terça-feira, setembro 25, 2007

Myspace 1

Após curta mas dolorosa pausa, vou retomar com um post que é ele próprio, uma retoma de algo que se iniciou há cerca de 3 meses.
O myspace, é um fenómeno interplanetário, é a forma de divulgação de música sem passar por editoras por rádios televisões ou seja sem passar por um seleccionador, eu diria que na minha opinião que é uma globalização que o pessoal de Davos tolera e aplaude, por muito controverso que isto possa parecer.
Pela simples aprovação por parte de internautas (por muito pouco simples que isto possa parecer), nasceram fenómenos sendo os mais visíveis Lily Allen, Arctic Monckey, e Clap Your Hands And Say Yeah (em Portugal Buraka Som Sistema). Hoje em dia, o myspce já não é o sítio, onde divulga musica quem não consegue divulgar em outro lado, quem não consegue fazer concertos etc, hoje em dia até os mais conceituados músicos têm pagina myspace, e quem fala em músicos, fala em actores (de todo o tipo de filmes (Jenna Jameson)), escritores, todos os mais variados artistas, e pessoas ordinárias (ou seja comuns). Como uma vez disse o Álvaro Costa nos “Bons rapazes”, o myspace é um mundo em que se levaria uma vida a explorar (eu diria que isto não é mais que um sinonimo de net), na sua imensa grandeza nós nos sentimos perdidos (e com razão). Mas o myspace, ainda é música e divulgação, e qualquer pessoa que o explore há-de encontrar coisas interessantes, mais ou menos interessantes, e nada interessantes (eu diria que isto é um sinónimo de vida). Também eu o exploro, e encontro coisas novas, realmente novas, como indicam às vezes os 1000 visitantes, ou o facto de não existirem musicas dos artistas no emule, alias já criei nos meus favoritos a pasta, musica que ainda não há no emule. Não pretendo dizer que estes artistas que me pareceram interessantes tenham hipótese de algum dia vir a serem estrelas (aliás, eu duvido muito que o venham a ser), mas enfim já que gostei de ouvir as músicas deles, porque não divulgá-los (eu diria que isto é um sinonimo de seleccionador).
Provavelmente muitos de vocês (que são imensos!) no final dirão que estas músicas são sinónimos de merda, mas e então, o que é que se interessa, que se lixe, sempre pode ser que gostem de alguma.


Cake on Cake – Sea-Microphone


Só me entusiasmou verdadeiramente esta música (contida em “I Guess I Was Daydreaming”), embora todas elas tenham na minha opinião um certo interesse, mas a música aqui referida é a única que aos meus ouvidos soou a “realy catchy”. Trata-se de um pop melódico, calminho, muito jeitoso para quem quer acordar aos poucos, tendo pedacinhos de electrónica na composição, e um voz doce que cai bem na música.
Cake on Cake é o projecto a solo da sueca Helena Sundin (que também é artista), ela produz a música a música sozinha em sua casa/estúdio, usando uma panóplia de instrumentos. Ao vivo as coisas como é óbvio já não se passa assim necessitando da ajuda de amigos e da sua irmã Kristina Sundin.
Dentro do que se pretendia neste post, se calhar Cake on Cake já tá fora do contexto visto, que já tem uma editora, Desolation Records (deve ser uma alegria dizer o nome da sua editora a alguém), e já lançou os cds “I See No Stars” em 2005, “I Guees I Was Daydreaming” em 2007, em 2006 foi o Ep “Sun-Chairs”, e até já tem um cd de remisturas “No Holiday Place”, lançado em 2007. No entanto, ainda não arranjo a arranjo a música no emule…
Mas também não faz mal, ela no Myspace e no seu site disponibiliza músicas (e não são poucas). Para quem gostar…

http://www.cakeoncake.com/, http://www.myspace.com/cakeoncake, http://www.helenasundin.com/


Yuka Honda – Humming Song (Alone Together)


