quinta-feira, janeiro 08, 2009

E já foi em 2008...

The Dodos – Park Song
The Dodos – Undeclared
The Dodos – Red and Purple
The Dodos – Ashley
The Dodos – Walking
The Dodos – Fools
The Dodos – Jodi


Este, foi sem duvida um dos melhores álbuns deste ano. Aquando da recente visita destes a Coimbra, um colega meu perguntou-me se valia a pena ir, eu disse-lhe que sim, que não era nada de fabuloso, mas que era bastante agradável. Vou agora reformular, a resposta que eu devia ter dado era, o cd é de um nível fabuloso e vale mesmo a pena ir. É a diferença entre ouvir duas a 3 vezes o álbum por alto, e ouvir o álbum com muito afinco após um excelente concerto. Então é assim, Visiter poderia considerar-se um paradigma da música pop, tem lá tudo, a suavidade a ternura, de vez em quando lá vem um bocado mais de força, mas sempre dentro de um registo agradável. O bom-gosto, é uma característica sempre presente.
São poucas as músicas em todo o álbum que eu não ache que estejam numa escala entre o bom + e o excelente. Comparados aos Vampire Weekend pela raiz africana, e aos Arcade Fire, pelo tom celebratório (vincadíssimo em certas canções), Eu pelo meu lado, e concordando com todas essas parecenças, não me inibo de fazer as minhas mesmo que um colega meu não veja parecença nenhuma. Eu vejo, e isso é que me interessa. E eu vejo uns XTC em “God?”. Acredito que os Dodos, por serem novitos, e americanos, nem sequer conheçam os XTC, mas na primeira vez que ouvi a música, veio-me logo XTC à cabeça, o que seria grave caso fosse um junkie.
O concerto foi competentíssimo, tendo momentos que raiaram a pura excitação. Os dodos, também pareciam felizes, pelo menos a cara do vocalista parecia transparecer felicidade, naquela que não deixaram de referir como a sua primeira actuação em Portugal. O vocalista/guitarrista, Meric Long, actuava principalmente sentado, mas quando ficava eufórico, não tinha pejo em se levantar e tocar de pé abanando-se como um verdadeiro rocker. Já os outros elementos, Logan Kreber na bateria e Joe Haener no vibrafone (que segundo um colega meu, também tinha acoplado um daqueles caixotes do lixo metálicos e cuja a aquisição, ele foi um dos responsáveis), mantiveram-se mais estáticos, mas pelo menos no caso, de Logan os braços e a cabeça, mexeram-se que foi uma coisa doida. O concerto transbordou calor, não só pela música e pela intensidade, mas também pelo número de pessoas que se agachavam para assistir ao concerto em exíguo espaço. Também os músicos sentiram ambos os calores, e foi vê-los nas pequenas pausas a bebericarem um pouco de Super Bock (salvo erro), ou a irem abrir a janela, para sentirem um pouco de ar fresco. Nesse capítulo o mais beneficiado, foi Joe Haener, já que estava mais perto da janela.
O concerto percorreu o álbum, desde a balada Ashley (todos os sons da música, transpiram romantismo) até à mais vibrante Jody, faltando no entanto a música que à altura era a minha preferida, “Park Song” (já se está a tornar um hábito, os puritanos em Coura, também não tocaram “Tracey Emin”). Tocaram também músicas de outros álbuns.
Na entrevista á ESECTV, Meric Long, dizia que no fundo todas as músicas acabavam por ser sobre a mãe. Ok!! Há a Ashley a Jodi (Jodi, my dear, I'm sorry but I must disappear/I leave you with a song and a tear/Just please don't wash away/This is my crutch, you had me at the face and the touch/But I can only give you so much/Before it goes away/You could be my end/You could be my end), embora com esta última se percebe mais para o final da música (que não a parte transcrita), haver uma daquelas atitudes posssessivas caracteristicas das mães, mas a não ser que haja algo de Freudiano, a maioria das músicas do album falam sobre amor, romance, etc, e tudo cantado e tocado com bastante sentimento.
O nome Segundo Meric, refere-se, ao nome que a mãe lhe chamava. Eu dizia que era um pato, na minha santa ignorância, de rapazito que quando era pequeno não gostava de ver o National Geographic, embora soubesse que aquilo não era um pato, mas era bastante parecido. E então outro dia, passeava o meu belo pin (posso dizer que na noite do concerto, foi a primeira vez que usei um pin na vida, tendo inclusive perguntado a um colega, como é que se usava tal coisa, e agora que já aderi à moda, uso inclusive (ou não!! outra vez!!) pins que colegas meus caracterizam como ligeiramente gays), quando um professor meu, olha para o pin, e diz algo como, olha um dodô, uma ave que vivia salvo erro na Nova Zelândia, e que já se extinguiu. Eu cá para comigo, “Sim senhor! Este gajo tem uma grande cultura, não me admira que seja um professor de tanto gabarito”. A partir daí soube, que mais 2 colegas meus sabiam mais ou menos o mesmo, e se calhar sabe toda a gente, e a santa ignorância é só minha. Mas eu decidi-me a vingar da minha antiga repulsa pelo National Geographic, e fui à Wikipédia. E então é assim, seus ignorantes, os Dodôs viviam principalmente nas ilhas Maurícias (e não Nova Zelândia), sendo que foram baptizados, pelos portugueses que quando chegaram à ilha, chamaram às aves de doidas. Também fomos nós, os responsáveis pela sua extinção, não só com a caça, mas também pelo transporte de outros animais para as ilhas, que lhes destruíram os nichos.
Adiante, Meric, conheceu primeiro Joe e com ele, tocava no liceu, no entanto Joe não é um “membro oficial” dos The Dodos, é antes um convidado, com participações ao vivo, e penso que também no disco, e logo não foi aqui que os Thd Dodos começaram.
Eles começaram, por ser um projecto a solo de Meric Long, que lançou o Ep “Dodo Bird” em 2005, já com a presença de Logan, que entretanto conhecera, em algumas músicas. Meric tinha aprendido “West African Ewe drumming", vide wikipedia tal como eu, já que não consigo traduzir tal desiderato (mas é uma espécie de percussão africana, masi ou menos para o lado do Gana), e da sua reunião com Logan, cuja experiência era do Heavy Metal, permitiu-se criar uma música que tinha como actriz principal a percussão, nascia assim o duo. Em 2006 saiu “Beware of the Maniacs” ainda sob o logo de um dodô, pelo que os fãns lhes começaram a chamar de The Dodos. Em 2008, pela Frenchkiss Records, saiu este fantástico “Visiter”, álbum que foi escrito “na estrada” entre 2006 e 2007. A capa do albúm foi feita, por uma criança, que numa escola, a que eles foram cantar a pedido de uma amigo da irmã de Meric, essa criança lhes deu um papel com o desenho e já com a gralha, Visiter (que deveria ser Visitor).

