segunda-feira, maio 11, 2009

Há muito tempo a carburar, mas poucoa editar

The Kinks – Nothin’ In The World Can Stop Me Worryn’ Bout That Girl
The Kinks – I Go To Sleep

Todos os anos vou com um certo prazer há feira do disco de Coimbra. Não propriamente, por ser uma boa feira, com preços agradáveis, em que se encontra algo que me entusiasme, com música fantástica que entra nos ouvidos com prazer, pelo modo como as coisas estão organizadas, dispostas; pelas t-shirts e todos os artigos que lá têm que transbordam o bom gosto, pela variedade musical, e todas as outras coisas que nunca me poderiam atrair, já que não as consigo as encontrar lá (e aqui mais uma vez reforço toda a minha subjectividade). A razão do meu entusiasmo é simples, todos os anos, tenho quase como tradição comprar um cd (quase tradição, porque há anos em que falho), e como sou um gajo que retira prazer de coisas simples tenho quase sempre prazer em comprar um disco. Os The Kinks serão como um orgasmo que foi consecutivamente adiado. Quase todos os anos olhava para os cds, e dizia, “É este ano caralho” (frase muitas vezes e erradamente atribuída a adeptos de clubes da segunda circular em Lisboa), mas de ano a ano, ia vendo mais e mais, e lá iam os “The Kinks” de volta para o caralho. Este ano, não. Disse, “é este ano caralho!” (quem já está habituado a ler-me, saberá que será a primeira vez que uso a palavra caralho, e senão for, é de certeza a primeira vez que a emprego durante 4 vezes, se também não o for, olhem, caralho!), e realmente, foi. Procurei, procurei e decidi-me por “Kinda Kinks” não por ser o verdadeiro objecto do meu interesse, mas porque me pareceu aquele que estava em melhores condições, e todos outros cds disponíveis, me despertarem somente interesse semelhante. Eu queria um cd que tivesse o “Lola”, o “You Really Got Me”, “Waterloo Sunset”, “All The Day And All Of The Night”, todas aquelas músicas mais conhecidas, que me foram conquistando. Aliás a minha história com os Kinks começou há vários anos, ouvindo músicas, muito provavelmente em alguns filmes, nas rádios, sempre sem reparar. No dia em que reparei, fui descobrir, e descobri as mais conhecidas. Adorei! A partir daí fui descobrindo um pouco mais e fui preenchendo um imaginário. Muitas destas músicas, tu; eu, já as ouvimos sei lá onde, mas já ouvimos e quando as ouvimos, todas nos parecem familiares. “Kinda Kinks” foi um cd que ouvi, e não me deixou maluco. À segunda, já lá tinha essa sensação de intemporalidade, de um conhecimento inconsciente prévio. Adorei. Ouvi, ouvi, e fui ouvindo no carro. Também me apercebi, que há dois períodos para os Kinks (e não sei até que ponto, será um julgamento correcto), sendo que “Kinda Kinks” pertence a um período em que a música faz com que, quem te entre no carro, venha te sempre falar dos Beatles. Já um segundo período mais para o final, que segundo li, foi mais de encontro ao punk e ao rock underground americano.
Neste momento, “Kinda Kinks” é um cd, em que adoro mais de 80% das músicas, e em que as músicas que vou destacar, destaco-as somente porque são aquelas com quem mais me identifico neste momento em termos de estado de alma. Aqui há que fazer uma ressalva, esta percentagem, refere-se a uma edição do cd, com 10 músicas de bónus, e que foi lançada em 2004, e logo uma grande fuga ao original, fuga essa à qual eu me associo já que uma das músicas destacadas, não faz parte do cd original. Estas não serão as músicas mais conhecidas dos The Kinks, mas quando a qualidade é boa…
Os The Kinks, foram uma das bandas mais conhecidas da chamada “British invasion”, ou seja o nome que os americanos deram às bandas pop/rock inglesas que começaram a ganhar notoriedade na América. Nasceram em 1963, sendo que o núcleo duro dos The Kinks baseava-se nos irmãos londrinos Ray (que ficou conhecido como um dos songwriters mais literatos do Rock) e Dave Davies (cujo estilo pioneiro de “hard-rock” que começou com “You Really Got Me” fez escola). Primeiro sob o nome de The Ravens (mas já antes apareceram outros projectos, com outros nomes e outras constituições, havendo a curiosidade de Rod Stewart ter sido vocalista em 1962), os irmãos tiveram a companhia de Peter Quaife (guitarra e mais tarde baixo) e Mickey Willet (bateria). No entanto rapidamente mudaram o nome para The Kinks (devido ao estilo Kinky (“com dobras”) com que se vestiam), ainda antes Willet foi substituído por Mick Avory.
O sucesso começou logo em 64, muito graças a “You Really Got Me”, o 3º single da banda que chegou a numero em Inglaterra e ao top ten dos Estados Unidos.
No verão de 1965, os The Kinks depois da tour americana, foram banidas de poder voltar à América, por razões desconhecidas, o que era prejudicial, tendo em conta o tamanho do mercado americano.
Quaife, cansou-se cedo do pouco sucesso da banda e saiu desta, sendo substituído por Jonh Dalton. Em 69, o banimento dos Estados Unidos foi levantado. Pouco depois (depois do lançamento de “Arthur”), contrataram o teclista Jonh Gosling, sendo que a primeira música em que participou foi a magnifica “Lola”.
Em 76, dá-se uma mudança em termos de estilo, com a mudança para a Arista Records, indo numa direcção de rock mais pesado. O baixista John Dalton saiu sendo substituído por Andy Pyle. O primeiro cd por esta editora foi “Sleepwalker”, que teve sucesso na América, logo a seguir, Pyle sai do grupo e Dalton, que voltou a sair durante a tour inglesa de promoção ao segundo álbum pela Arista, “Misfits”, mas desta vez não foi sozinho levando com ele, Gosling, sendo substituídos por Jim Rodford e Gordon Edwards respectivamente. Em 79, sai “Low Budget” o álbum que teve mais sucesso na América. Em 83 Ray, começou a trabalhar no filme “Return to Waterloo”, o que causou grande tensão na banda. Mick Avory foi despedido após vários anos na banda e substituído Bob Henrit. Neste período, Ray fez “Word of Mouth”, e começou com este álbum o declínio dos The Kinks. Durante os anos seguintes, andaram de editora em editora, sem grande sucesso comercial. Sendo que o ressurgimento dos The Kinks dá-se devido a bandas como os Blur e Oásis, que a meio dos anos 90 estavam na mó de cima, os referirem constantemente como uma das grandes influencias. Mas também bandas mais recentes como os The Libertines, The Killers, Franz Ferdinand os referem.
Afinal, esta é uma banda de uma biografia longa, de sucessos em quantidade e qualidade, com álbuns que marcaram gerações, e que obviamente se repercutem ao longo das várias gerações musicais. E mesmo em termos do modo como influenciaram a música foi abrangente, com um período mais calminho a que “Kinda Kinks” pertence, e a fase da Arista, em que entram num rock mais pesado, mas mesmo assim, conseguiram granjear sucesso (sendo que neste ultimo caso, fizeram mais sucesso nos Estados Unidos do que em Inglaterra).
A banda separou-se em 1996, sendo que em 2008, Ray Davies confirmou que a banda se estava a reunir tendo em vista um novo álbum e uma digressão. Não sei se será bom ou mau, maioria destas reuniões acabam em desilusão, mas um gajo que em certa altura da sua carreira disse, “I’ve only written about 200 good songs. The rest are B sides”, deve-se poder dar a esse luxo.





