve uma actuação simpática, usando muito a colagem de samples feitos na altura (o que fez, com que actuasse descalça, número já muito visto por estas bandas). Da actuação gostei muito de alguns momentos, e recordo uma música ternurenta que penso que se chamava “My little friend” (se assim não for peço desculpa). Comprei o Ep (cuja caixa era desenhada pela própria Pikelet, o que fazia com que todas as caixas fossem diferentes) que me desiludiu.
Depois entrou Jens Lekman com Viktor Sjöberg. Jens apresentou-se assim só com Viktor em vez de uma banda, facto que Jens na mesma entrevista disse que poderia ser vantajoso tendo em conta que se poderia improvisar mais (utilizou mesmo a expressão Jam Session). Viktor encarregou-se de usar os sintetizadores e os samples, dando uma matriz às músicas enquanto Jens lhe colocava o dedilhar de guitarra, a voz e por vezes o batuque da pandeireta. Já não me lembro do alinhamento completo do concerto nem qual foi a primeira nem qual foi a ultima. Do que me lembro, o concerto andou muito à volta de “Night Falls Over Kortedala”, mas lembro-me de ouvir também o divertido “A Sweet Summer's Night On Hammer Hill” (impossível não cantar “Bomp-a- Bomp-a-Bomp-a…); “Maple Leaves”; “Black Cab” e a finalizar o conhecido “You are the Light”, e com certeza, que houve mais, mas Julho já lá vai. O concerto na generalidade foi muito bom (penso mesmo, que dos mais conseguidos que já vi), com uma grande interacção com o público, desde uma das raparigas da Lugar Comum a traduzir “A Postcard to Nina”, a uma rapariga do público no palco a batucar numa pandeireta durante uma música; a pena que Jens mandou para o ar e que pediu para o público através do sopro não deixasse cair no chão (o que se revelou muito irritante para quem estava à frente (como era o caso), já que a pena não saía daquela área, e não deixava que as pessoas se concentrassem na música); o constante humor, traduzido por palavras e pelas caretas, e no final fotos e autógrafos (interacção da qual tive o prazer de usufruir). Deu para perceber que a generalidade do público estava muito satisfeito, tal como Jens, e quando assim é… Em termos musicais foi muito competente, tendo se adaptado muito bem ao público (dá para perceber que não começou ontem), e surpreendeu (pelo menos a mim), já que uma pessoa que ouve Jens no disco, vê uma coisa muito calma, cuja a única dança que nos vem á cabeça, são aquela muito ternurentas tipo desenhos animados infantis, por isso, quando um colega me disse que Jens queria actuar em espaços pequenos, para colocar as pessoas dançarem, eu pensei, “Tá bem, tá…”, no entanto durante o concerto houve dança e houve saltos. “A Postcard to Nina”, não foi para mim a canção mais conseguida, mas no entanto foi para mim, a partir desta música que o concerto começou a entrar no reino do fabuloso. Além disso era a música que mais gosto de “Night Falls Over Kortedala”. A música ao vivo, é me todo surpreendente. Jens e Viktor colocam a música num tom mais pausado, e Jens conta a sua história com Nina (versão acrescida dos director’s cuts em relação ao álbum), de vez em quando alterna a conversa com o cantar do refrão, a parte mais barulhenta da humorada história. Toda a história contada, vai sendo traduzida por um nativo da região onde Jens canta, ele diz que gosta de ouvir como a musica soa em outras línguas (tal como faz em todos os países a que vai, devendo com certeza os países anglófonos ser a excepção). Esta única experiência, redonda em sorrisos por parte do público. Sem dúvida que foi um concerto bem-humorado. Gostei!
Jens nasceu na Suécia e é um dos mais dignos representantes da música pop. A sua música é muito melancólica, humorada e romântica. De 2000 a 2003 gravou a sua música em cd-r. Em 2003 lançou o vinil “Maple Leaves Ep”, que no final de 2003 foi lançado em cd, nessa altura já Jens era um nome conhecido na Suécia. Em 2004 sai o primeiro álbum “When I said I Wanted to be your Dog”. Em 2005, sai uma compilação de Eps já editados de nome “Oh you’re so Silent Jens”. Em 2007 editou o seu ultimo álbum até agora “Night Falls Over Kortedala”
Procurei no Youtube imagens do concerto de Coimbra, mas as muitas máquinas que vi a filmar forma tímidas e Sá arranjei imagens do concerto do Porto. Por estas poucas imagens que vi, o de Coimbra foi melhor, mas dá para ficar com uma boa ideia (a tradutora em “A Postcard to Nina”, foi a mesma).
















http://www.myspace.com/ovalyn, www.jenslekman.com/, www.myspace.com/jenslekmanmusic

segunda-feira, agosto 10, 2009

Quem muito trablha e muito descansa tem ancas estreiras

Gui Boratto – Take My Breath Away
Gui Boratto – Colors
Gui Boratto –No Turning Back