Em relação às letras, as minhas preferidas são neste momento as de “Red and Purple” e de “Undeclared”. Esta ultima vou transcrever porque é simples(mente) bonita.

I like the way you hold your head
If your brother knew, he'd have my head
But I wouldn't care if I was dea
If I had the chance to hold your hand
But my love goes undeclared
Yeah, my love goes undeclared
And my love goes undeclared
Yeah, my love goes undeclared

You let me stay here for a week
On your couch but I would rather sleep
In your bed, or even better yet
We could run away and never rest
But my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared

You come to me out of a dream
And you run around like you just can't be
'cause your mind is filled with fantasies
And it makes me laugh and it comforts me
But my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared

You give me your insanity
But I think it might be vani
'cause you want what you can't have for free
And you don't know what it means to me
So my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared
Yeah, my love stays undeclared



Para finalizar, alguns momentos do concerto de Coimbra, recolhidos do Youtube, bem como, o único momento do concerto de Lisboa, presente no Youtube, que me faria preferir estar em Lisboa a ter estado em Coimbra:





The Dodos - "Fools" Live @ Salão Brazil Coimbra



The Dodos (encore) live@ Salão Brasil - Coimbra 05-12-08



The Dodos em Coimbra



The Dodos - Jody



dodosmusic.net, www.myspace.com/mericlong , www.myspace.com/thedodos

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