Esta também é daquelas que tem alguma notoriedade, inclusive no emule, há uma música de Sean Lennon que conta com a sua contribuição, mas em nome próprio: niente. A música anda à volta do experimental, jazz, e uma electrónica com o seu quê de ambiental. A música seleccionada, algo repetitiva, soa a suave, e faz-nos abanar a cabeça com todo aquele ar cool (o que inclui também um bocadinho de abanar de ombros). O projecto arrancou em 2006, e apesar de nova-iorquina, o nome não engana, os seus traços são orientais e a sua origem é muito provavelmente japonesa (após mais um pouquinho de pesquisa posso afirmar que nasceu em Tóquio e mudou-se para Nova Iorque em 1980). Apesar do seu nome a início nada me dizer, após uma pequena pesquisa, reparo, que é uma rapariga já com algum nome, afinal foi uma co-fundadora dos Cibo Matto (e estes, eu já conhecia). Já lançou 2 cd pela editora Tazdik, “Memories Are My Only Witness” em 2002, e “Eucadamix” (onde se encontra a canção acima referida) de 2004.

http://www.damoon.net/yuka/index.htm, http://www.tzadik.com/, http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=53199552


Queen Plasticine – “Untitled For Now” (que já está intitulada, penso que com o nome de: “This Where You End”)

Vem de Londres mas nasceu no Quebeq, diz estar há pouco tempo em Londres, diz conhecer pouca gente e andar à procura de pessoas para a acompanhar ao vivo, diz que o nome é temporário e que está a ver se arranja um melhor (eu lhe diria que Queen Plasticine is just fine, ou pelo menos é suficiente), diz que em relação ao que o som dela soa, diz-nos que nós é que lhe devemos dizer, ora bem, eu lhe diria que soa a Sigur Rós, que ela nomeou como uma das suas influencias, influencia essa que a musica dela deixa transparecer; ok, não soa a nada de novo, se calhar nem é nada de especial, mas soa just fine (muito Joe Berardo), tal como os Sigur Rós a música embala-nos com a sua melancolia, é agradável ao ouvido, e a rapariga é muito agradável à vista. O facto de a música se intitular “Untitled for now”, o facto de ainda andar à procura de banda (já sabem se andarem por Londres e tocarem alguma coisa, mandem uma apitadela), mostram quanto embrionário é este projecto. Concluindo: Não me deixou maluco, mas foi o primeiro endereço que foi para a pasta, músicas que ainda não há no emule.

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=46592541


The Never Invited To Parties - Bicycle Ride

O nome da banda é dos mais engraçados que eu ouvi (mas atenção não sou totó ao ponto de dizer o nome e cagar-me a rir. É engraçadito). As músicas não são extraordinárias, estão extremamente mal gravadas, mas Bicycle Ride, é um projecto de canção razoável (quem sabe se bem gravada), mas transmite uma adolescência, uma jovialidade, bem agradável, e os sons são… engraçaditos. Estes rapazes e raparigas suecos, que aparentam ser ainda miúdos, são Karin, Karin, Alice, Agnes, Joanna, Henrik e formaram-se em 2006.
Porque é que estão aqui??? Bem adoro o nome, é assim… engraçadito.

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=97052032


Eu costumo deixar o melhor para o fim, em relação à comida é o mesmo, e por isso é com prazer que anuncio uma banda que eu achei EXTREMAMENTE interessante. Se eu fosse obrigado a apostar dinheiro (e só assim) na “banda do Myspace” que poderia vir a alcançar sucesso, a minha aposta era esta.

Basement Entertainment – Angel
Basement Entertainment – Naked in the rain


Dizem-se músicos de Bossa Nova, A’capella, e Bluegrass (um estilo de música americano, que foi importado directamente dos imigrantes das ilhas britânicas, tendo ainda influencia de jazz e blues, o facto de se caracterizar por ser completamente acústico, faz com que hajam semelhanças com o Folk). Provavelmente muitos não irão gostar, mas quem gostar, poderá realmente gostar. A música é super calma, melancólica, direi mesmo deprimente (a mais animada será “Naked In The Rain (apetece mesmo cantar “you could be naked in the rain”, e por mim estão à vontade, só não se constipem. A mais complexa em termos de instrumentos será “Long Time No See”, isto cingindo-me às músicas disponibilizadas no Myspacem músicas essas que dão para sacar).
Os Basement Entertainemet são Franceses, (cheguei até eles navegando num site irlandês qualquer do Myspace, porque será?), e segundo eles (e eles são: Mary-Agnes, Alex Banjo, Leo Bear Creek, Stanley Brinks, Adam Cotton, Freschard, Howard Hughes, Fred Mortagne, Billy Jet Pilot, Ben Lupus, Peggy, Carolina Van Pelt) tudo começou numa cave, numa noite muito animada, em que de um momento para o outro começaram a tocar musica, a gravá-la e a filmá-la. A aittude desta gente é toda muito Myspace, segundo eles o som soa a “Like fun” e em relação à editora, não precisam, afinal isto são pessoas que estavam, numa festa, numa cave, e que por divertimento começaram a tocar, mas às vezes a brincar a brincar, começam-se coisas sérias…
“Angel your not free, you are mine”, tra la la, tra la l ala.

