Um colega meu canta sempre “In December drinking hot chocolate”, e por muito que eu lhe diga que é Horchata, ele responde, mas que raio é isso, e mesmo sabendo que o que eles cantam é Horchata ele continua a cantar “hot chocolate”. Hoje, se neste momento ele me perguntar o que é Horchata, eu respondo: Horchata é uma bebida popular mexicana introduzida pelos espanhóis (o terrível império invasor) e da qual nós europeus não estamos habituados a ouvir. A Horchata mais famosa é a de arroz tendo como outro ingrediente principal o coco. Como não haveria deixar de ser é uma bebida não alcoólica. E por muito rock and roll que um “lanche” e uma lata de Super Bock possam parecer, ser 100% cool neste concerto parece ser bem melhor. O grande problema dos Vampire Weekend é serem uns copinhos de leite, mas o rock and roll deles, é na verdade 100% cool e não precisam de floreados. É um concerto para dançar, não para mosh, é um concerto agradável em que os ritmos africanos, base do rock dos Vampire Weekend, se apoderam das nossas ancas e nos obrigam a dançar com elegância. É um daqueles concertos em que não fica mal, estar com a rapariga amada. Não nos vai chatear por ter ficado com os pés esborrachados e vai poder efectivamente dançar (dançar mesmo e não aquela coisa de estar sempre aos saltos), algo que o género feminino tanto gosta. Em termos de palco são uma banda que interage pouco com o publico, cumprindo à riscas o manual de instruções que os discos nos oferecem mas com uma velocidade “À-Punk” (as musicas parecem “mais rápidas” do que nos álbuns). No final do concerto ficamos com a sensação que estivemos o concerto todo a ouvir hits o que é extraordinário se pensarmos que só há 2 álbuns. Na apresentação de “Contra” o primeiro álbum esteve presente com quase todas as musicais mais conhecidas exceptuando “Kids Don’t Stand a Chance”. Do último álbum só faltou “California English”, tudo o resto esteve presente. A musica que tinha maiores expectativas em ouvir era “Cousins” até porque provavelmente era a mais aparentada do meu radar auricular, mas para mim o momento da noite foi a ultima musica do concerto (e por conseguinte do encore) “Walcott” que meteu toda a gente em estado de euforia máxima. Também gostei imenso “One (Blake’s Got a New Face)”, “Diplomat’s Son”, mas torna-se redutor seleccionar musicas de um concerto que me apetecia reviver logo no dia seguinte (e teria sido muito mais saudável).
Muitas vezes vêm com aquela historia do “thinking outside the box”, e normalmente é em exemplos em que se referencia ideias que nasceram fora dos circuitos universitários e ou em pessoas que saíram das mesmas e começaram a pensar de uma forma não moldada pelo convencionalismo. Apesar disso tudo e de todos comas “oxfordianos”, uma ideia boa pode nascer em todo o lado e estes Vampire Weekend são sem dúvida uma boa ideia e se mantiverem no terceiro álbum a consistência que até aqui evidenciaram irão se tornar numa das melhores coisas de sempre. Serem copinhos de “Horchata” pode fazer com que não fiquem lendários (quer ser queira quer não, há bandas que irão perdurar e serão sobrestimadas por factores extras musicais) mas acho preferível serem consistentes musicalmente a serem mais um produto do idealismo rock. Uma lição que até eu deveria aprender…
Ps: quanto à banda de abertura (Jenny and Johnny) acho que foram competentes na função que tinham a fazer e que não eram maus. Não concordo totalmente com um colega que me disse que um gajo dos Vampire Weekend deveria andar enrolado (vulgo comer) com a Jenny, mas sem dúvida que os Pontos Negros seriam a minha banda de eleição para fazer a primeira parte dos Vampire Weekend embora se calhar não tenham t-shirts tão porreiras.
http://www.myspace.com/jennyandjohnny
http://www.vampireweekend.com
http://www.myspace.com/vampireweekend
http://www.myspace.com/ospontosnegros
E aqui vai o texto traduzido na melhor linguagem “youtubiana” que encontrei:
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