No dia 26 de Junho (já há muito, muito tempo) Gui Boratto actuou no Via Club em Coimbra. O espaço estava repleto e eu fui uma das pessoas que ajudou a perfazer o espaço. E como não? Tinha acabado de comprar o vinyl do senhor (atenção o vinyl), o que me pareceu um bom negócio. Por mais 3 euros em relação ao cd, comprei o vinyl, que trazia incluído também o cd. O vinyl é composto por dois disco, com 2 músicas de um lado, e 1 de outro. A realçar o facto de haver uma faixa que está gravada a uma velocidade diferente das outras faixas (está a 33 rotações e não a 45) o que é um bocado insólito, fazendo-me questionar se está assim de propósito, ou se terá sido uma falha na gravação, mas também não é nada que me apoquente muito. Portanto já deu para perceber; eu gosto muito de Gui Boratto. Aliás eu acho o minimal de Gui Boratto tão acessível, que me espantou o facto de tantos amigos meus, cujos gostos redundam na música electrónica, não gostarem mesmo nada da música do senhor. Gui Boratto, para além de músico, também é arquitecto. Eu também lhe chamaria, arquitecto da música electrónica, que me parece um epíteto muito correcto, já que quando ouço a sua música, a estética me vem sempre à cabeça, “Que sons bonitos!”. A música do senhor faz-me sempre lembrar algo como uma fusão entre as “ambiências da música ambiental” e o minimal. Há sempre algo de progressivo nos ritmos de Gui Boratto, parecendo quase sempre que nos está a contar uma história. O festival de Viana do Castelo Anti-Pop, agora chama-se Neo-Pop (aliás já esta quinta, vai actuar James Holden, provavelmente o gajo no minimal, de quem eu mais gosto, mas que infelizmente não irei poder ver por já ter coisas combinadas há 3 meses para esta semana, porque raio não fizeram o festival aquando do ano passado, ou seja logo a seguir a Paredes de Coura (ou terá sido este que foi mais cedo??)), sendo que pop, não é mais que a música popular, e que a música electrónica num futuro (quem sabe se próximo ou longínquo), pode até se tornar numa música de massas (imaginemos aquelas sociedade completamente robotizadas, em que não há lugar para nada “orgânico”), então, se aparecer alguma vez esse Neo-Pop, acredito que a música de Gui Boratto, por ser tão acessível (aos meus ouvidos, está claro!), irá ser das primeiras a ser catalogada de Tecnho Minimal-Pop. Quanto ao cd, tem 11 faixas, e eu adoro-o. Coloco-o ao nível do aclamado, primeiro longa duração de Gui Boratto, “Chomophobia” (2007).
“Take my Breath Away” (2009), deixa-me realmente sem fôlego. Das faixas a destacar, vou dar enfoque a “Take My Breath Away”; “Colors” e “No Turning Back”. A primeira faixa e que dá titulo ao álbum, é aquela, que na minha opinião se identifica melhor com Gui Boratto de “Chromophobia”, é a mais tecnho minimal de todo o álbum, e aquela que mais convida para dançar, embora comece bastante calma, vai ganhando ritmo, mantendo ao longo da faixa as variações mínimas de sons que lhe dão grande estética.
“Colors”, é para mim a música mais melódica de todo o álbum, a que melhor nos conta uma história, a que melhor se enquadra, quando uma pessoa precisa de pensar.
“No Turning Back” é a música análoga a “Beautiful Life” de “Chromophobia”, é a única do disco que tem voz, e mais uma vez a voz pertence a Luciana Villanova, a mulher de Boratto. Assente sobre um ritmo contagiante, a música é marcada pelos sons de um baixo, os sons de um piano, e as distorções melódicas que aparecem a seguir às vocalizações e que funcionam quase como refrão. È a música mais acessível, e com maior poder de extravasar as fronteiras do minimal, atingindo outros públicos, sendo na minha opinião superior a “Beautiful Life”.
Gui Boratto nasceu em São Paulo, tendo começado a carreira em 1993, no meio publicitário. De 1994 a 2004, com o seu irmão Tchorta e Patrícia Coelho, fazia parte de banda Sect. Também fez alguns trabalhos na produção (tendo em conta que trabalhou para várias editoras) de álbuns de artistas que pouco tinham a ver com a música electrónica, como foi o caso de Chico Buarque, Fernanda Porto, etc…. Ele e Tchorta criaram a editora Mega Music em 2002, de modo a divulgar artistas brasileiros da música electrónica. Os seus álbuns são editados pela alemã Kompakt de Michael Mayer.
Quanto ao Live act na Via, este começou pelas 4 horas, e acabou pelas 6 horas. Eu posso dizer que gostei bastante, e que retirei bastante prazer momentâneo. No entanto, não estava em grande estado, e não estive atento a pormenores, nem com capacidade para reter grandes informações para depois poder divulgar. Lembro-me que o último álbum esteve presente, e que finalizou salvo erro com o hit “Arquipélago”. Posso no entanto dizer, que me fartei de dançar. Qual é o melhor elogio que se pode fazer a um live act???

















www.myspace.com/guiboratto ,www.guiboratto.com.br