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=186402544


A seguir a um 1 costuma vir um 2….

terça-feira, setembro 18, 2007

É sempre reconfortante saber que há alguém que sabe o que as mulheres querem

Girl Talk -Friday Night
Girl Talk -Minute By Minute

“I know what girls want, want, I know what they like, like, they want to stay up hey, and party all night”. E com certeza que a ouvir o cd de Girl Talk Night Ripper as raparigas e os rapazes também, têm razões para ficar toda a noite (de sexta e dos outros dias também) acordados a dançar, em festa, porque é isso mesmo que a música de Girl Talk é, um motivo para festa, como se fossem precisos motivos, ou seja é um bom condimento para festa, ou não fosse o facto deste senhor fazer mash-up, o que equivale a dizer no caso dele, que em cerca de 1 minuto ele passa umas 4 musicas ou mais, tudo numa salada, numa promiscuidade, capaz de excitar um morto. Assim para quem conhecer Hip-Hop (o que não é o meu caso), saberá que as palavras iniciais são de um tal de Juelz Santana contidas na música “Run It” de Chris Brown e penso que somente aí, mas eu também não conheço muito Hip-Hop, ora a musica que estamos a destacar não é de Juelz Santana mas sim de Girl Talk e sobre as virtudes do mash-up está tudo subentendido.
Na festa de Girl Talk, passa de tudo, desde bandas que me dizem muito como é o caso dos Smashing Pumpkins, Lcd Soundsystem, Pavement, Sonic Youth; há músicas que toda a gente conhece, de artistas que toda a gente conhece, assim de repente vem-me à cabeça, Oasis, U2, Snoop Dog, Missy Elliot, Madona, e um etc de mais de 150 samples que preenchem as várias categorias, estilos, e que nos permitem se estivermos para aí virados, brincarmos ou de quem é, de quem?
Girl Talk é Greg Gillis, americano (Pittsburgh) de 25 anos, que tem como disfarce durante o dia a fatiota de engenheiro biomédico, à noite (e não só, claro está) é um Dj que gosta de misturar muita coisa que muitas vezes pouco têm a ver. Além do muito trabalho em estúdio em que faz autênticas operações plásticas com samples tornando a música o mais dançante possível, ele também é conhecido pela energia ao vivo, pelas exortações em alta velocidade ao microfone, e por se despir até ficar em roupa interior enquanto dança e passa música.
Girl Talk faz mash-up de hits, mas ao contrário do que estamos habituados com os 2 Many Djs em que no máximo há uma mistura de quatro músicas numa música, Girl Talk mistura pelo menos esse número em um minuto de música, minute by minute, os samples vão-se acumulando e no final duma música podemos ter ouvido de 6 a 20 sons que nos fazem lembrar algo.
Começou a lançar discos em 2002 com “Secret Diary” um disco mais complexo, com certos momentos de brilhantismo, depois em 2004 “Unstoppable”, em que usou samples de musicas bastante conhecidas, mas em menor quantidade e de maior duração. O último álbum é “Night Ripper” (onde estão incluídas estas duas), e fica a meio caminho entre os dois primeiros. Também foi lançando ao longo do tempo remisturas e Eps.
Devido ao uso de samples, como já se está mesmo a ver, Girl Talk tem potenciais problemas com os tribunais (até agora tem tido poucos porque: "Nenhum artista que poderia implicar com alguma coisa no disco ouviu o álbum."), por isso é com certa curiosidade que contemplamos o irónico nome da editora que lançou os 3 álbuns de Girl Talk: Illegal Art.