Met a girl, fell in love, glad as I can be
Met a girl, fell in love, glad as I can be
But I think all the time, is she true to me?
cause there’s nothing in this world to stop me worryin bout that girl

I found out I was wrong, she was just two timing
I found out I was wrong, she just kept on lying
Now she tries to tell the truth, and I just cant believe
cause there’s nothing in this world to stop me worryin bout that girl

Tell me who can I turn to, just who can I believe?
Tried to put her out of my mind, shell only cause me grief
I love that girl, whatever she’s done, you know it hurts me deeply
cause there’s nothing in this world to stop me worryin bout that girl

I know she’s been with other fellas, why does she keep on lying?
It hurts me so when she says nothing, I really feel like dying
I ache inside until I think[? ], I know its just my pride
cause there’s nothing in this world to stop me worryin bout that girl
cause there’s nothing in this world to stop me worryin bout that girl





When I look up from my pillow I dream you are there with me.
Though you are far away I know you'll always be near to me.
I go to sleep, sleep, and imagine that you're there with me.I
go to sleep, sleep, and imagine that you're there with me.

I look around me and feel you are ever so close to me.
Each tear that flows from my eyes brings back memories of you to me.
I go to sleep, sleep, and imagine that you're there with me.
I go to sleep, sleep, and imagine that you're there with me.

I was wrong, I will cry, I will love you to the day I die.
You alone, you alone and no one else, you were meant for me.

When morning comes once more I have the loneliness you left me.
Each day drags by until finally night time descends on me.
I go to sleep, sleep, and imagine that you're there with me.
I go to sleep, sleep, and imagine that you're there with me.



E já agora para se perceber como poderá ser estes senhores ao vivo, caso regressem:




http://www.raydavies.info/www/intro.php, http://www.davedavies.com/, http://www.thekinks.com/, http://www.myspace.com/thekinksofficial

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