A vida tem coisas curiosas. Algumas não serão curiosas. Nós tornamo-las curiosas ou achamo-las pelo simples facto de estarmos aborrecidos. Ontem ao jantar assisti ao discurso do senhor José Luís. Quem não conhece o senhor José Luís não fique melindrado. Eu também não o conhecia e não fiquei a conhecê-lo “per se”. Não o hei-de ver mais nenhuma vez e se o vir não creio que ele se recorde de mim ou dos meus amigos. Ninguém o levará a mal. O senhor José Luis é um velhinho simpático (e em dia de carnaval não se tentou mascara de rapazola) que gosta de andar de fato aprumado e com o seu adorável pin do Benfica que mostra ao que vem (engraçado o Word reconhece a palavra Benfica como um nome próprio ao contrario de académica. Tenho que mencionar isto ao senhor José Luís que irá me responder algo do género “É fruto da grandeza do glorioso”). No calor do jantar metemo-nos com ele e ele de sua livre iniciativa decidiu presentear-nos com um discurso. Digamos que foi bastante apropriado ao jantar que estávamos a ter. Tão apropriado como hoje eu e os mesmos colegas termos ido ver “O Discurso do Rei”. Só no final do filme realcei esse aspecto. É verdade ninguém tinha dado pela coincidência. E o discurso do senhor José Luís até tinha sido dos momentos altos da nossa noite (o que mostra a pobreza que é a nossa vida em termos de acontecimentos emocionantes e/ou dignos de nota). O filme é soberbo e com interpretações de alto nível. O momento alto, está claro, é o discurso que Jorge VI faz à nação aquando da declaração de Guerra à Alemanha Nazi. Toda essa sequência e montagem merecia no final um levantar da cadeira e um bater de palmas (ou seja basicamente coloca o discurso do senhor José Luís a um canto, mas fazer este tipo de comparações é claramente parvo, o que ao que parece me adequa à minha geração). Todo o discurso e toda a dinâmica de discurso com o imponente “Allegretto” em fundo criam uma enorme envolvência e emoção. Gostei o suficiente do momento para no final do filme sair do cinema a trautear a música. Perguntei a uma colega de quem era aquela música. Ela respondeu com um “sei lá Mozart”. Achei que não. Achei que num filme tão pormenorizando não iriam escolher um compositor germanófilo. Ironia, é o “Allegretto” do alemão Ludwing Van Beethoven. Bem, mas isso também não interessa nada afinal é um grande momento que me fez destacar esta música e este filme.
Ps: se o título vos faz pensar em simpatias clubistas, isso significa uma de duas coisas, ou não estiveram no tal jantar ou não conhecem a obra de Dr.Vitominas. O que significa que ainda serão pessoas com boa educação e que não gostam de humor aparentemente fácil. O que só vos enaltece…
Ps: se o título vos faz pensar em simpatias clubistas, isso significa uma de duas coisas, ou não estiveram no tal jantar ou não conhecem a obra de Dr.Vitominas. O que significa que ainda serão pessoas com boa educação e que não gostam de humor aparentemente fácil. O que só vos enaltece…
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