www.myspace.com/girltalkmusic, www.girl-talk.net/, www.illegalart.net/girltalk

segunda-feira, setembro 17, 2007

Eu quero ser como uma data de gente, incluindo eu próprio


The Loveninjas – I Wanna Be Like Johnny C
The Loveninjas – Do me

Muitas vezes fala-se de música pop, mas na verdade o que é música Pop? Pop pode ser tudo, e não, não pode ser ao mesmo tempo nada. É claro que a maioria das pessoas associava Pop às canções que vinham do Reino Unido (pelo menos era assim que eu pensava quando era mais novo); músicas acompanhadas por guitarras e numa toada calma (não era só isto, mas penso que o pop britânico era uma boa catalogação do que devia ser pop). Felizmente, porque Pop não é só isto, já não se pensa bem assim, infelizmente, ao mesmo tempo porque o Pop serviu para catalogar toda a merda que aparecia à face da terras, e que as pessoas tinham necessidade de assim a catalogar para que não se achassem umas parolas só porque gostavam daquilo, afinal pop é popular, mas em Inglês. Bem este é a minha forma de pensar, se é correcta ou não, não faço a mínima, mas também não me importo muito, opinar ainda não paga impostos. Para mim que me mantenho fiel a pensamentos atávicos da minha infância, e logo não evolui, chamo pop maioritariamente ao formato canção, que era utilizado na Grã-Bretanha quando era mais petiz. Todo este encher de chouriços, foi só para dar destaque ao pop cristalino, imaculado, irónico, adolescente, sonhador e romântico dos Loveninjas, uma banda sueca, que penso que descobri no myspace e que me parece que são algo conhecidos (apesar das somente 21000 visitas ao seu site do myspace; bem mas se não forem conhecidos é uma grande injustiça, e eu à minha maneira vou ajudá-los!!!). As músicas aqui destacadas são: “I Wanna be Like Johnny C” e “Do me” (um titulo sempre bastante apropriado/apreciado).
Os Loveninjas são quatro rapazes suecos na casa dos 20 anos, mas que costumam dizer que são uma banda de quatro ou cinco pessoas. Logo por aqui vemos que são um caso interessante, mas como é óbvio não se ficam pelas simples dificuldades matemáticas. A banda iniciou-se em 2004 , quando o fundador do grupo criou a música “Sweet Geisha Love”, que era sobre uma jovem assassina que estava com um dilema, matar ou fazer amor. A partir daí decidiu escrever sobre sexo morte e raparigas japonesas. Depois decidiu convidar amigos para formarem a banda, três deles aceitaram. Também se decidiram em relação à indumentária, Olle costuma vestir-se de coração, enquanto que o resto da banda se veste de preto com uns corações colados na zona do peito. As músicas são alegres, solarengas, alegres, irónicas, muito bem-humoradas, com títulos que chamam à atenção (por exemplo “She Broke His Penis In Two”, que após o terror inicial, nos dá vontade de querer ouvir).
Tal como o nome da banda sugere, há uma grande “obsessão” destes rapazes pelo Japão, e principalmente pelas raparigas japonesas, às quais eu também acho uma certa piada, é claro que eu nunca responderia à pergunta: “O que é que vos atrai nas raparigas japoneses?”, com algo do tipo: “Elas são bonitas e têm estilo. Ouvi dizer que os pêlos púbicos são lisos. Gostaria de descobrir mais a esse respeito”.
As outras grandes inspirações destes rapazes são pornografia (dizem-se fãs dos anos 60 e 70), os filmes da Manga, e as tartarugas ninjas.
Portanto até aqui já podemos concluir que estes rapazes são meio estranhos e são meio tarados, ou seja nada que choque o meio musical.
Quanto às duas músicas aqui destacadas, podíamos defini-las numa palavra: orelhudas.
Em “I Wanna Be Like Johnny C”, uma doce música de batida rápida e vocalizações que lembram os anos 80, os Loveninjas fazem provavelmente uma homenagem à personagem de banda desenhada Johnny C, da série de banda desenhada “Johnny The Himicidal Maniac”. Este serial killer e assassino de massas, e que normalmente interactua com outras personagens torturando-as e matando-as, também aparece na séries de televisão “Invader Zim”.
Já em “Do Me”, a ironia não está aparentemente presente, é uma canção sobre o romance, a paixão e sobre o quanto o rapaz quer sair com a rapariga (provavelmente japonesa). Nesta suave canção, fica-nos uma frase a ecoar na cabeça: “But I want to go out with you” e eu acho que quem quer assim com tanta força (com que o rapaz canta), merece ter sorte, esperemos mas é que ele ao ouvir: はい, consiga perceber.
Concluindo que já se vai fazendo longo; depois de em 2006 terem lançado 2 Eps, “I Wanna Be Like Johnny C” e “Keep Your Love”, ainda no mesmo ano lançaram o álbum, (não há-de ser por acaso, pois não?) “Secret of the Loveninjas”. Álbum descrito pela sua editora, Labrador records, como: “is the finest dancey pop you’ll hear this year. It’s Shop Assistants, Pulp and Chris Montez’s A&M years through a soft disco filter. Oh, how much you will love this album.”; é claro que não podíamos esperar outra coisa de quem tem como por objectivo vender o disco (“the finest dancey pop you’ll hear this year”, “how much you will love this album”).
Já começa a ser um hábito eu achar que a Suécia em termos musicais (e também noutros aspectos ;)) é um país super excitante.

terça-feira, setembro 11, 2007

Entretanto, em Milão nasce algo!

Chemical Brothers – The Salmon Dance (Crookers remix)
Crookers - Limonare

Teria me dado mais jeito conhecer os Crookers há cerca de uns dois meses atrás, infelizmente só os conheci no dia 2 de Setembro, no programa “Bons Rapazes” da Antena 3, na altura, e porque só ouvi relance o nome do artista, ou melhor só ouvi parte do correspondente, visto que ouvi que era o novo single do novo dos Chemical Brothers, e lá fui eu ouvir novas dos Chemical Brothers, para chatice minha, o som que tinha ouvido, não o encontrava. Neste ultimo domingo, no mesmo programa falaram das remisturas da música Salomon Dance, boa! Já tinha o cartão agora só faltava que aparecesse o número que me permitisse fechar o cartão e dançar efusivamente bingo. Foi a remistura dos The Glimmers (que era a minha primeira aposta), e depois foi a remistura dos Crookers, Bingo! Esta busca pela música acabou por se revelar mais interessante, do que se a música me tivesse sido servida de bandeja, isto porque me permitiu ouvir o original (não me deixa por aí além), a remistura dos The Glimmers (na minha opinião pior que o original), e a remistura dos Crookers (bem acima de qualquer uma das anteriormente referidas, e tem a vantagem que se não estivermos muito atentos, não percebemos que é o tema dos Chemical, é na realidade uma música completamente diferente, é uma música para dançar, pular, ao contrario do original. A música é o caos instalado e só nos ocorre: “Uau” ou melhor “Wow”). Aliás para ver como é explosiva a música dos Crookers, pode-se ver os vídeos por eles disponibilizados no Myspace.
Os Crookers são dois rapazolas, Phra e Bot que se conheceram em Milão em 2003 e começaram a fazer música juntos. Já tinham ambos alguma experiência no Djing. Ambos começaram na música muito cedo; Bot com piano e guitarra e Phra com Dj (aos 11 anos) e Mc no movimento Hip-Hop. Ganham sucesso, e são chamados a fazer remisturas de vários artistas como os Chemical Brothers, Nelly Furtado, Arman Van Helden, Jamelia.
Eles praticam um House de batida bastante agressiva (mesmo como eu gosto, e que eu dificilmente descreveria como House, principalmente na remistura dos Chemical Brothers). Num site estava escrito sobre eles algo do género: É redutor defini-los unicamente como Djs, eles são inventores de música e de som, sendo o resultado sempre explosivo.
Para além das remisturas também já tiveram tempo para lançar três 12 polegadas: “End 2 End” (2006), “Aguas De Parco” (2007) e “Funk Mundial #3 (2007), este ultimo pela editora Man Recording, que é uma editora especializada em sonoridade brasileira, e que aproveitando o gosto desta dupla por este tipo de sons, pediram a estes para “fazerem” o volume 3 da série promovida pela editora: Funk Mundial. Neste cd podemos ouvir uma mistura de sons Funk carioca com música electrónica europeia.
Confesso que após ouvir as músicas presentes no Myspace, fico com a sensação, que estes rapazes têm músicas que eu aprecio bastante, e outras que têm partes que eu colocaria na prateleira “Gosto duvidoso”, mas pode ser que seja só eu que esteja a ser duro de ouvido, e amanhã tudo soará melhor. Isto porém não me impede de dar realce também ao single da nova Mix Tape dos Crookers (dirigida principalmente para as pistas de dança), single cujo nome é “Limonare”, uma música irónica, divertida, que fica na cabeça, e que começa bem com um som que me faz lembrar Sebastian, depois começa numa toada em que se revelam ao de leve as influencias Hip-Hop, e que com a voz algo “riscada” e angustiada da rapariga faz com que a musica desça um bocado na minha consideração, mas o inicio desta deixa-me maluco.
Enfim, a remistura dos Chemical é do caraças.


http://www.myspace.com/crookers



Il Deboscio – Frangetta
Italy is Burning Compilation – Roma is Burning

Agora referência para algo que me pareceu no seu conceito bastante interessante, mas que para não italianos, chateia rapidamente. Na busca de coisas sobre os Crookers, cheguei a uma compilação com um nome brutal: “Italy is Burning Compilation”. Achei ainda mais brutal, ao ver o nome das músicas que estão no cd, visto que a maioria delas se chamam, cidade italiana (aqui na forma de uma variável) is burning. A relação com os Crookers? Estes remisturam uma das faixas. Esta compilação proveu da colaboração de Linus (famoso dj italiano) e da Rádio Deejay, e contem “Frangetta” de “Il Deboscio”, uma música famosa nas discotecas italianas. A canção original referia-se à vida estereotipada duma rapariga de Milão (…colocas uns óculos grandes (daqueles escuros, a que eu chamo: “tipo mosca”), vais a uma festa da MTV, tens uma “Frangetta”, um Macintosh, e por aí fora). Nesta compilação pretendeu-se juntar todas as versões da “Fragetta”, de toda a Itália, versões estas que foram enviadas para o programa de rádio “Deejay chiama Itália”, nestas versões punha-se o enfoque nas cidades, de onde eram provenientes as versões. Apareceram as versões de Roma, Nápoles, Palermo, Turim, etc… Estas versões tiveram uma grande difusão e tornaram-se um fenómeno na Internet.
Ora e então porque é que isto acaba por ser uma chatice?? Bem a primeira música que ouvi foi o original, música essa que eu achei bastante engraçada e que puxa um “pouquito” a dança (“pouquito”, porque mais para o final a vocalização corta um pouco o ritmo, mas pronto, é bastante interessante). As versões são basicamente a mesma música mas com uma letra diferente, voz diferente, e cantada de maneira diferente, mas no entanto “assenta” sempre na mesma música, o que para quem não percebe italiano, torna-se irritante já que não é propriamente uma música que (eu) se consiga ouvir 21 vezes seguida (número de faixas do cd). O destaque deve-se então ao conceito muito interessante, à primeira impressão que a música me provocou, e ao trabalho que tive para conseguir perceber o que era este fenómeno, já que o cd saiu agora neste verão, e a maioria dos sites que falam nisto (para não dizer a totalidade) são italianos. Destaco então a original e a versão de Roma já que tem uma voz masculina provocando alguma (pelas razões já referidas, ténue) diferença. Frangetta é um single saído em 2007 extraído do cd “Milano is Burning” e que rodou muito na rádio Deejay pela mão de Linus.
“Il Deboscio” foi um projecto que nasceu em 2000 em Milão pelas mãos de David Columbo e David Scirocco. Em 2001 nasceu o http://www.ildeboscio.com/. Nos 2 anos seguintes é criada uma famosa marca homónima de roupa. Em 2005 com o Dj/Produtor Supernova, apareceu a etiqueta de Electro-Techno com sede em Londres e uma etiqueta discográfica para o mercado italiano.
Confuso?????
Se não ficaram estão melhores do que eu, mas enfim, acho que dá para ficar com uma pequeníssima ideia.

sábado, setembro 08, 2007

You gotta sing, when the spirit is sing, you gotta dance when the spirit is dance

Frivolous- Good-Bye Regrets
Frivolous- The Durt-Tape Mechanics

O fantástico (pelo menos é a minha opinião) “Midnight Black Indulgence” é o trabalho de estreia de Frivolous (aka Daniel Gardner), e é para mim, tal a quantidade de vezes que o ouvi nesta ultima semana um dos que irá ser dos cd do ano.
A musica a destacar podia ser o single que cumpre bem a função de single, para alem de ser uma excelente música, fica na cabeça, o seu titulo “Me and My Social Anxiety” (“it’s not you, it’s just me and my social anxiety”), é portanto uma pequena homenagem a todos que como eu se acham um bocado sociopatas, ou pelo menos a todos que como eu acham que tudo é um bocado anormal, e por isso pensam que são um pouco sociopatas (ou seja o que eu pretendo dizer, é que esta música refere-se a timidez e se calhar um bocadito de vergonha em termos sociais (o próprio autor o refere em entrevista; o que depois de ouvir a música torna-se um bocado aquela coisa “potato potato” (embora já não tenha bem a certeza do significado de tal expressão), ou seja óbvio), mas eu devido ao meu exagero neurótico, tenho a mania leviana de lhe chamar sociopatia, e por isso peço desculpa a todos os verdadeiros sociopatas, e já agora desejo-lhes tudo de bom (não vá algum tornar-se psicopata)). Bem mas o destaque (para não ser assim tão obvio como de costume) vai para “Good-Bye Regrets”, uma música de dança, calma, melódica perfeita para um abanar de ombros e cabeça meio gingão; e também para “The Durtr - Tape Meachanics”, uma música com um cariz hipnótico, mais dançante, mais espacial, sensual, com vocalizações e com elementos jazzisticos, algo que ao longo do álbum tem momentos claramente pornográficos (“aka” explícitos).
Daniel Gardner é um jovem canadiano (ou canadense, depende de como gostarem mais, já que parece que canadense, não é só no Brasil) de Vancouver, que devido às suas más notas na escola, pensou-se que tinha um dificuldade de aprendizagem, tudo mudou quando apareceu um novo curso, Composição de Musica Electrónica (algo que tornou as lições de piano que tivera anteriormente, em algo que pessoalmente útil), e de repente torna-se num bom aluno (a porra do interesse faz sempre a diferença toda). Em 96, com 16 anos, torna-se Dj residente em clubes de Vancouver, nesse momento, na cidade estava em alta a tendência do sexy house norte americano, house esse que tinha também ele um tendência em alta, o facto de tender para a vulgaridade. O na altura novo som minimal era visto pelas audiências como uma forma de arte efeminado (quem tiver mais algum significado para a palavra “poncy” para além de chulo, esteja à vontade), estilo esse que ele introduziu na noite de Vancouver sob o nome de Frivolous (que segundo o nosso autor é a palavra francesa para uma pessoa que gosta de brincar muito de uma maneira inapropriada). Mas esta coisa de tocar o que na altura não está na berra, é algo que caracteriza este senhor, referindo ele que depois de Vancouver, foi para Montreal onde toda a gente andava a passar minimal, e ele começou a passar musica com elementos jazz, dando mais uma vez uma volta de 180º no estilo. Depois quando ganhou finalmente coragem, Daniel enviou demos incompletos para 5 editoras Alemãs de renome no panorama da música electrónica, sendo que três delas, mostraram-se interessadas em gravar Daniel. Desde 2002, Daniel já lançou mais de 10 Eps, incluindo-se o cd “Somewhere In The Suburbs”. Em 2007 é editado o seu primeiro álbum “Midnight Black Indulgence”. Neste momento vive em Berlim. Neste álbum encontramos, a incorporação de instrumentos clássicos, vocalizações, found sounds, sons mais funk, e sons jazzy (“For me Jazz means a loseness and a feeling that can only be created by humans. It is the anti-machine. Even if it is sampled, it is usually for the quality of a magical moment that can't be graphed with 0-127 on time-code”), algo que revela uma séria influencia na música de Daniel, temos inclusive o muy sexy e muito adorado pelo que me toca, “You Gotta Sing”, que é na realidade um tema totalmente jazz, um tema perfeito para quem quer gingar sentado.
Resumindo: Tive uma pena enorme de ter sacado este cd.